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Patrimônio do produtor rural sofrerá impactos com aprovação da reforma tributária

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Desde a aprovação do texto base da reforma tributária em 2º turno pelo plenário do Senado Federal, os consideráveis impactos das mudanças propostas por ela representam riscos cada vez mais próximos.

Caso a PEC seja aprovada na Câmara dos Deputados, uma das alterações mais críticas para o produtor rural envolve o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), cobrado no processo de herança e doação de bens, conforme explica o advogado especialista em tributação no agronegócio, Leonardo Amaral. “O principal patrimônio do produtor rural é a fazenda. E o maior risco para ele neste momento é o aumento de carga no imposto de herança e doações, além de uma maior burocracia fiscal”, diz.

Leonardo explica que é preciso compreender quais os pontos específicos relacionados ao ITCMD que a reforma tributária modificará. De acordo com ele, o primeiro ponto diz respeito à cobrança de bens móveis, títulos e créditos. “Atualmente, o ITCMD sobre esses bens é cobrado no local em que é processado o inventário ou arrolamento, o que permite a escolha de estados com menores alíquotas tributárias. Por exemplo, enquanto em Goiás a alíquota é progressiva e pode alcançar patamares de até 8%, em São Paulo a alíquota é fixa de 4%. Se aprovada, a reforma prevê que o imposto sobre esses bens deverá ser cobrado no local do último domicílio do falecido”, diz.

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O segundo ponto importante a ser entendido é que haverá a alteração da progressividade das alíquotas do ITCMD. “Hoje, alguns estados cobram o imposto em valor fixo de alíquota, mas com a aprovação da reforma, a progressividade deverá ser obrigatoriamente adotada por todos os estados, com 8%. Ou seja, os patrimônios mais valiosos serão mais tributados. E ainda há um risco maior desse aumento chegar até a casa dos 16% com um projeto de resolução que já está tramitando no Senado e pode ser aprovado com mais facilidade”, revela o tributarista.

Situando os efeitos da remodelação que pode ser aprovada com a reforma para o produtor rural, Leonardo exemplifica o que muda nesse ponto. “Quando falamos em um bem imóvel, uma propriedade rural, nesse caso, obrigatoriamente, o seu inventário deve ser feito no estado em que se localiza. Mas se tratando de uma fazenda localizada em uma empresa, uma holding rural, por exemplo, em que ocorre a transmissão de quotas, já é possível a realização dos trâmites em um estado com alíquota menor”, explica.

O terceiro ponto de mudança é a previsão de imunidade do imposto para transmissões e doações para entidades sem fins lucrativos, como organizações beneficentes e instituições religiosas.

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O cenário de incertezas quanto ao futuro do ITCMD tem promovido uma movimentação da sociedade, conforme menciona o especialista. Segundo dados do Colégio Notarial do Brasil, a busca por doações em vida teve um crescimento de 22% nos últimos meses. “Trata-se de um claro sinal de preocupação das pessoas diante da possibilidade de aprovação dessas mudanças, que dificultarão a vida do contribuinte com mais encargos e uma maior burocracia fiscal”, analisa Leonardo.

O advogado alerta, portanto, para um senso de urgência no início do processo de planejamento sucessório. “A sucessão é sempre um passo que deve ser analisado e executado com cuidado. Então, o conselho que eu dou é iniciar o processo, até mesmo para aprimorar a gestão do negócio familiar. Com uma nova geração sendo integrada, é importante inserir a todos adequadamente no funcionamento da atividade rural para realizar essa profissionalização ainda aproveitando uma carga tributária menor”, esclarece.

Leonardo Amaral – Advogado tributarista, com atuação no agronegócio desde 2005; Mestre em Direito Tributário e professor no Curso de Especialização de Direito Tributário do IBET-GO; Sócio-fundador do escritório Amaral e Melo Advogados.

Fonte: Agência Lab6 Marketing

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.

A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.

O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.

A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.

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Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.

“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.

“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.

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Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.

Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.

Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.

Fonte: Pensar Agro

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