AGRONEGÓCIO
Paraná lança fundo público-privado para ampliar crédito a pequenos produtores rurais
Publicado em
8 de maio de 2025por
Da Redação
A partir de maio, pequenos e médios produtores rurais do Paraná terão acesso a uma nova fonte de crédito com condições facilitadas, menos burocracia e taxas mais competitivas. Trata-se de um fundo inédito, estruturado a partir de uma parceria entre o Governo do Estado e investidores institucionais, com o objetivo de financiar projetos de longo prazo voltados à construção de aviários, modernização de granjas, sistemas de irrigação e aquisição de máquinas agrícolas.
A gestão operacional dos contratos, liberação dos recursos e administração dos recebíveis ficará a cargo da AgroForte, fintech especializada em crédito para o setor agropecuário.
Modelo de financiamento inovador
O novo fundo adota a estrutura de blended finance, que combina recursos públicos e privados. Inicialmente, estão disponíveis R$ 400 milhões, com foco na cadeia avícola da C.Vale, localizada no oeste do Paraná. Desse total, R$ 80 milhões foram aportados pelo governo estadual na cota sênior; R$ 160 milhões, pela cooperativa C.Vale, na cota subordinada; e o restante será complementado por uma instituição financeira parceira. A expectativa é de que essa estrutura possa alavancar até R$ 2 bilhões em crédito para o setor agroindustrial paranaense nos próximos anos.
A liberação dos primeiros recursos ocorrerá ainda em maio, após a finalização dos trâmites jurídicos e operacionais. Com isso, os produtores contemplados poderão iniciar seus investimentos ainda no primeiro semestre, respeitando o ciclo produtivo das cadeias envolvidas.
Condições atrativas e acesso facilitado
As condições oferecidas são significativamente mais vantajosas que as das linhas tradicionais de crédito: taxas de juros em torno de 9% ao ano, prazos de até 10 anos e período de carência antes do início dos pagamentos. Essas características tornam o financiamento mais acessível para pequenos e médios produtores, que frequentemente enfrentam barreiras no sistema bancário convencional.
De acordo com Felipe d’Ávila, CEO da AgroForte, a atuação da fintech será determinante para garantir agilidade e desburocratização no processo. “O Governo do Paraná teve uma postura inovadora e visionária. Nosso papel é assegurar que o crédito chegue com rapidez e transparência, criando um ambiente favorável ao investimento dentro da porteira, com ganhos em volume e qualidade da produção”, destacou.
A AgroForte atuará como elo entre o fundo e os produtores, oferecendo uma experiência 100% digital, adaptada à realidade do campo. “Estamos introduzindo uma nova lógica de crédito rural, que complementa ou até substitui os modelos tradicionais”, afirmou Gustavo Peloso, diretor de crescimento da empresa.
Setor agropecuário ganha espaço no mercado de capitais
O lançamento oficial do fundo ocorreu na sede da B3, a Bolsa de Valores brasileira, simbolizando a inserção definitiva do agronegócio no mercado de capitais com papel de protagonismo. O evento contou com a presença de autoridades públicas, representantes do setor financeiro e lideranças do agronegócio, reforçando a relevância estratégica da iniciativa para o futuro do crédito rural no país.
Presente em diversos estados, a AgroForte já atua com grandes agroindústrias nos setores de aves e leite, como Seara, C.Vale, Jagua Frangos, Vibra, Pluma, Levo, Bello, Lactalis, Vigor, Cemil, Scala e Cativa. O histórico da empresa, com milhares de produtores integrados e cooperados atendidos, foi essencial para a criação de uma estrutura sólida, agora aplicada no Paraná com potencial para se tornar referência nacional em inclusão financeira no meio rural.
A iniciativa marca um avanço expressivo no acesso ao crédito no campo, oferecendo uma alternativa moderna e sustentável ao modelo tradicional, ainda centrado no Plano Safra. Com impacto direto na renda, produtividade e autonomia dos produtores, o novo fundo inaugura um ciclo promissor de desenvolvimento para a agropecuária paranaense.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Média anual das exportações do agro quadruplica e chega a R$ 858 bilhões
Published
3 horas agoon
17 de setembro de 2026By
Da Redação
O valor médio anual das exportações do agronegócio brasileiro mais que quadruplicou em duas décadas, passando de aproximadamente R$ 194,2 bilhões entre 2003 e 2005 para R$ 858 bilhões no período de 2023 a 2025. O crescimento chegou a R$ 663,8 bilhões, com avanço de diferentes cadeias produtivas e ampliação da presença do país no mercado internacional.
Os dados fazem parte do “Mapa do Comércio Global do Agro Brasileiro 2026”, elaborado pelo RaboResearch Food & Agribusiness. Os valores apresentados no levantamento foram convertidos para reais pela cotação de R$ 5,15.
A soja foi o principal motor dessa transformação. O complexo da oleaginosa respondeu por aproximadamente R$ 214,2 bilhões do aumento registrado entre os dois períodos. O resultado reflete a expansão da área cultivada, os ganhos de produtividade, o desenvolvimento da segunda safra de milho e a maior capacidade brasileira de atender à demanda asiática.
A contribuição, entretanto, não ficou restrita aos grãos. O açúcar acrescentou R$ 68,5 bilhões ao valor médio anual exportado, enquanto a carne bovina respondeu por R$ 58,7 bilhões. O milho adicionou R$ 49,4 bilhões e o café verde, R$ 47,9 bilhões.
A celulose contribuiu com mais R$ 39,7 bilhões, seguida pela carne de frango, com R$ 36,1 bilhões. O algodão acrescentou R$ 20,6 bilhões e a carne suína, R$ 11,8 bilhões. Outros produtos do agronegócio, considerados em conjunto, responderam por uma expansão de R$ 116,9 bilhões.
Os números mostram que o crescimento das exportações brasileiras se espalhou por diferentes atividades. Grãos, proteínas animais, fibras, produtos florestais, café e açúcar passaram a gerar uma receita maior e a alcançar mais mercados, fortalecendo a renda no campo e movimentando cooperativas, agroindústrias, transportadoras, armazéns e terminais portuários.
A China consolidou-se como o principal destino dos produtos agropecuários brasileiros. Entre as médias de 2003 a 2005 e de 2023 a 2025, o país asiático respondeu por R$ 269,3 bilhões do crescimento das exportações. Atualmente, concentra 33% do valor comercializado pelo agro brasileiro no exterior.
Os demais países da Ásia também ganharam importância e acrescentaram R$ 126,7 bilhões às compras de produtos brasileiros. Em conjunto, a China e os outros mercados asiáticos responderam por quase R$ 396,6 bilhões da expansão observada nas últimas duas décadas.
A União Europeia representa 14% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro, enquanto os demais países asiáticos, sem considerar a China, respondem por 17,4%. O Oriente Médio concentra 7,6%, a África, 7%, e os Estados Unidos, 6,7%. O Mercosul possui participação de 3,1%, e os demais mercados reúnem 11,3%.
Essa distribuição demonstra que, apesar da forte participação chinesa, o crescimento também ocorreu em outras regiões. A União Europeia acrescentou R$ 57,7 bilhões às compras, o Oriente Médio ampliou as aquisições em R$ 51,5 bilhões e a África contribuiu com R$ 48,4 bilhões. Estados Unidos e Mercosul adicionaram, respectivamente, R$ 28,8 bilhões e R$ 19,1 bilhões.
A diversificação geográfica ajuda a reduzir riscos e cria alternativas para produtos que enfrentem restrições sanitárias, tarifárias ou comerciais em determinados destinos. A concentração de um terço da receita na China, contudo, mantém diferentes cadeias expostas às decisões econômicas e regulatórias daquele mercado.
O desempenho alcançado nas últimas duas décadas consolidou o Brasil entre os principais fornecedores mundiais de soja, açúcar, café, milho, carnes, algodão, celulose e suco de laranja. O país passou a ocupar uma posição estratégica na segurança alimentar global e a contribuir para o abastecimento de mercados na Ásia, Europa, África, Oriente Médio e nas Américas.
A expansão também evidencia o tamanho do desafio logístico. A continuidade do crescimento depende de investimentos em armazenagem, rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, além da redução dos custos que ainda limitam a competitividade do produtor brasileiro.
O levantamento revela, ao mesmo tempo, uma vulnerabilidade que precisa ser enfrentada. Enquanto amplia sua capacidade de fornecer alimentos, fibras e energia ao mundo, o Brasil permanece altamente dependente do exterior para adquirir os insumos necessários à produção.
As importações de fertilizantes movimentaram aproximadamente R$ 73,1 bilhões em 2025. A Rússia respondeu por 28% desse valor, seguida pela China, com 21%, Canadá, com 11%, e Marrocos, com 8%. Nigéria participou com 5%, enquanto Arábia Saudita, Estados Unidos e Israel responderam por 4% cada.
No mercado de defensivos agrícolas, as importações chegaram a cerca de R$ 71,1 bilhões no ano passado. A China forneceu 43% do total, seguida pela Índia, com 15%, Estados Unidos, com 11%, Alemanha, com 8%, e Suíça, com 6%.
Somadas, as compras externas de fertilizantes e defensivos alcançaram aproximadamente R$ 144,2 bilhões em 2025. O valor mostra que uma parcela expressiva da riqueza gerada pelas exportações retorna ao exterior para a aquisição de nutrientes e tecnologias de proteção das lavouras.
Essa dependência deixa o produtor exposto às oscilações cambiais, aos fretes internacionais, aos conflitos geopolíticos e às eventuais restrições de fornecimento. Qualquer interrupção nas rotas comerciais pode elevar os custos e reduzir as margens das propriedades.
O avanço das exportações comprova a capacidade do Brasil de ampliar a produção e conquistar mercados. O próximo passo é transformar essa força comercial em maior segurança para quem produz, com diversificação de fornecedores, desenvolvimento da indústria nacional de insumos e uso mais eficiente de fertilizantes e defensivos.
Ao ultrapassar uma média anual de R$ 858 bilhões em vendas externas, o agronegócio brasileiro chega a um novo patamar. A manutenção dessa trajetória dependerá não apenas da abertura de mercados, mas também da capacidade do país de reduzir suas vulnerabilidades e garantir ao produtor condições competitivas para continuar abastecendo o Brasil e o mundo.
Fonte: Pensar Agro
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