AGRONEGÓCIO

Planejamento é essencial para um desmame eficiente e com bem-estar dos bezerros

Publicado em

O desmame é uma etapa natural da pecuária, mas que exige planejamento cuidadoso para garantir o bem-estar dos bezerros e das vacas, além de preservar o desempenho produtivo da fazenda. Embora faça parte da rotina no campo, o processo pode ser traumático se conduzido de forma inadequada. Especialistas alertam que medidas simples, mas eficazes, ajudam a reduzir o estresse e contribuem para o bom desenvolvimento dos animais.

Momento ideal para o desmame

O desmame deve ocorrer entre os quatro e oito meses de idade, quando os bezerros já não dependem mais do leite materno. Nessa fase, os animais se tornam ruminantes e estão aptos a consumir alimentos sólidos com eficiência.

De acordo com o zootecnista e diretor técnico-comercial da Connan, Bruno Marson, a meta da fazenda deve ser clara: “Produzir em torno de 160 kg de bezerros desmamados por vaca exposta na estação de monta. Ou seja, se uma fazenda colocou 500 vacas na estação de monta, deve-se desmamar 80 mil quilos de bezerros”. Para atingir esse objetivo, a amamentação até o momento certo é essencial.

Leia Também:  Passaporte em Campo Grande revela novos classificados para a Morfologia do Cavalo Crioulo
Estresse e perdas produtivas

O desmame representa um dos momentos de maior estresse na vida do bezerro, já que o animal é afastado da proteção da mãe e precisa se adaptar a uma nova rotina. O impacto desse estresse pode resultar em queda no ganho de peso e prejuízos à produtividade do rebanho.

“É muito comum os bezerros perderem peso logo após o desmame”, observa Marson. Para minimizar esse efeito, o especialista recomenda um período de adaptação mínimo de 30 dias, com fornecimento de alimentos concentrados de boa qualidade e volumoso à vontade. A água também deve ser sempre limpa, fresca e facilmente acessível.

Técnicas que favorecem o bem-estar animal

Entre as estratégias indicadas para um desmame menos traumático, está o uso da suplementação com produtos proteico-energéticos e a realização de visitas diárias aos lotes. Marson orienta ainda manter o contato visual entre vacas e bezerros, utilizando uma cerca ou estrada como separação. Esse tipo de desmame “lado a lado” favorece o bem-estar e reduz o estresse da separação.

Outra prática recomendada é o uso das chamadas “vacas madrinhas” — vacas solteiras que são mantidas junto aos bezerros desmamados. Esses animais ajudam a orientar as crias recém-separadas quanto à localização da água e do cocho de suplementação.

Leia Também:  ECONOMIA: Setor externo responde por crescimento econômico em 2023

A atenção à saúde do rebanho também é fundamental. Bezerros doentes devem ser isolados do restante do lote para evitar a disseminação de doenças.

Transporte deve ser evitado no período pós-desmame

O transporte e a comercialização imediata dos bezerros recém-desmamados devem ser evitados sempre que possível. Caso seja necessário realizar esse manejo, Marson recomenda minimizar o estresse optando por horários mais amenos do dia e priorizando destinos próximos.

“Quanto maior o trajeto, maior o nível de estresse para o bezerro”, conclui o especialista. Além disso, é fundamental garantir pastagens de boa qualidade e ambientes adequados para descanso, contribuindo para uma transição mais tranquila e saudável.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Piscicultura em viveiros escavados cresce no Brasil com tecnologia de manejo e fortalece produção familiar

Published

on

A piscicultura brasileira segue em expansão e encontra nos viveiros escavados um dos principais sistemas de produção para pequenos e médios produtores. A adoção de tecnologias de manejo, aliada a práticas de gestão mais eficientes, tem impulsionado a produtividade e reduzido riscos na atividade aquícola.

Em 2024, o Brasil produziu cerca de 968 mil toneladas de peixes cultivados, segundo a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR). O desempenho reforça o papel da piscicultura familiar, especialmente em sistemas de viveiros escavados, que concentram grande parte da produção nacional.

Tocantins se destaca na produção aquícola com espécies nativas

No recorte regional, o Tocantins registrou aproximadamente 18,1 mil toneladas de peixes cultivados em 2024, também de acordo com a PeixeBR. O estado se destaca pela produção de espécies nativas e pela forte presença de pequenos produtores na cadeia aquícola.

Esse cenário foi tema do programa Prosa Rural, da Embrapa, com base no Manual de Piscicultura Familiar em Viveiros Escavados, reunindo orientações técnicas sobre manejo, produção e organização da atividade no campo.

Viveiros escavados oferecem flexibilidade produtiva ao piscicultor

De acordo com a pesquisadora Ana Paula Rodrigues, da Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO), o principal diferencial dos viveiros escavados é a flexibilidade de intensificação do sistema produtivo.

Segundo ela, o modelo pode ser ajustado conforme a realidade do produtor, variando entre sistemas extensivo, semi-intensivo e intensivo.

Leia Também:  Passaporte em Campo Grande revela novos classificados para a Morfologia do Cavalo Crioulo

No sistema extensivo, há menor uso de ração e maior dependência de alimento natural. Já o intensivo utiliza maior densidade de estocagem e alimentação exclusivamente com ração comercial. O semi-intensivo combina características dos dois modelos e é o mais adotado na prática.

Manejo técnico e gestão elevam eficiência da produção de peixes

O Manual de Piscicultura Familiar em Viveiros Escavados reúne orientações fundamentais para a atividade, incluindo construção de viveiros, qualidade da água, sanidade, alimentação e comercialização.

O material também traz ferramentas de gestão econômica e incentiva a organização coletiva dos produtores como estratégia para fortalecimento da piscicultura familiar.

A adoção de práticas técnicas contribui para reduzir perdas produtivas, melhorar o desempenho dos sistemas e aumentar a eficiência em pequenas propriedades rurais.

Controle alimentar é decisivo para rentabilidade da piscicultura

O manejo da alimentação é considerado um dos pontos mais críticos da atividade. A pesquisadora Ana Paula Rodrigues destaca a importância do controle do estoque de peixes no viveiro para ajuste correto da ração.

Segundo ela, o produtor precisa conhecer com precisão a quantidade e o peso dos animais.

“É muito importante o produtor saber quantos peixes ele tem no viveiro”, afirma a pesquisadora.

O uso de biometrias mensais e tabelas de alimentação permite ajustar a oferta de ração conforme a fase de crescimento dos peixes, garantindo maior eficiência produtiva.

Custos elevados reforçam importância da gestão na piscicultura

De acordo com o supervisor do SENAR, Vicente Neto, a piscicultura deve ser tratada como uma atividade empresarial, com foco em gestão e planejamento.

Leia Também:  Mercado de Frango Brasileiro Pode Ter Reajustes com Oferta Adequada

Ele destaca cinco desafios principais: gestão da atividade, regularização fundiária, organização dos produtores, qualidade da água e manejo alimentar.

A ração pode representar até 90% do custo operacional, o que torna o controle alimentar um fator decisivo para a rentabilidade.

Organização coletiva amplia competitividade dos produtores

A formação de associações entre produtores é apontada como estratégia essencial para fortalecer a piscicultura familiar. A compra coletiva de insumos e a comercialização conjunta aumentam o poder de negociação e reduzem custos.

Segundo Vicente Neto, a falta de regularização fundiária limita o acesso ao crédito rural, enquanto a baixa organização reduz a competitividade no mercado.

O uso de ferramentas técnicas, como o manual da Embrapa, contribui para a profissionalização da atividade e melhora a tomada de decisão no campo.

Tecnologia e planejamento impulsionam piscicultura familiar no Brasil

O programa Prosa Rural reforça que o avanço da piscicultura depende da integração entre tecnologia, gestão e planejamento.

A combinação desses fatores aumenta a eficiência dos sistemas em viveiros escavados, reduz riscos produtivos e melhora a previsibilidade da atividade.

Com a modernização do manejo e o fortalecimento da organização produtiva, a piscicultura familiar se consolida como uma alternativa estratégica de geração de renda e desenvolvimento no meio rural brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA