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Perspectivas para a Soja em 2023/24: Aumento na área plantada e desafios no cenário internacional

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Após atingirem patamares recordes entre 2020 e 2022, tanto os preços quanto as margens para a soja experimentaram uma significativa redução em 2023. Este cenário de preços em queda, aliado a margens menores, permanecerá em 2024. Essa conjuntura influenciará diretamente no aumento da área plantada, que será mais modesto em comparação com os últimos três anos.

O ano de 2023 foi marcado por uma retração nos preços da soja, resultado da diminuição das cotações de CBOT, da queda acentuada nos prêmios nos portos brasileiros e da valorização do real. Esses fatores levaram a uma queda acumulada de 27% nos preços da oleaginosa ao longo do ano. Os prêmios, fortemente impactados pela oferta recorde no Brasil e por problemas de infraestrutura, atingiram níveis negativos, algo não observado desde 2014.

Em meio a essa conjuntura, a soja brasileira se tornou mais competitiva internacionalmente, alcançando uma safra impressionante de 156 milhões de toneladas em 2023. Em contraste, a Argentina enfrentou desafios climáticos, resultando na menor safra dos últimos 25 anos, com 20 milhões de toneladas. Essa disparidade contribuiu para recordes de esmagamento e exportação no Brasil, atingindo 54 milhões de toneladas e 99 milhões de toneladas, respectivamente, representando um aumento de 24 milhões de toneladas em relação ao ano anterior.

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A queda nos preços impactou as margens para a safra 2023/24, indicando uma redução similar ao cenário observado em 2023. O Rabobank estima um aumento de 2,5% na área plantada de soja em relação à safra anterior, totalizando 45,3 milhões de hectares e prevendo uma safra de 163 milhões de toneladas.

Globalmente, a safra de soja em 2023/24 é esperada atingir 400 milhões de toneladas, um aumento de 30 milhões de toneladas em comparação ao ano anterior. A recomposição dos estoques globais reflete o crescimento restrito da demanda.

No contexto brasileiro, o Rabobank projeta uma recomposição dos estoques locais ao final da safra 2023/24, chegando a cerca de 8 milhões de toneladas em dezembro de 2024, um aumento de 5 milhões de toneladas em relação a 2023.

Pontos de atenção incluem dados da Conab, indicando que o plantio da safra de soja atingiu 48% até o final de outubro, 10% abaixo do mesmo período do ano anterior, devido a excesso e falta de chuvas que afetaram diferentes regiões. Além disso, as exportações de soja brasileira para a Argentina atingiram um recorde histórico de 3,8 milhões de toneladas no acumulado de 2023.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Milho pode perder o equivalente a 87 quilos de ureia por hectare

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Um estudo realizado durante duas safras de milho na Argentina mostrou que o uso de um inibidor de urease pode reduzir pela metade, ou até mais, a quantidade de nitrogênio perdida para a atmosfera depois da adubação. Nos ensaios, a ureia convencional perdeu até 20% do nutriente aplicado, enquanto a tratada com o inibidor limitou as perdas a, no máximo, 7%.

O trabalho foi conduzido em campo pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), na região argentina de Paraná, nas temporadas 2024/25 e 2025/26. O objetivo era comparar o comportamento da ureia comum com o de uma formulação tratada para retardar a volatilização de amônia.

A volatilização ocorre quando parte do nitrogênio presente na ureia se transforma em amônia e escapa para a atmosfera. Isso significa que uma parcela do fertilizante comprado, transportado e distribuído na lavoura deixa de estar disponível para as raízes do milho.

A urease é uma enzima naturalmente presente no solo e responsável por acelerar a transformação da ureia. O inibidor desacelera esse processo durante alguns dias, ampliando a possibilidade de o fertilizante ser incorporado ao solo pela chuva e reduzindo sua exposição na superfície.

Para fazer a comparação, os pesquisadores aplicaram doses de 100 e 200 quilos de nitrogênio por hectare, além de manter uma área sem adubação. As aplicações foram realizadas após chuvas de 24 a 39 milímetros, quando o solo ainda estava úmido e apresentava condições favoráveis à volatilização. As perdas foram acompanhadas nos dias seguintes.

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A maior liberação de amônia pela ureia convencional ocorreu entre o segundo e o terceiro dia depois da aplicação. Na safra 2024/25, entre 14% e 15% do nitrogênio aplicado com essa fonte foi perdido. Com o inibidor, o índice caiu para uma faixa de 6% a 7%.

Na temporada 2025/26, a diferença aumentou. A ureia convencional perdeu entre 13% e 20% do nitrogênio, enquanto a formulação tratada ficou entre 5% e 6%. Os resultados mostram que o inibidor não elimina a volatilização, mas reduz de maneira significativa o volume desperdiçado em situações de maior risco.

Na prática, o prejuízo pode ser expressivo. Em uma adubação de 200 quilos de nitrogênio por hectare, uma perda de 20% representa 40 quilos do nutriente. Como a ureia contém aproximadamente 46% de nitrogênio, isso equivale a cerca de 87 quilos do fertilizante por hectare.

Com o inibidor, a perda observada na mesma dose corresponderia a aproximadamente 22 a 30 quilos de ureia por hectare. Na maior diferença registrada pelo estudo, o tratamento preservou o equivalente a cerca de 65 quilos de ureia em cada hectare.

Se a tonelada do fertilizante custar R$ 3 mil, apenas para ilustrar o tamanho econômico do problema, a perda máxima identificada no estudo corresponderia a R$ 261 por hectare. Em uma lavoura de mil hectares, o desperdício chegaria a R$ 261 mil. O uso do inibidor poderia preservar até R$ 196 mil desse valor, antes de descontar o custo adicional do tratamento.

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O estudo, entretanto, não encontrou diferença estatística de produtividade entre a ureia convencional e a tratada. Os rendimentos variaram de 5.277 a 11.915 quilos de milho por hectare e responderam principalmente à quantidade de nitrogênio aplicada.

Isso significa que conservar mais nitrogênio no solo não garante, isoladamente, uma colheita maior. A resposta do milho também depende da disponibilidade de água, da fertilidade, do potencial da lavoura e do equilíbrio com os demais nutrientes. O benefício imediato demonstrado pela pesquisa foi a redução do desperdício, e não um aumento comprovado da produtividade.

Os resultados também não significam que o inibidor será economicamente vantajoso em todas as aplicações. A decisão depende da diferença de preço entre as duas fontes, do risco de volatilização, das condições do solo e da possibilidade de chuva suficiente para incorporar a ureia depois da adubação.

Embora tenha sido realizado na Argentina, o estudo ajuda a dimensionar um problema enfrentado pelos produtores brasileiros. Ele mostra que, sob condições favoráveis à volatilização, o prejuízo não está apenas na eventual perda de rendimento da lavoura, mas no fertilizante pago pelo produtor que desaparece antes de cumprir sua função.

Fonte: Pensar Agro

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