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Prefeitura de Cuiabá mobiliza secretarias para o show da Guns N’ Roses na Arena

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A Prefeitura de Cuiabá, por meio de atuação conjunta de várias secretarias municipais, está com um esquema especial preparado para a realização do show da banda Guns N’ Roses nesta sexta-feira (31), na Arena Pantanal. O planejamento abrange mobilidade urbana, proteção ao consumidor, ordem pública, saúde e logística para acolher público estimado em mais de 40 mil pessoas.

A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Segurança Pública (Semob‑Segp) informa que as interdições no entorno da Arena será até às 2h de sábado, com bloqueios na Avenida Agrícola Paes de Barros (entre a Avenida São Sebastião e a Rua Traçaia) e na Avenida Ranulfo Paes de Barros (entre a Agrícola Paes de Barros e a Avenida 8 de Abril). Agentes de trânsito atuam no local orientando motoristas e pedestres, com apoio da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, para garantir segurança viária e fluidez no evento.

A Procon Municipal de Cuiabá está com equipe completa mobilizada para acompanhar o evento. O órgão divulgou orientações aos consumidores sobre seus direitos, itens proibidos, transporte, e ressalta que estará presente tanto na área externa quanto interna da Arena. O Procon fará fiscalização junto à Delegacia do Consumidor (Decon) e à Politec, por exemplo, no que se refere à comercialização de bebidas e produtos no evento.

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A Secretaria Municipal de Ordem Pública (Sorp) também participa da operação, com atuação dos fiscais para coibir o comércio ambulante e atividades não autorizadas no entorno da Arena. Foi publicada norma que proíbe comerciantes ambulantes nas ruas Ranulfo Paes de Barros, Oir Castilho, Traçaia e Avenida Agrícola Paes de Barros nos dias 30 e 31 de outubro, com remoção antecipada dos equipamentos.

Na área de saúde, a Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá preparou a rede de urgência e emergência para dar suporte ao público do evento. Unidades como a UPA do Verdão e o Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) estão designadas como referências para atendimento de ocorrências relacionadas ao evento.

Com esse conjunto de ações coordenadas entre mobilidade, consumo, ordem pública e saúde, a Prefeitura de Cuiabá reforça seu compromisso em garantir que o espetáculo aconteça de forma segura, organizada e acolhedora para moradores, visitantes e público de todo o Brasil. Além do apoio municipal, a Secretaria Estadual de Segurança Pública também está atuando com mais de 900 integrantes para preservar e orientar os participantes do evento.

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#PraCegoVer
Imagem mostra dois agentes da Secretaria de Mobilidade Urbana nos arredores da Arena Pantanal antes do show da banda Guns N’Roses

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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AGRONEGÓCIO

Safra recorde já não basta para garantir rentabilidade ao produtor

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A perspectiva de uma nova safra recorde encontra o produtor brasileiro diante de um desafio que cresce na mesma proporção da produção: financiar uma atividade mais tecnológica, mecanizada e intensiva em capital, num ambiente de juros elevados, margens menores e bancos mais seletivos. O avanço do crédito privado amplia as alternativas disponíveis, mas também exige profissionalização da gestão e uma análise mais rigorosa sobre o retorno proporcionado pelo patrimônio investido.

Dados do Banco Central (BC), compilados por entidades do setor, mostram que 23,5% da carteira ativa de crédito rural apresentava algum nível de problema em julho de 2026. Eram R$ 207,5 bilhões em operações inadimplentes, atrasadas, renegociadas ou prorrogadas. O indicador não representa apenas parcelas vencidas, mas revela o aumento do estresse financeiro acumulado depois de safras afetadas pelo clima, custos elevados e preços menos favoráveis.

Ao mesmo tempo, o financiamento bancário tradicional perdeu força. Em 12 meses, o volume de crédito rural concedido sem considerar instrumentos do mercado de capitais recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. A área atendida pelas linhas convencionais de custeio caiu quase 26%, de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares.

Esse espaço vem sendo ocupado gradualmente por cooperativas, tradings, fornecedores de insumos, fundos de investimento e emissões no mercado de capitais. O estoque dos instrumentos privados de financiamento do agronegócio alcançou R$ 1,34 trilhão em julho, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Somente as Cédulas de Produto Rural (CPRs) somavam R$ 580,8 bilhões, distribuídos em aproximadamente 372 mil títulos.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a diversificação das fontes de recursos é necessária, mas não pode ser confundida com crédito fácil ou capacidade ilimitada de endividamento.

“O crédito privado será cada vez mais importante para complementar o Plano Safra e o financiamento bancário. O produtor, porém, precisa avaliar o custo efetivo, o prazo, as garantias exigidas e a compatibilidade das parcelas com o fluxo de caixa da propriedade. Trocar uma dívida por outra mais cara, sem corrigir a origem do desequilíbrio, apenas transfere o problema para a safra seguinte”, afirma.

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A necessidade de capital aumentou com a transformação da agropecuária brasileira. Produzir em escala passou a exigir máquinas de maior capacidade, agricultura de precisão, armazenagem, irrigação, conectividade, sistemas de gestão, insumos tecnológicos e equipes especializadas. A valorização das terras também elevou o volume de patrimônio imobilizado nas operações.

Essa evolução permitiu ganhos de produtividade e consolidou o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos, fibras e energia. Mas também tornou as propriedades mais sensíveis ao custo do dinheiro. Quando os juros aumentam e as margens recuam, uma atividade pode apresentar lucro contábil e, ainda assim, não remunerar adequadamente todo o capital empregado.

É nesse ponto que ganha importância o conceito de Valor Econômico Agregado, conhecido pela sigla EVA. O indicador calcula o resultado operacional do negócio depois de descontado o custo de todo o capital utilizado, inclusive recursos próprios, terras quitadas, máquinas e demais ativos.

Uma propriedade pode encerrar o ciclo com resultado positivo no balanço, mas destruir valor se o retorno obtido ficar abaixo do que aquele patrimônio poderia render em uma alternativa de menor risco. A terra própria, por exemplo, não deixa de ter custo econômico porque está quitada. Ela representa capital que poderia ser arrendado, vendido ou aplicado em outro investimento.

“O produtor sempre acompanhou produtividade, custo por hectare e preço de venda. Esses indicadores continuam fundamentais, mas já não são suficientes para medir a saúde econômica do negócio. Também é necessário saber se o resultado remunera a terra, as máquinas, o capital de giro e o risco assumido durante a safra”, diz Rezende.

A aplicação dessa análise não significa abandonar investimentos ou reduzir a produção. O objetivo é identificar quais atividades, áreas e estruturas realmente geram retorno. A avaliação pode mostrar que determinado talhão produz bem, mas possui custo elevado; que uma máquina permanece ociosa; ou que o arrendamento oferece resultado melhor do que a compra de terras financiada.

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O mesmo raciocínio vale para a contratação de crédito. Recursos obtidos a juros superiores ao retorno esperado pela atividade diminuem o valor econômico da propriedade, mesmo quando ajudam a ampliar o faturamento. Por isso, crescimento de receita, aumento de área e recorde de produção não significam necessariamente fortalecimento financeiro.

A busca por recursos privados também coloca a governança no centro das negociações. Instituições financeiras e investidores analisam demonstrações contábeis, histórico de produção, previsibilidade de caixa, endividamento, garantias, regularidade ambiental e fundiária, contratos e capacidade de gestão. Quanto maior a qualidade dessas informações, maior tende a ser a possibilidade de acessar diferentes fontes e negociar condições melhores.

“Governança deixou de ser uma preocupação exclusiva das grandes empresas. O produtor que conhece seus números, separa as contas da família e da propriedade, mantém documentos regulares e apresenta informações confiáveis reduz a percepção de risco. Isso melhora sua posição diante dos financiadores e permite comparar propostas sem decidir apenas pela disponibilidade imediata do dinheiro”, acrescenta Rezende.

O modelo de financiamento do agronegócio tende a permanecer híbrido. Crédito rural, recursos obrigatórios, cooperativas, tradings, fornecedores, fundos e mercado de capitais continuarão convivendo, cada um com custos, prazos e riscos diferentes. O desafio será combinar essas fontes sem comprometer parcelas excessivas da produção futura ou oferecer garantias incompatíveis com o valor da operação.

A safra recorde continua sendo uma demonstração da capacidade produtiva brasileira. Para que esse desempenho se transforme em renda, entretanto, o produtor precisará acompanhar não apenas quantas toneladas colhe, mas quanto valor permanece depois de remunerados todos os recursos utilizados. Em uma agricultura intensiva em capital, produzir mais é importante; produzir com retorno econômico tornou-se decisivo.

Fonte: Pensar Agro

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