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Petróleo impacta custos dos biocombustíveis nos EUA; confira análise da Hedgepoint

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Nos últimos anos, o uso crescente de combustíveis alternativos, como o etanol e o biodiesel, levou a mudanças significativas no cenário energético nos EUA. “O setor de biodiesel e diesel renovável em expansão gerou uma demanda crescente por matérias-primas. Para atender essa demanda, as importações de gorduras animais e óleos vegetais aumentaram, enquanto o esmagamento de soja nos EUA cresceu para capitalizar as oportunidades apresentadas por esse setor”, diz Victor Arduin, analista de Energia e Macroeconomia da Hedgepoint Global Markets.

Consequentemente, as flutuações nos preços do petróleo afetam diretamente os contratos futuros de commodities como o óleo de soja. Uma maneira de entender essa dinâmica é examinar a margem BO-HO (óleo de soja – óleo de calefação), que representa a viabilidade econômica da conversão do óleo de soja em biodiesel.

“Em um cenário incerto para as cotações do petróleo, o mercado energético pode impor uma pressão ainda maior de queda nos créditos D4, o que representa desafios adicionais para as refinarias de biocombustíveis dos EUA”, ressalta o analista.

Os preços do óleo de soja estão sob pressão de várias frentes

Embora os fundamentos do óleo vegetal estejam intimamente associados às tendências de produção e consumo, os preços do petróleo desempenham um papel crucial na formação desses mercados, principalmente devido ao seu impacto nos custos de produção. “À medida que o óleo de soja se torna uma matéria-prima de biodiesel mais proeminente, é provável que seu preço se torne mais sensível às flutuações do complexo energético”, aponta.

Ainda de acordo com Victor, nesse contexto, houve uma queda significativa nos preços das principais referências de petróleo. Enquanto o WTI sofreu uma correção de 21% no último ano, o óleo de soja caiu 30% no mesmo período. “Não apenas os preços da energia estão caindo, mas o aumento da oferta de óleo de soja – impulsionado por uma boa safra e condições climáticas favoráveis – também pressionou os preços para baixo”, ressalta.

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Apesar dos baixos estoques globais de petróleo bruto, incluindo os dos EUA – que estão nos seus níveis mais baixos em aproximadamente cinco anos, em torno de 417 milhões de barris – a melhora nos estoques de combustível contribuiu para um sentimento de baixa no mercado.

Atualmente, as posições líquidas não comerciais do Brent e do WTI estão em seus níveis mais baixos dos últimos dois anos, com as posições vendidas excedendo as posições compradas.

É provável que o spread BO-HO diminua nos próximos meses

Os preços mais baixos do petróleo levaram à redução dos preços dos produtos refinados, como os destilados médios e a gasolina. O óleo para aquecimento, uma referência para o diesel, caiu mais de 30% em relação a 2023.

“A recente flexibilização da política monetária dos EUA, que surpreendeu parte do mercado com um corte de 50 pontos-base, pode gradualmente dar suporte ao setor manufatureiro, que depende do combustível para atender às demandas logísticas”, observa.

Considerando a ausência de fatores que impulsionem os preços do óleo de soja e o apoio aos preços do óleo para calefação, o spread BO-HO pode diminuir nos próximos meses.

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“À medida que as refinarias dos EUA entram na temporada de manutenção e a demanda por aquecimento aumenta, os preços dos destilados médios provavelmente encontrarão espaço para apreciação, ainda que limitada, no curto prazo, contribuindo para a redução do spread”, acredita o analista.

A queda nos custos do óleo vegetal e o estreitamento da margem BO-HO provavelmente manterão os créditos de biodiesel (D4) abaixo de US$ 0,60 por galão, o que poderá desacelerar os projetos de expansão das refinarias de diesel renovável devido às margens menores para os biocombustíveis.

“Como se não bastassem as dificuldades do mercado, a possibilidade de uma mudança de governo nos EUA no próximo ano pode impor desafios ainda maiores para os biocombustíveis nos próximos anos”, conclui.

Em resumo, com o WTI prestes a fechar em uma de suas médias mensais mais baixas nos últimos dois anos, aproximando-se de US$ 70 por barril, o mercado de combustíveis (incluindo os biocombustíveis) está sentindo o impacto.

A recente flexibilização da política monetária dos EUA pode dar algum apoio ao setor manufatureiro, que depende de combustível para a logística. No entanto, é provável que o spread BO-HO diminua devido aos preços mais baixos do óleo de soja e ao apoio aos preços do óleo para aquecimento nos próximos meses.

Espera-se que a queda nos custos do óleo vegetal e o estreitamento do spread mantenham os créditos de biodiesel (D4) baixos, o que pode desacelerar a expansão das refinarias de diesel renovável nos EUA.

Fonte: Hedgepoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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