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Prefeitura de Cuiabá realiza ação inédita para diagnóstico de hanseníase em pacientes com dor crônica

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A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), através da Secretaria Adjunta de Atenção Primária, realiza entre os dias 26 e 30 de janeiro de 2026 uma grande ação integrada voltada ao diagnóstico diferencial da hanseníase em pacientes com dor crônica, dentro da campanha Janeiro Roxo, mês de conscientização sobre a doença.

A iniciativa é desenvolvida em parceria com o Centro de Referência Estadual de Média e Alta Complexidade (CERMAC) e tem como foco principal a identificação precoce da hanseníase, especialmente da forma neural, que muitas vezes é confundida com doenças como a fibromialgia, devido à semelhança dos sintomas.

Ao todo, cerca de 200 pacientes do município de Cuiabá serão atendidos durante a ação, sendo 120 regulados pela rede de saúde e 80 por demanda espontânea.

A ação surge da necessidade de aprimorar a identificação da hanseníase em pessoas que convivem há meses ou até anos com dor crônica persistente e que, muitas vezes, recebem diagnóstico de fibromialgia sem uma investigação mais aprofundada para doenças neurológicas infecciosas, como a hanseníase neural.

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O objetivo é evitar atrasos no diagnóstico, prevenir sequelas e garantir tratamento adequado o mais cedo possível, promovendo um cuidado mais qualificado, humanizado e resolutivo.

Atendimento multiprofissional no CERMAC

Os atendimentos serão realizados nas dependências do CERMAC, com uma força-tarefa formada por equipes da Secretaria Municipal de Saúde e do próprio centro de referência estadual.

Pela SMS Cuiabá, participarão da ação: 4 médicos, 6 enfermeiros e 1 fisioterapeuta. Já o CERMAC disponibilizará: hansenologistas, enfermeiros, nutricionista e psicóloga.

Os profissionais da rede municipal atuarão durante o horário de expediente, com liberação formal para participação na ação.

Durante os atendimentos, os pacientes passarão por:
– Triagem clínica inicial;
– Avaliação neurológica especializada;
– Investigação diagnóstica para hanseníase, com ênfase na forma neural;
– Avaliação multiprofissional integrada;
– Exames laboratoriais;
– Aplicação de instrumentos padronizados, como o Questionário de Suspeição de Hanseníase (QSH) e a Escala Visual Analógica (EVA);
– Orientações individuais e coletivas em educação em saúde.

Após a conclusão das avaliações, os casos confirmados serão encaminhados para acompanhamento pela Atenção Primária. Cuiabá conta atualmente com 68 Unidades de Saúde da Família aptas para realizar o seguimento completo do tratamento dos pacientes, garantindo cuidado contínuo, próximo da comunidade e com equipe multiprofissional.

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A Secretaria Municipal de Saúde destaca que a ação reforça o compromisso da gestão com o enfrentamento da hanseníase, por meio da integração entre os níveis de atenção, fortalecimento dos fluxos assistenciais e qualificação do cuidado prestado à população.

A iniciativa também amplia o olhar da rede de saúde para pacientes com dor crônica, garantindo que nenhum caso de hanseníase permaneça sem diagnóstico e tratamento.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças

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Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.

As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.

O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.

Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.

A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.

Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.

Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.

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O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.

O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.

Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.

A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.

Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.

A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.

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A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.

Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.

A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.

Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.

A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.

O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.

Fonte: Pensar Agro

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