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Preço do suíno vivo registra forte queda em fevereiro, aponta Cepea

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O mercado de suínos apresentou mudanças relevantes em fevereiro, com destaque para a forte queda nos preços do animal vivo e o avanço das exportações. As informações constam no Boletim do Suíno divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que reúne dados atualizados sobre o desempenho do setor.

Queda acentuada no preço do suíno vivo em fevereiro

As cotações médias do suíno vivo registraram forte retração em fevereiro na comparação com janeiro.

Na praça SP-5 — que engloba municípios como Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba — a queda foi de 16,1% no período. Trata-se da desvalorização mais intensa desde janeiro de 2022, quando os preços haviam recuado 21%.

Exportações de carne suína batem recorde para o mês

Apesar da pressão sobre os preços internos, o desempenho das exportações foi positivo.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os embarques de carne suína totalizaram 120,9 mil toneladas em fevereiro. O volume representa alta de 5,1% em relação a janeiro e de 6,9% frente ao mesmo período de 2025.

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Além disso, este foi o maior volume já registrado para meses de fevereiro em toda a série histórica da Secex, iniciada em 1997.

Desvalorização reduz poder de compra do suinocultor

A queda nos preços do suíno vivo impactou diretamente o poder de compra dos produtores.

Em fevereiro, com a venda de um quilo do animal, o suinocultor paulista conseguiu adquirir apenas 3,75 quilos de farelo de soja — o menor volume desde julho de 2024 — ou 6,11 quilos de milho, o patamar mais baixo desde abril do ano passado.

O cenário evidencia a pressão sobre as margens da atividade, especialmente diante dos custos com alimentação.

Carne suína ganha competitividade frente às concorrentes

No mercado de proteínas, a carne suína apresentou recuo expressivo de preços em fevereiro. Em termos reais, considerando a série deflacionada pelo IPCA de janeiro de 2026, a média atingiu o menor nível desde abril de 2024.

Esse movimento aumentou, pelo segundo mês consecutivo, a competitividade da carne suína em relação às principais concorrentes, como a carne bovina e a de frango.

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Cenário do setor combina pressão interna e demanda externa aquecida

O panorama do mercado suinícola em fevereiro reflete um cenário de contrastes. Enquanto o mercado interno enfrenta pressão nos preços e redução no poder de compra dos produtores, as exportações seguem em alta e sustentam parte da demanda.

O acompanhamento das cotações e dos custos de produção deve seguir como fator-chave para o setor nos próximos meses.

Boletim do Suíno

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil importa 73% das vacinas contra doença fatal no gado

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O Brasil colocou no mercado 9,98 milhões de doses de vacinas contra clostridioses em agosto, mas quase três em cada quatro vieram do exterior. Os dados mostram que a oferta mensal se manteve próxima de 10 milhões de doses, enquanto a produção nacional perdeu participação e aumentou a dependência das importações para proteger os rebanhos.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), 7,30 milhões de doses disponibilizadas no mês passado foram importadas, o equivalente a 73,16% do total. As fábricas brasileiras forneceram 2,68 milhões de doses, ou 26,84%.

Em julho, haviam sido colocadas no mercado 10,16 milhões de doses, das quais 60,31% eram importadas. Na passagem de um mês para o outro, a oferta total diminuiu 1,7%, mas a produção nacional caiu aproximadamente 34%. As importações cresceram 19% e sustentaram o abastecimento.

O balanço não significa necessariamente que as vacinas chegaram de forma regular a todas as regiões. O número divulgado pelo governo corresponde às doses liberadas para comercialização, e não à quantidade efetivamente vendida, distribuída em cada Estado ou aplicada nos animais.

O acompanhamento mensal começou depois de uma escassez registrada no início do ano. Fabricantes interromperam a produção e a comercialização de imunizantes entre o fim de 2025 e janeiro de 2026, reduzindo a oferta em um mercado já concentrado. Desde então, o governo passou a acelerar a análise de lotes importados e a negociar com as empresas a ampliação da produção.

As clostridioses não são uma única doença. O nome reúne diferentes enfermidades provocadas por bactérias do gênero Clostridium e, principalmente, pelas toxinas produzidas por esses microrganismos. Entre as mais conhecidas estão o botulismo, o carbúnculo sintomático, chamado no campo de manqueira, a gangrena gasosa, a enterotoxemia e o tétano.

Essas bactérias conseguem formar esporos resistentes, que permanecem por longos períodos no solo, na água, em restos de animais e no ambiente das propriedades. Em determinadas condições, os microrganismos se multiplicam ou produzem toxinas que atingem o sistema nervoso, os músculos ou o aparelho digestivo dos animais.

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No botulismo, a toxina provoca paralisia progressiva, dificuldade para caminhar e engolir e, nos casos graves, parada respiratória. A contaminação pode ocorrer pelo consumo de água ou alimento impróprio e pelo contato com restos de animais em pastagens, silagens ou suplementos.

O carbúnculo sintomático atinge principalmente bovinos jovens e bem alimentados. A doença provoca febre, dificuldade de locomoção e inchaço dos músculos. A evolução é muito rápida e a mortalidade pode se aproximar de 100%. Em muitas ocorrências, o animal é encontrado morto antes que o produtor perceba sinais claros.

A enterotoxemia está associada à produção de toxinas no intestino e pode surgir após mudanças bruscas na alimentação, especialmente em sistemas intensivos. O tétano e a gangrena gasosa estão relacionados à contaminação de ferimentos, inclusive aqueles provocados por procedimentos de manejo.

As clostridioses geralmente não se espalham entre os animais da mesma forma que uma virose altamente contagiosa. O risco está na presença dos agentes no ambiente e na dificuldade de tratamento. Como a evolução costuma ser rápida, a vacinação preventiva é considerada a principal forma de controle.

O prejuízo começa com a morte do animal, mas não termina nela. O produtor perde o valor investido em genética, alimentação, medicamentos, mão de obra e tempo de criação. Também pode ter gastos com diagnóstico, descarte da carcaça, atendimento veterinário e revisão do manejo sanitário e nutricional.

Pelos preços atuais, um bezerro vale cerca de R$ 3,4 mil. Um bovino terminado com 18 arrobas pode superar R$ 6,2 mil, considerando a cotação do boi gordo próxima de R$ 347 por arroba. Em confinamentos, a perda inclui ainda toda a alimentação consumida até o momento da morte, o que torna o prejuízo maior conforme o animal se aproxima do abate.

Levantamentos realizados em confinamentos colocam as clostridioses entre as principais causas sanitárias de mortalidade. Em propriedades sem vacinação adequada, surtos de botulismo ou manqueira podem atingir vários animais em poucos dias e comprometer o resultado de um lote inteiro.

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Não existe uma estimativa oficial consolidada do prejuízo anual provocado por essas doenças em todo o País. O impacto nacional ocorre pela soma das mortes nas propriedades, da menor produção de carne e leite e do aumento das despesas sanitárias. Diferentemente da febre aftosa, as clostridioses não costumam provocar o fechamento generalizado de mercados internacionais, mas reduzem a eficiência econômica da pecuária.

Com um rebanho de aproximadamente 238 milhões de bovinos, além de milhões de ovinos e caprinos que também podem ser imunizados, o Brasil precisa de oferta contínua. Uma única aplicação nem sempre completa a proteção. Animais vacinados pela primeira vez geralmente precisam de dose inicial e reforço, conforme a idade, o produto utilizado e a orientação do médico-veterinário.

Por isso, não é possível comparar diretamente as quase 10 milhões de doses liberadas em agosto com o tamanho total do rebanho e concluir que o volume é suficiente ou insuficiente. A necessidade varia ao longo do ano e depende do histórico de vacinação, da categoria animal e dos riscos presentes em cada propriedade.

A retomada das importações reduziu o risco imediato de falta, mas a queda da produção nacional mantém o setor exposto a atrasos logísticos, oscilações cambiais e problemas nos países fornecedores. O desafio agora é garantir que a oferta permaneça regular e chegue às regiões pecuárias antes de ocorrerem falhas nos calendários de imunização.

O Mapa informou que trabalha com a indústria para ampliar a fabricação no País, viabilizar as importações e acelerar a fiscalização e a liberação dos produtos. Para o produtor, a orientação é não substituir ou adiar o protocolo por conta própria e procurar o médico-veterinário responsável para definir a vacina e o calendário adequados ao rebanho.

Fonte: Pensar Agro

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