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Petróleo deve permanecer em déficit global no 3º trimestre, aponta StoneX; oferta segue pressionada mesmo após cessar-fogo

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O mercado internacional de petróleo deve continuar operando em déficit ao longo do terceiro trimestre, mesmo após o cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã. A avaliação é da StoneX, que aponta que a lenta recuperação da produção no Golfo Pérsico, os baixos níveis dos estoques estratégicos e a retomada gradual da demanda asiática continuam sustentando um cenário de oferta restrita e elevada sensibilidade geopolítica.

As projeções fazem parte da 36ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da consultoria, divulgado em 7 de julho, que analisa os principais fatores capazes de influenciar o mercado global de energia durante o segundo semestre.

Mercado de petróleo ainda enfrenta restrições de oferta

Mesmo com o alívio observado nas cotações após o acordo de cessar-fogo, os fundamentos do mercado continuam apontando para um ambiente de escassez física.

Durante o auge da crise no Oriente Médio, o bloqueio do Estreito de Ormuz interrompeu parte significativa do fluxo mundial de petróleo, impulsionando o contrato do Brent para níveis superiores a US$ 118 por barril, maior cotação registrada em quatro anos.

Após o acordo diplomático, os preços recuaram para a faixa de US$ 92 por barril, mas a normalização da oferta ainda está distante.

Segundo a StoneX, os gargalos logísticos continuam limitando a recuperação das exportações da região, mantendo o equilíbrio global entre oferta e demanda bastante apertado.

Produção da OPEP caiu e oferta alternativa não compensou perdas

Dados analisados pela consultoria mostram que a produção conjunta da OPEP recuou aproximadamente 10 milhões de barris por dia entre fevereiro e maio, reflexo direto das dificuldades operacionais enfrentadas pelos produtores do Golfo Pérsico.

O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do planeta, permaneceu muito abaixo da normalidade após o conflito, comprometendo o abastecimento internacional.

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Embora países como Brasil, Canadá, Guiana, China e Cazaquistão tenham ampliado sua produção e participação no mercado, os volumes adicionais ainda não foram suficientes para compensar integralmente as perdas registradas na região.

Segundo Bruno Cordeiro Santos, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, o mercado conseguiu encontrar fontes alternativas de abastecimento, mas elas não substituíram totalmente a produção perdida.

Como consequência, houve redução significativa dos estoques mundiais e manutenção do déficit físico de petróleo.

Estados Unidos ampliaram exportações, mas margem de resposta diminui

Durante a crise, os Estados Unidos assumiram papel estratégico para reduzir os impactos da interrupção da oferta global.

As exportações norte-americanas de petróleo e derivados alcançaram cerca de 12,8 milhões de barris por dia entre abril e junho, movimento sustentado pela utilização dos estoques estratégicos do país.

Entretanto, esses estoques atingiram o menor nível desde 1983, reduzindo a capacidade de resposta norte-americana diante de novos episódios de interrupção da oferta.

Além disso, a temporada de furacões no Golfo do México representa um fator adicional de risco para a produção offshore dos Estados Unidos.

Demanda asiática deve voltar a crescer no segundo semestre

Pelo lado da demanda, a StoneX projeta recuperação gradual ao longo do segundo semestre.

Durante a crise, a China registrou o menor volume de importação de petróleo dos últimos oito anos, enquanto a utilização das refinarias caiu significativamente.

Na Índia, o país aumentou sua dependência do petróleo russo para garantir o abastecimento interno.

Agora, a expectativa é que a retomada das atividades das refinarias chinesas, associada ao elevado consumo norte-americano e ao avanço da demanda em outros países asiáticos, volte a pressionar o mercado internacional.

A consultoria também destaca que recentes flexibilizações envolvendo as sanções ao petróleo iraniano podem contribuir para o aumento gradual do consumo regional.

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Recuperação da produção será lenta

Segundo as estimativas apresentadas pela StoneX, a recomposição da produção no Golfo Pérsico ocorrerá de forma gradual.

As projeções indicam que a produção conjunta da OPEP e dos Emirados Árabes Unidos deve retornar aos níveis próximos de 29 milhões de barris por dia apenas no quarto trimestre, enquanto a recuperação integral da capacidade produtiva anterior ao conflito poderá ocorrer somente ao longo de 2027.

Além dos desafios operacionais, permanecem limitações logísticas e cautela das empresas de transporte marítimo, fatores que retardam a normalização completa dos fluxos comerciais.

Guerra no Leste Europeu amplia riscos ao mercado

Outro fator que continua gerando preocupação é a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Ataques contra refinarias, oleodutos e portos seguem representando riscos para o abastecimento energético global, enquanto restrições comerciais sobre combustíveis aumentam a volatilidade do mercado internacional.

A combinação entre conflitos geopolíticos simultâneos mantém elevada a incerteza sobre a oferta mundial de petróleo.

Perspectiva é de déficit até o fim do terceiro trimestre

Na avaliação da StoneX, o mercado internacional deverá permanecer deficitário pelo menos até o final do terceiro trimestre.

A consultoria considera que somente entre o fim de 2026 e o início de 2027 poderá ocorrer um retorno ao superávit global, desde que a normalização das exportações pelo Estreito de Ormuz aconteça conforme o cenário esperado.

Caso a recuperação dos fluxos comerciais seja mais lenta, o déficit poderá se prolongar por mais tempo, sustentando pressão sobre os preços internacionais do petróleo e aumentando a volatilidade nos mercados de energia durante o segundo semestre.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças

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Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.

As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.

O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.

Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.

A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.

Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.

Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.

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O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.

O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.

Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.

A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.

Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.

A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.

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A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.

Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.

A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.

Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.

A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.

O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.

Fonte: Pensar Agro

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