AGRONEGÓCIO

Prefeitura tapa mais de 50 mil buracos em seis meses de gestão

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A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras (SMOP), já recuperou mais de 50 mil pontos danificados em ruas e avenidas da capital com a operação tapa-buraco, executada de forma intensiva desde o início do ano. Lançada em 6 de janeiro, a ação já passou por 60 bairros e contemplou mais de 1.100 ruas e avenidas, devolvendo segurança e mobilidade aos motoristas e pedestres.

Com frentes de trabalho atuando de segunda a sábado, a operação mobiliza dez equipes simultâneas, divididas entre as quatro regiões da cidade, incluindo distritos e a área central. A atuação segue diretrizes técnicas e prioriza corredores de ônibus, vias com grande fluxo de veículos e acessos a escolas e unidades de saúde.

Para garantir maior durabilidade às intervenções, estão sendo aplicadas mais de 15 mil toneladas de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ), material conhecido por sua alta resistência. O investimento total na operação já soma R$ 13 milhões.

O processo de execução envolve diversas etapas: retirada da umidade com caminhão-pipa, limpeza da área com retroescavadeira, aplicação de brita fina e finalização com o asfalto quente, que é compactado e nivelado. Todos os serviços são acompanhados por fiscais da SMOP, garantindo qualidade desde a preparação da base até a entrega da via recuperada.

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Atendendo determinação do prefeito Abilio Brunini, os trabalhos também estão sendo realizados aos sábados, ampliando o alcance da força-tarefa e acelerando os atendimentos à população. Além das ações contínuas, mutirões de tapa-buraco também estão sendo promovidos em bairros como Santa Amália, CPA I, II, III e IV, Morada do Ouro I e II, Coophamil, Tijucal, Pascoal Ramos, Cohab São Gonçalo e Parque Atalaia.

Durante os serviços, medidas de segurança são adotadas, como sinalização visível com fitas zebradas e, quando necessário, bloqueio temporário de vias, coordenado pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob).

Entre os bairros já contemplados pela operação estão: São Gonçalo Beira Rio, Centro, Cidade Alta, Tijucal, Quilombo, Porto, CPA IV, Carumbé, Morada da Serra, Dom Aquino, Jardim Paulista, Jardim Europa, Despraiado, Bandeirantes, Lixeira, Jardim Cuiabá, Dr. Fábio, Jardim Imperial, Bosque da Saúde, Jardim Leblon, Pedregal, Ribeirão do Lipa, Terra Nova, Pedra 90, Belita Costa Marques, Boa Esperança, Nova Esperança II, Jardim Aroeira, Primeiro de Março, Campo Velho, Grande Terceiro, Jardim Passaredo, São Mateus, Jardim Shangri-lá, Santa Terezinha, Santa Isabel e Chácara dos Pinheiros.

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Para facilitar o envio de solicitações e acompanhar os serviços realizados, a SMOP disponibilizou uma plataforma digital de atendimento, onde o cidadão pode registrar demandas relacionadas à infraestrutura, como recuperação asfáltica, drenagem, limpeza de boca de lobo, entre outras.

O serviço pode ser acessado pela página oficial da SMOP, preenchendo um formulário com dados pessoais e anexando fotos e informações sobre o local do problema. O munícipe também pode escolher se deseja receber a resposta por e-mail ou WhatsApp.

Outra opção é o atendimento via ZapObras, pelo número (65) 9 9216-0484, que gera um protocolo e permite o acompanhamento da solicitação em tempo real.

Como parte do planejamento para fortalecer a autonomia da cidade na área de infraestrutura, o prefeito Abilio Brunini informou que está em tratativas com o Governo do Estado para viabilizar a instalação de uma usina municipal de asfalto. A medida busca reduzir custos operacionais e ampliar a capacidade de atendimento às demandas por pavimentação e manutenção viária.

#PraCegoVer

A imagem mostra as equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras realizando a operação tapa-buraco no bairro CPA I.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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AGRONEGÓCIO

Vacilos do Trump faz Brasil se aproximar da liderança mundial no agro

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A distância que durante décadas separou Brasil e Estados Unidos no comércio mundial do agronegócio praticamente desapareceu. Em 2025, os norte-americanos exportaram o equivalente a cerca de R$ 883 bilhões em produtos agrícolas, enquanto as vendas brasileiras chegaram a aproximadamente R$ 871 bilhões. Uma diferença de apenas 1,4% entre dois países que começaram este século em posições muito distantes.

Os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram mais do que uma aproximação circunstancial. Enquanto o Brasil ampliou produção, produtividade e presença em novos mercados, as exportações norte-americanas cresceram em ritmo bem menor e passaram a enfrentar dificuldades em destinos estratégicos.

Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou R$ 871 bilhões, considerando a conversão dos valores divulgados oficialmente. Foi o maior resultado da série histórica e representou crescimento de 3% sobre o ano anterior.

Os Estados Unidos encerraram o mesmo período com aproximadamente R$ 883 bilhões em exportações agrícolas.

A diferença de cerca de R$ 12 bilhões é pequena diante do tamanho do comércio dos dois países e mostra quanto a posição relativa mudou.

No início dos anos 2000, as exportações agrícolas americanas eram mais de duas vezes e meia superiores às brasileiras. Em apenas cinco anos, enquanto as vendas externas dos Estados Unidos cresceram aproximadamente 14%, as brasileiras avançaram 68%.

O movimento continua em 2026.

Entre janeiro e julho, o agronegócio brasileiro exportou aproximadamente R$ 533 bilhões, novo recorde para o período. Somente em julho foram cerca de R$ 84 bilhões, também a maior marca já registrada para o mês.

Parte da aproximação pode ser explicada por uma diferença estrutural entre os dois concorrentes.

Os Estados Unidos possuem uma fronteira agrícola praticamente consolidada e enfrentam limitações para aumentar significativamente sua área cultivada. Na pecuária bovina, o rebanho norte-americano está próximo dos menores níveis das últimas sete décadas, situação que reduziu a disponibilidade de animais e aumentou a necessidade de importação de carne.

O Brasil ainda possui maior capacidade de crescimento da produção, seja pela incorporação de áreas já abertas, seja principalmente pelo aumento da produtividade e pela possibilidade de realizar duas ou até três safras na mesma área durante o ano.

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Essa vantagem aparece com clareza na soja.

Brasil e Estados Unidos estão entre os grandes responsáveis pela oferta mundial da oleaginosa, mas o Brasil assumiu a liderança tanto na produção quanto nas exportações e passou a ocupar uma parcela crescente do mercado chinês.

A China é justamente onde a diferença entre os dois países se tornou mais evidente.

Em 2025, os chineses compraram aproximadamente R$ 285 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro. O país asiático respondeu sozinho por 32,7% de tudo o que o setor exportou.

No comércio agrícola norte-americano ocorreu o movimento contrário.

A China, que durante anos esteve entre os principais compradores dos Estados Unidos, caiu para a sexta posição entre os destinos do agro americano em 2025. As vendas recuaram 66% em apenas um ano, para aproximadamente R$ 43 bilhões.

O próprio USDA associa essa retração às tarifas recíprocas e à redução das compras chinesas de soja norte-americana.

A disputa comercial entre Washington e Pequim acelerou uma mudança que já vinha ocorrendo por razões produtivas. Diante das tarifas impostas aos produtos americanos, importadores chineses aumentaram a procura por fornecedores alternativos, e o Brasil estava em posição privilegiada para atender essa demanda.

O efeito ultrapassou a soja.

O Brasil ampliou participação internacional em carnes, algodão, milho e outros produtos agropecuários e passou a disputar mercados que historicamente tinham forte presença dos Estados Unidos.

Na carne bovina, a inversão é particularmente significativa. O Brasil consolidou-se como maior exportador mundial, enquanto os Estados Unidos, pressionados pela redução de seu rebanho, aumentaram as importações para abastecer o próprio mercado.

Essa situação levou recentemente o governo norte-americano a ampliar em 300 mil toneladas a quantidade de carne bovina magra que poderá entrar no país dentro da cota com tarifa reduzida até o fim deste ano, criando uma oportunidade adicional para fornecedores como o Brasil.

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A política comercial adotada pelo governo Donald Trump acrescentou uma nova variável a essa disputa.

As tarifas impostas pelos Estados Unidos atingiram também produtos brasileiros e criaram dificuldades para cadeias que dependem mais diretamente daquele mercado. Café, carnes, suco de laranja e determinados produtos industrializados estão entre os segmentos mais expostos às decisões de Washington.

O efeito sobre o conjunto do agronegócio brasileiro, entretanto, é limitado pela diversificação dos destinos.

Em 2025, os Estados Unidos compraram aproximadamente R$ 59 bilhões em produtos do agro brasileiro, equivalentes a 6,7% das exportações do setor. A China comprou quase cinco vezes esse valor.

Essa diferença ajuda a explicar por que medidas comerciais americanas podem provocar impactos severos em determinadas cadeias sem necessariamente interromper o crescimento das exportações do agronegócio como um todo.

Também mostra por que a abertura de mercados passou a ter peso estratégico para o Brasil. Quanto maior o número de compradores disponíveis para carnes, grãos, fibras, café, frutas e produtos processados, menor a dependência de decisões comerciais tomadas por um único país.

Para o produtor rural, a aproximação dos Estados Unidos no ranking mundial não representa apenas uma disputa estatística. Mercados adicionais significam mais alternativas para escoar a produção e podem aumentar a concorrência entre compradores, especialmente nas cadeias em que o Brasil já possui grande excedente exportável.

Há, porém, um risco nessa trajetória. A crescente concentração das vendas brasileiras na China aumenta a exposição às decisões do país asiático. Quase um terço das receitas do agro brasileiro no exterior depende atualmente daquele mercado.

Por isso, o próximo passo da expansão brasileira passa não apenas por vender mais, mas por diversificar compradores e aumentar o valor agregado dos produtos exportados.

A distância para os Estados Unidos, de qualquer forma, nunca foi tão pequena. Depois de décadas perseguindo o maior exportador agrícola do mundo, o Brasil chega à segunda metade de 2026 em condições de disputar uma posição que, no início deste século, parecia muito distante.

Fonte: Pensar Agro

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