AGRONEGÓCIO

Prefeito visita polo mundial de inovação e tecnologia em busca de parcerias estratégicas

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O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, cumpriu nesta terça-feira (4) uma das agendas mais relevantes da missão oficial na China: a visita à cidade de Suzhou, reconhecida internacionalmente como um dos maiores polos de inovação, tecnologia e desenvolvimento urbano sustentável do mundo. Ao lado do secretário de Desenvolvimento Econômico, Fernando Medeiros, e dos vereadores Eduardo Magalhães e Demilson Nogueira, o prefeito busca fortalecer parcerias que conectem Cuiabá às cadeias globais de inovação e gestão inteligente de cidades.

Durante o encontro, a comitiva cuiabana participou de apresentações sobre os modelos de gestão pública de Suzhou, que unem tecnologia, eficiência energética e sustentabilidade ambiental. A cidade é considerada um exemplo mundial por integrar indústrias de alta tecnologia, sistemas automatizados de transporte e soluções em manufatura avançada, áreas em que Cuiabá pretende ampliar seus investimentos nos próximos anos.

“Conhecer de perto como uma cidade como Suzhou conseguiu se transformar em um centro global de inovação e desenvolvimento sustentável é uma oportunidade única. Estamos trocando experiências e buscando caminhos para aplicar esse conhecimento na nossa realidade, com foco em mobilidade, eficiência e qualidade de vida para os cuiabanos”, destacou o prefeito Abilio Brunini.

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A agenda também incluiu reuniões com empresas especializadas em gestão de resíduos, energia limpa e mobilidade elétrica, além de visitas a centros de pesquisa e parques tecnológicos. Os temas centrais tratados foram a implantação de indústrias sustentáveis, a modernização do transporte público e a estruturação de parcerias público-privadas voltadas à inovação urbana.

Na segunda-feira (3), o grupo esteve em Beijing, onde o prefeito se reuniu com o embaixador do Brasil na China, João Batista, e executivos da CRRC, uma das maiores fabricantes de modais de transporte do mundo, para discutir o modelo ART (Autonomous Rail Transit), uma tecnologia de transporte elétrico sem trilhos que pode ser adaptada à realidade de Cuiabá.

Encerrando o segundo dia de atividades, o prefeito destacou que a experiência em Suzhou reforça o compromisso da capital mato-grossense com um futuro urbano mais moderno, conectado e sustentável. “Suzhou é um exemplo do que queremos construir em Cuiabá: uma cidade que une tradição, inovação e crescimento com responsabilidade ambiental”, afirmou.

Nesta quarta-feira (5), a delegação segue para Yiwu, cidade referência global em comércio e logística, onde continuará as tratativas para ampliar o intercâmbio econômico e tecnológico entre Cuiabá e a China.

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Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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AGRONEGÓCIO

Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo

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Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.

O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.

A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.

A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.

A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.

Isan Rezende

INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.

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Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.

Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.

O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.

No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.

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Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.

Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.

Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.

Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.

Fonte: Pensar Agro

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