AGRONEGÓCIO
Parceria Brasil-China investiga impactos climáticos na Caatinga
Publicado em
29 de agosto de 2024por
Da Redação
Pesquisadores do Brasil e da China estão avançando em uma colaboração internacional para examinar os efeitos das mudanças climáticas em ecossistemas tropicais, com ênfase na Caatinga. O projeto, liderado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Rio Claro e pela Beijing Normal University, conta com a participação da Embrapa Semiárido (Petrolina-PE) e visa analisar a influência da variabilidade climática e eventos extremos, como o El Niño, na fenologia vegetal e suas implicações para a biodiversidade.
A UNESP Rio Claro coordena as atividades no Brasil, enquanto a Beijing Normal University supervisiona a pesquisa na China. O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
A atuação da Embrapa Semiárido se concentra em dois aspectos principais: o impacto de eventos climáticos extremos, como secas severas, na vegetação da Caatinga e o estudo das escalas espaciais e temporais para o monitoramento da vegetação. Magna Moura, pesquisadora da Embrapa, explica: “Estamos avaliando as interações do clima com a vegetação utilizando diversas tecnologias.”
No Campo Experimental da Caatinga, em Petrolina, uma torre de referência monitora fluxos de carbono, água, radiação, precipitação e umidade do solo, entre outros parâmetros ambientais. Essa torre conta com uma câmera fenológica que registra diariamente as respostas das plantas às variações climáticas. “O monitoramento é complementado com imagens de drone, que cobrem cerca de cinco hectares, e imagens de satélites como Landsat e MODIS, que oferecem uma visão mais ampla com resoluções entre 30 e 500 metros”, destaca Moura. O projeto combina esses dados com informações de outras regiões do Brasil e da China, permitindo uma análise abrangente dos impactos climáticos.
Pesquisa sobre biomas brasileiros
A coordenadora do projeto no Brasil, Patrícia Morellato, da UNESP, destaca que o estudo não se limita à Caatinga, mas também inclui a análise dos efeitos dos eventos climáticos na dinâmica foliar e na resposta da vegetação do Cerrado. “Estamos observando um aumento de secas extremas e chuvas intensas em várias regiões. Este projeto oferece uma oportunidade única para avaliar a adaptação e a resiliência da vegetação brasileira e entender como as espécies desses dois biomas estão reagindo a eventos extremos”, afirma Morellato.
Utilizando torres de fluxo e câmeras especializadas para monitorar a vegetação de forma sequencial, o projeto analisa o ritmo de produção e perda de folhas, correlacionando esses dados com gatilhos ambientais e eventos climáticos. As torres de fluxo instaladas na Caatinga e no Cerrado permitem a comparação das respostas das plantas a fenômenos como o El Niño, que afetou significativamente o clima entre 2022 e 2023. “Queremos descobrir se a vegetação se tornou mais ou menos produtiva após esses eventos extremos e como isso afeta a fotossíntese e a captação de carbono”, ressalta Moura. A análise inclui a validação de padrões de vegetação detectados por satélite para verificar como o comportamento foliar é refletido nas imagens de sensoriamento remoto.
Impactos nos serviços ecossistêmicos
Além de monitorar a dinâmica foliar, o projeto busca estimar como as mudanças fenológicas podem impactar serviços ecossistêmicos cruciais, como a produção de frutos. “O umbuzeiro, por exemplo, tem grande importância para as populações tradicionais do Semiárido, que dependem de seus frutos. Se a sincronia da produção de frutos for afetada, isso pode gerar sérias consequências para essas comunidades”, explica Morellato.
Outro aspecto inovador do projeto é o monitoramento fenológico global de uma espécie piloto, o Jacarandá (Jacaranda mimosifolia Don.), devido à sua distribuição em 55 países. “Se o projeto piloto for bem-sucedido, podemos replicá-lo para outras espécies e regiões, ampliando a coleta de dados e envolvendo mais pessoas”, conta a pesquisadora. Morellato enfatiza a importância da parceria internacional para aprimorar estratégias de adaptação e restauração de espécies frente às mudanças climáticas. “Este projeto fortalece as relações científicas entre Brasil e China e contribui para a compreensão dos efeitos globais das mudanças climáticas, oferecendo dados valiosos para a conservação e manejo sustentável dos ecossistemas.”
Comitiva chinesa visita Embrapa Semiárido
Como parte das atividades do projeto, a Embrapa Semiárido recebeu uma comitiva de pesquisadores chineses nos dias 21 e 22 de agosto para um intercâmbio científico. A delegação, composta por representantes de universidades chinesas (Beijing Normal University, East China Normal University e Zhejiang University) e pesquisadores da UNESP e da USP, iniciou a visita ao Campo Experimental da Caatinga, onde está localizada a torre de fluxos – Caatinga-FLUX Tower.
O primeiro dia incluiu uma recepção pela Chefe-geral da Embrapa Semiárido, Maria Auxiliadora Coêlho de Lima, seguidas de apresentações institucionais e palestras sobre fenologia vegetal e impacto da variabilidade climática, com a participação de especialistas da UNESP, USP e Embrapa. No segundo dia, o grupo continuou o intercâmbio na Trilha Ecológica da Caatinga, onde foram apresentados às principais espécies da região e visitaram plots permanentes para avaliação da fenologia e biomassa, finalizando com uma visita às câmaras para estudos climáticos controlados na Embrapa Semiárido.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Um terço dos produtores rurais brasileiros já utiliza IA; veja como aplicar na sua propriedade
Published
20 horas agoon
21 de setembro de 2026By
Da Redação
A inteligência artificial já está presente em 32% das empresas, cooperativas e propriedades rurais consultadas em levantamento com profissionais do agronegócio. A tecnologia começa a sair dos escritórios e chegar às decisões de plantio, irrigação, aplicação de insumos, controle de pragas, manutenção de máquinas, pecuária e comercialização.
O percentual não permite concluir que o Brasil esteja atrasado. A pesquisa ouviu 197 profissionais e não possui abrangência suficiente para representar todo o setor. Além disso, ainda não existe uma estatística internacional padronizada que permita comparar diretamente o uso de inteligência artificial nas propriedades de diferentes países.
O conceito também varia entre os levantamentos. Algumas pesquisas consideram apenas sistemas que aprendem com dados e produzem previsões. Outras incluem agricultura de precisão, sensores, drones, imagens de satélite, pilotos automáticos e plataformas digitais, mesmo quando essas ferramentas não utilizam inteligência artificial em todas as suas funções.
Uma pesquisa internacional realizada com cerca de 4,4 mil produtores de nove países ajuda a dimensionar a digitalização do campo. Nos Estados Unidos, 61% dos entrevistados utilizavam soluções de agronomia digital, 51% adotavam equipamentos de agricultura de precisão e 38% empregavam sensoriamento remoto. Na América Latina, 49% usavam ferramentas digitais para acompanhar a produtividade.
O mesmo levantamento apontou que 75% dos produtores latino-americanos consultados utilizavam controladores de seção em pulverizadores, ante 78% na América do Norte e 49% na União Europeia. Esses equipamentos evitam sobreposição durante a aplicação, mas não devem ser classificados automaticamente como inteligência artificial.
Diante dessas diferenças, os 32% registrados no levantamento brasileiro indicam uma adoção relevante, embora ainda concentrada. Outros 56% dos participantes afirmaram não utilizar IA e 12% não souberam responder. Parte desses últimos pode empregar sistemas com inteligência artificial embarcada sem identificar a tecnologia pelo nome.
Na prática, a IA funciona a partir da coleta e da comparação de informações. Sensores, máquinas, estações meteorológicas, câmeras, drones, satélites e sistemas de gestão geram dados sobre solo, clima, plantas, animais, equipamentos, custos e produtividade. Os programas procuram padrões nesse conjunto e transformam as informações em alertas, previsões ou recomendações.
Uma câmera instalada numa máquina, por exemplo, pode registrar milhares de imagens enquanto percorre a lavoura. O sistema compara as plantas fotografadas com exemplos usados em seu treinamento, diferencia a cultura das invasoras e indica onde o herbicida deve ser aplicado. Em equipamentos compatíveis, o acionamento pode ocorrer automaticamente e apenas no ponto necessário.
Na irrigação, imagens térmicas e sensores permitem acompanhar a temperatura das folhas, a umidade do solo e as condições atmosféricas. Plantas submetidas à falta de água apresentam mudanças que podem ser reconhecidas pelo sistema antes que o estresse seja facilmente percebido a olho nu. A informação ajuda a definir quais áreas precisam ser irrigadas e em que quantidade.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) participa do desenvolvimento de uma tecnologia que analisa a temperatura das folhas para identificar a necessidade de água. A aplicação busca evitar tanto a deficiência hídrica quanto o desperdício provocado pela irrigação uniforme de talhões com condições diferentes.
No manejo de pragas, câmeras e armadilhas eletrônicas podem reconhecer insetos, contar ocorrências e transmitir alertas. Um sistema desenvolvido para o bicudo-do-algodoeiro identifica os exemplares capturados e envia os dados para um aplicativo. Dessa forma, o acompanhamento deixa de depender apenas da visita manual a cada armadilha.
A análise de imagens de satélite ou drones também permite localizar falhas de plantio, manchas com desenvolvimento irregular, erosão, deficiência nutricional e possíveis focos de doenças. O produtor recebe um mapa das áreas que precisam ser vistoriadas, reduzindo o tempo gasto para encontrar problemas em grandes extensões.
Na aplicação de sementes e fertilizantes, a inteligência artificial pode cruzar mapas de solo, relevo, produtividade e histórico de manejo. A partir desses dados, divide a propriedade em zonas e ajuda a calcular taxas diferentes dentro do mesmo talhão. O objetivo é evitar desperdício nas áreas de menor resposta e aproveitar melhor o potencial das mais produtivas.
Durante a safra, modelos computacionais podem combinar área cultivada, desenvolvimento das plantas, clima e histórico de produtividade para estimar o volume que deverá ser colhido. A previsão melhora o planejamento de máquinas, trabalhadores, fretes, armazéns e contratos de venda.
A tecnologia também pode acompanhar tratores, colheitadeiras e pulverizadores. Informações sobre consumo de combustível, temperatura, pressão, vibração e desempenho dos componentes ajudam a identificar alterações que costumam anteceder uma falha. A manutenção pode ser programada antes que a máquina pare durante uma janela curta de operação.
Na pecuária, câmeras e sensores acompanham peso, deslocamento, alimentação e comportamento dos animais. Mudanças de padrão podem sinalizar problemas sanitários, reprodutivos ou nutricionais. Sistemas de visão computacional também são testados para estimar o desenvolvimento dos bovinos e auxiliar na definição do momento de abate.
A IA pode ser utilizada mesmo sem máquinas sofisticadas. Plataformas de gestão conseguem organizar notas fiscais, custos, estoques, aplicações, contratos e resultados por talhão. Ao reunir essas informações, o sistema pode apontar quais áreas apresentam maior custo, onde a produtividade está abaixo do histórico e quais despesas aumentaram entre uma safra e outra.
Ferramentas de inteligência artificial generativa também podem ajudar a resumir contratos, comparar orçamentos, elaborar relatórios e organizar informações administrativas. Elas não devem, contudo, ser utilizadas isoladamente para definir dosagens, diagnosticar doenças ou recomendar defensivos. Esses sistemas podem produzir respostas erradas com aparência convincente.
A confiabilidade depende da qualidade dos dados. Sensores descalibrados, mapas incompletos e registros financeiros incorretos levam a análises igualmente ruins. A recomendação precisa ser conferida no campo e validada pelo produtor ou por profissional habilitado antes de se transformar em uma decisão agronômica.
O custo permanece entre as principais barreiras, mas adotar IA não exige necessariamente comprar drones, servidores ou robôs. Cooperativas, consultorias e empresas de assistência técnica podem fornecer imagens, mapas e análises como serviço. Em outros casos, a inteligência já está incorporada a máquinas, aplicativos e plataformas utilizados na propriedade.
O melhor ponto de partida é escolher um problema mensurável. O produtor pode testar a tecnologia para reduzir consumo de água, localizar plantas daninhas, prever manutenção, controlar combustível ou organizar custos. A comparação entre uma área assistida e o manejo anterior permite verificar se a economia ou o ganho de produtividade paga o investimento.
A inteligência artificial não substitui a experiência do produtor nem a responsabilidade técnica. Sua vantagem é processar rapidamente milhares de informações e apontar situações que merecem atenção. Quando resolve um problema concreto e entrega retorno comprovável, deixa de ser uma promessa distante e passa a funcionar como mais uma ferramenta de gestão da propriedade.
SERVIÇO
O produtor não precisa comprar um drone, trocar o maquinário nem contratar um sistema caro para começar. O primeiro passo é escolher um problema específico da propriedade, como consumo elevado de combustível, desperdício de água, falhas na aplicação, dificuldade para localizar pragas ou falta de controle dos custos.
Verifique o que já está disponível
Tratores, colheitadeiras, pulverizadores, ordenhadeiras e sistemas de irrigação mais recentes podem gerar dados e oferecer recursos de automação ou inteligência artificial que não estão sendo utilizados. O produtor deve consultar o fabricante, a concessionária ou a assistência técnica para saber quais funções estão incluídas no equipamento.
Organize os dados da propriedade
A inteligência artificial depende de informações confiáveis. Mapas de produtividade, análises de solo, registros de aplicação, consumo de combustível, chuvas, custos, manutenção, mortalidade e desempenho dos animais podem alimentar os sistemas. Quanto melhor o histórico, mais úteis tendem a ser as análises.
Procure assistência técnica
Cooperativas, sindicatos rurais, empresas estaduais de extensão, unidades do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), consultores e profissionais das ciências agrárias podem ajudar a identificar aplicações adequadas. Muitas soluções são oferecidas como serviço, sem a necessidade de o produtor comprar sensores, drones ou programas.
Comece por uma área pequena
A recomendação é testar a ferramenta em um talhão, pivô, lote de animais ou conjunto de máquinas. O resultado deve ser comparado com o manejo anterior, considerando economia de insumos, ganho de produtividade, redução de perdas, horas de trabalho e custo da tecnologia.
Calcule o retorno
Antes de contratar, o produtor deve somar mensalidades, instalação, equipamentos, treinamento, manutenção e conectividade. A economia ou receita adicional precisa superar esses gastos em prazo compatível com a propriedade. Promessas de resultado sem demonstração em condições semelhantes merecem cautela.
Confira o contrato e a proteção dos dados
É importante saber quem poderá acessar as informações da propriedade, onde elas serão armazenadas e se poderão ser compartilhadas com terceiros. O contrato também deve informar como o produtor recupera seus dados caso decida trocar de fornecedor.
Valide as recomendações
Alertas produzidos por inteligência artificial devem ser conferidos no campo. Diagnósticos de doenças, doses de produtos, aplicações de defensivos e decisões sanitárias precisam respeitar a legislação, as bulas e a orientação de profissionais habilitados.
Onde aprender
O Senar Play oferece gratuitamente a trilha “Inteligência Artificial aplicada ao agro”, além do curso “Inteligência Artificial no Campo”, com 20 horas, aulas on-line e início imediato. A plataforma também mantém cursos de agropecuária digital, agricultura de precisão, sensores e mapeamento.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) disponibiliza capacitações pela plataforma E-Campo e conteúdos de assistência técnica no Ater+ Digital. Cooperativas, sindicatos e administrações regionais do Senar também podem informar sobre treinamentos presenciais e assistência disponível em cada Estado.
Ferramentas de IA generativa podem ser usadas para organizar planilhas, comparar orçamentos, resumir documentos e preparar relatórios. Informações financeiras, contratos, documentos pessoais e dados estratégicos da propriedade, entretanto, não devem ser inseridos em plataformas públicas sem a verificação das regras de privacidade.
Fonte: Pensar Agro
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