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Pragas na armazenagem da soja elevam perdas e custos no pós-colheita no Brasil

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Ausência de manejo adequado no pós-colheita favorece infestação por insetos, aumenta deterioração dos grãos e pressiona custos da indústria e do produtor.

Armazenagem de soja se torna ponto crítico na cadeia produtiva

O crescimento da produção de soja no Brasil não tem sido acompanhado por uma evolução equivalente nas estruturas e práticas de armazenagem. Esse descompasso tem ampliado as perdas no pós-colheita e transformado os silos em pontos estratégicos de risco para a qualidade dos grãos.

Apesar da posição consolidada do país entre os maiores produtores globais da oleaginosa, especialistas alertam que a falta de controle eficiente de pragas durante o armazenamento já impacta diretamente a competitividade do setor.

Falta de manejo favorece proliferação de insetos

De acordo com o gerente técnico da Qualygran Tecnologia Agroindustrial, Otávio Matos, a armazenagem enfrenta desafios crescentes relacionados ao aumento da produção e à limitação das estruturas disponíveis.

Nesse cenário, a ausência de monitoramento adequado favorece a proliferação de pragas como traças e besouros, incluindo espécies do gênero Lasioderma, que atacam diretamente os grãos armazenados.

Esses insetos provocam perdas físicas, reduzem o peso do produto e ainda facilitam a ocorrência de fungos e bactérias, comprometendo a qualidade da soja ao longo de toda a cadeia produtiva.

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Impacto vai além do campo e afeta a indústria

As perdas registradas na armazenagem não se limitam ao produtor rural. A deterioração dos grãos eleva a acidez da soja, o que impacta diretamente os processos industriais.

Segundo especialistas, esse fator aumenta os custos de estabilização do óleo de soja e afeta diferentes segmentos, incluindo consumo humano, produção de farelo e biocombustíveis.

Apesar disso, o problema ainda não recebe atenção proporcional à sua relevância econômica dentro da cadeia produtiva.

Ausência de exigência do mercado agrava cenário

Um dos pontos críticos destacados por especialistas é a falta de exigência comercial relacionada ao controle de pragas na soja armazenada — realidade diferente da observada em culturas como milho, trigo e arroz.

Essa ausência de cobrança contribui para a manutenção de práticas inadequadas e para o aumento progressivo dos níveis de infestação nos armazéns.

Além disso, o uso pontual e incorreto de métodos químicos pode favorecer o surgimento de resistência dos insetos e manter estruturas contaminadas entre safras.

Erro estratégico: armazenagem ainda não é vista como parte da produção

Outro desafio estrutural está na forma como a armazenagem é tratada dentro da cadeia produtiva. Muitos produtores ainda enxergam o pós-colheita como uma etapa final, e não como parte estratégica da produção.

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Segundo Otávio Matos, essa visão contribui para o uso reativo de controles e para a manutenção de ambientes favoráveis à infestação.

O especialista destaca ainda que o monitoramento de pragas não tem recebido a mesma atenção dedicada a fatores como temperatura, umidade e impurezas, o que limita a eficácia do controle.

Prevenção e higiene são fundamentais para reduzir perdas

Apesar do cenário preocupante, especialistas apontam que medidas simples podem gerar impactos significativos na redução das perdas.

A higienização adequada das estruturas de armazenagem é uma das principais ações preventivas, podendo reduzir de forma expressiva a presença de pragas.

Além disso, o controle de variáveis como umidade, temperatura e compactação dos grãos também é essencial para reduzir a reprodução de insetos e melhorar a conservação da soja.

Conclusão: mudança de postura é decisiva para o setor

O avanço do controle de pragas na armazenagem da soja depende de uma mudança estrutural de comportamento dentro da cadeia produtiva.

Segundo especialistas, apenas com maior conscientização, exigências de mercado e adoção de práticas preventivas será possível reduzir perdas, preservar a qualidade dos grãos e aumentar a eficiência do pós-colheita no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Refis do Agro pode ser votado no Senado e surge como alternativa para aliviar crise financeira no campo

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O Senado Federal deve analisar nesta quarta-feira (10) o Projeto de Lei nº 5.122/2023, conhecido no setor como “Refis do Agro”. A proposta busca criar uma linha especial de financiamento para renegociação de dívidas rurais, oferecendo condições diferenciadas para produtores que enfrentam dificuldades financeiras em decorrência de eventos climáticos extremos e da volatilidade dos mercados.

A medida ganha relevância em um momento de forte pressão sobre o agronegócio brasileiro. Nos últimos anos, produtores rurais de diversas regiões do país enfrentaram perdas expressivas de produtividade provocadas por secas, enchentes e oscilações climáticas, além do aumento dos custos de produção e das dificuldades de acesso ao crédito.

Segundo o advogado Gian Tozini, especialista em Direito Agrário e do Agronegócio, a aprovação do projeto pode representar um importante mecanismo para preservar a capacidade produtiva do setor.

“Estamos diante de uma ferramenta que busca oferecer condições para que os produtores consigam reorganizar suas finanças e manter a atividade econômica no campo, evitando o agravamento da inadimplência e das dificuldades de crédito”, afirma.

Projeto prevê juros reduzidos e longo prazo para pagamento

O texto, aprovado recentemente pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), estabelece condições especiais para a renegociação dos débitos rurais, com prazo de pagamento de até 10 anos e carência de três anos.

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As taxas de juros propostas variam conforme o perfil do produtor:

  • Agricultura Familiar (Pronaf): 3,5% ao ano;
  • Médios produtores (Pronamp): 5,5% ao ano;
  • Demais produtores rurais: 7,5% ao ano.

O objetivo é proporcionar maior previsibilidade financeira e permitir que os produtores retomem investimentos nas próximas safras sem comprometer sua capacidade de pagamento.

Abrangência inclui CPRs e amplia proteção à cadeia produtiva

Um dos principais diferenciais do projeto é a abrangência dos débitos passíveis de renegociação. Além das operações tradicionais de crédito rural, a proposta contempla também as Cédulas de Produto Rural (CPRs) emitidas junto a instituições financeiras, cooperativas e fornecedores de insumos.

Na avaliação de especialistas do setor, a inclusão das CPRs amplia o alcance da medida e fortalece toda a cadeia produtiva do agronegócio, reduzindo riscos de inadimplência em diferentes segmentos ligados à produção agrícola.

Outro ponto relevante é a previsão de suspensão de medidas de cobrança durante o período de negociação, incluindo execuções judiciais e restrições cadastrais relacionadas às dívidas abrangidas pelo programa.

Debate envolve impacto fiscal e preservação da produção

Apesar do apoio de entidades ligadas ao setor produtivo, a proposta enfrenta questionamentos na área econômica do governo federal. Entre os principais pontos de debate está a utilização de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para subsidiar parte das taxas de juros previstas no programa.

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Defensores do projeto argumentam que o custo fiscal da medida pode ser compensado pela manutenção da atividade econômica no campo, pela preservação de empregos e pela continuidade da produção agropecuária.

O tema também está relacionado à segurança alimentar e ao abastecimento interno, uma vez que o agronegócio responde por parcela significativa da produção de alimentos e das exportações brasileiras.

Setor aguarda definição do Senado

A expectativa do mercado é que a votação no Plenário do Senado avance nas próximas horas. Caso aprovado, o projeto poderá representar um dos principais instrumentos de recuperação financeira para produtores rurais afetados pelas adversidades climáticas registradas nas últimas safras.

Lideranças do agronegócio acompanham a tramitação com atenção, destacando que a disponibilidade de crédito e a reorganização das dívidas serão fatores decisivos para o planejamento da próxima temporada agrícola e para a manutenção dos investimentos no campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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