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Perspectivas do Agronegócio Brasileiro para 2025: Protecionismo, Moratória da Soja e Novos Desafios

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O advogado Frederico Favacho apresenta, mais uma vez, suas previsões sobre os tópicos que marcarão o agronegócio brasileiro em 2025, abordando desde questões em andamento até novas dinâmicas internacionais e políticas internas que podem afetar o setor.

Moratória da Soja: Expectativas para 2025

A Moratória da Soja, tema que gerou intenso debate ao longo de 2024, continuará sendo central em 2025. O pacto, firmado em 2006 entre empresas e organizações não governamentais, com a adesão posterior do governo federal, enfrenta desafios significativos, como iniciativas legislativas em diversos estados para enfraquecer sua implementação. Em 2024, os estados de Rondônia e Mato Grosso aprovaram leis que retiram incentivos fiscais das empresas signatárias do acordo, além de ações judiciais e investigações do CADE sobre possíveis práticas anticompetitivas. No próximo ano, é esperado um aprofundamento na judicialização dessas leis e uma análise mais detalhada dos dados econômicos relacionados a essas ações.

Protecionismo e a Ameaça de Novas Tarifas: O Caso Trump II

A possibilidade de reeleição de Donald Trump à presidência dos EUA levanta dúvidas sobre o futuro das relações comerciais internacionais. Apesar dos ganhos significativos durante o primeiro mandato de Trump, especialmente no comércio com a China, as apostas sobre o impacto de um eventual segundo mandato são incertas, especialmente para o agronegócio brasileiro. A imposição de tarifas protecionistas por parte dos EUA pode afetar cadeias como açúcar, suco de laranja, carne bovina, etanol e café, gerando reações protecionistas de outros países e criando um cenário de incertezas para o mercado global.

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Acordo EU-Mercosul: Desafios e Resistências Internas

Em 2025, o aguardado acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul enfrentará novas etapas antes de sua implementação, incluindo revisões legais, traduções e processos internos de ratificação nos dois blocos. No entanto, a resistência de produtores de países como França, Itália e Polônia, além da pressão contra o Green Deal europeu, podem dificultar a assinatura do tratado. A forma como os setores econômicos internos da União Europeia reagirão a essas pressões será crucial para o futuro desse acordo.

Mercado de Carbono: Expectativas de Regulação e Crescimento

Com a recente sanção da Lei nº 15.042, que estabelece as bases para o mercado regulado de carbono no Brasil, o ano de 2025 será fundamental para a regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa. A criação de um órgão gestor e a definição dos setores regulados trarão detalhes operacionais essenciais para o sucesso desse mercado, que promete atrair investimentos internacionais e gerar novas oportunidades de renda para o Brasil.

COP 30: Oportunidades e Desafios para o Agronegócio Brasileiro

A realização da COP 30 no Brasil será uma vitrine para o agronegócio brasileiro, permitindo que o setor apresente seus avanços em sustentabilidade. Contudo, a conferência também poderá expor contradições internas e desafios não resolvidos. A forma como o setor agropecuário se posicionará nesse evento será decisiva para moldar sua imagem no cenário internacional, especialmente em relação às questões ambientais e climáticas.

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Conselhão: Nova Interlocução entre o Agronegócio e o Governo Federal

Em 2025, o agronegócio brasileiro terá a oportunidade de reforçar sua representatividade no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da Presidência da República (Conselhão), um órgão de assessoramento ao Presidente da República. A criação de um Grupo de Trabalho para tratar de questões específicas do setor, como o Certificado Ambiental Rural e o Seguro Rural, pode resultar em uma nova dinâmica de colaboração entre o setor e o governo, criando oportunidades para discutir temas cruciais para o crescimento sustentável da produção agropecuária brasileira.

Conclusão: Um Ano de Desafios e Oportunidades

Com os desafios já estabelecidos e novos temas emergentes, o agronegócio brasileiro enfrentará, em 2025, um ano repleto de oportunidades e obstáculos. A forma como o setor lidará com esses temas será determinante para o seu crescimento e sustentabilidade a longo prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo

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Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.

O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.

A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.

A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.

A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.

Isan Rezende

INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.

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Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.

Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.

O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.

No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.

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Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.

Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.

Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.

Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.

Fonte: Pensar Agro

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