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Ovinos da raça Ideal quase triplicam rendimento em lã e carne

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Em 2024, a raça de ovinos Ideal completa 90 anos no Brasil. O plantel da raça, reconhecida pela qualidade de lã fina e pelo rendimento em carne, começou em 1934, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. “Os livros contam que a criação começou pela aquisição de animais uruguaios que se mostraram muito produtivos em lã de altíssima qualidade”, conta o médico veterinário, radialista e criador Cicico Dornelles, embaixador das comemorações.

Se lá nos anos 1930 a raça já desempenhou bem nos campos gaúchos, hoje os números mostram o quanto os ovinos da raça Ideal se desenvolveram neste período. O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Ideal, Milton Fernandes, afirma que na época da introdução da raça, o rendimento médio em lã de um carneiro era de quatro a cinco quilos, e um animal adulto chegava aos 60 quilos. “Hoje, o rendimento em lã é de 12 a 15 quilos, e um animal adulto pode chegar a 110kg”, revela Fernandes.

Nestes 90 anos, o número de cabeças passou por oscilações que seguiram os ritmos do mercado para a lã e carne de ovinos. “Mas a raça ideal vem buscando abertura de mercados e a valorização da lã de qualidade que hoje está presente na alta costura em várias partes do mundo”, frisa Fernandes. Além disso, destaca o presidente, a carne vem ganhando espaço na preferência dos consumidores, muito ligada ao churrasco e a alta gastronomia, mas há a perspectiva de atuar também levando novos cortes e adaptação para o consumo no dia a dia.

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Além das características dos produtos obtidos através da criação, o presidente da ABCI destaca a rusticidade dos animais a campo. “São animais que se submetidos a condições de estresse sobrevivem e produzem muito bem. Em rotação com agricultura, permite uma carga elevada de animais por hectare, promovendo altas produtividades.”

Ano de comemorações

Os primeiros festejos dos 90 anos da raça Ideal no Brasil começam esta semana, na Agrovino, feira realizada em Bagé. Na sequência, a Feovelha, que também tem data comemorativa (40 anos), em Pinheiro Machado e, ainda no mês de janeiro, Expofeira de Ovinos em Herval. Logo mais, em maio, a Fenovinos, realizada em Santa Margarida do Sul também marcará comemorações da data. Em todos os eventos, produtores reconhecidos pelo apoio à difusão da raça serão homenageados. Giras técnicas, seminários, capacitações e outros eventos farão parte da programação da raça ao longo do ano.

Além de comemorar, a Associação Brasileira de Criadores de Ideal quer realizar o reconhecimento dos esforços dos criadores, pesquisadores e entusiastas que vem contribuindo para que a Ideal seja cada vez mais importante na ovinocultura gaúcha. Para chegar aos 100 anos, o objetivo da entidade é aumentar o número de criadores e associados e divulgar a versatilidade e qualidade da raça. “Queremos chegar a um século com um produtor tendo rentabilidade cada vez maior e melhorando tanto em lã quanto em carne”, completa o presidente Milton Fernandes.

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Curiosidades:

  • Uma pesquisa da Embrapa Pecuária Sul quer comprovar que a lã de ovelha pode contribuir para a melhorar fertilidade do solo;
  • Roupas de lã de ovelha Ideal duram décadas sem perder a qualidade e a aparência;
  • O uso de ovelhas da raça Ideal tem obtido ótimo resultado na integração Lavoura-pecuária com noz pecã e oliveiras;
  • Lanolina, produto obtido da lã da ovelha, é utilizada na indústria farmacêutica e de cosméticos;
  • Lã de ovelha é utilizada para o estofamento de bancos de avião, pois não pegam fogo;

Fonte: Thais D’Avila

Fonte: Portal do Agronegócio

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Déficit de armazenagem em Mato Grosso impulsiona uso de silo bolsa e reforça autonomia do produtor na safra de grãos

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O avanço da produção de grãos em Mato Grosso, impulsionado por safras recordes consecutivas, tem intensificado um dos principais gargalos estruturais do agronegócio brasileiro: a insuficiência de armazenagem nas propriedades rurais e nas estruturas públicas e privadas. O descompasso entre produção e capacidade de estocagem tem pressionado a logística, elevado custos e reduzido o poder de negociação dos produtores.

Atualmente, a capacidade de armazenagem de grãos no Brasil é estimada em cerca de 225 milhões de toneladas, volume ainda insuficiente diante da produção nacional. O cenário obriga grande parte da safra a ser escoada imediatamente após a colheita, o que gera filas em unidades recebedoras, aumento do custo do frete e maior dependência de compradores no momento da entrega.

Mato Grosso concentra maior produção, mas enfrenta déficit estrutural

Mesmo sendo o maior produtor de grãos do país, Mato Grosso também convive com limitações significativas em sua infraestrutura de armazenagem. Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), o estado possui capacidade instalada de cerca de 57,9 milhões de toneladas.

Esse volume representa aproximadamente 52% da produção total de grãos do estado, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), chegando a 56% quando consideradas apenas as culturas de soja e milho. O resultado é um déficit estimado em 45,28 milhões de toneladas, evidenciando um gargalo estrutural persistente.

Silo bolsa ganha espaço como alternativa nas propriedades rurais

Diante desse cenário, o uso do silo bolsa tem se consolidado como alternativa prática e de menor custo para armazenagem temporária dentro das fazendas, especialmente durante o pico da colheita.

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O vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo, destaca que a falta de estrutura adequada impacta diretamente a autonomia do produtor.

“Quando chega o momento da colheita, o produtor muitas vezes não tem onde armazenar a produção. Em várias cidades há poucos armazéns e todos colhem no mesmo período, o que gera filas e atraso na logística. Isso afeta a colheita, reduz produtividade e compromete a rentabilidade, deixando o produtor dependente do mercado no momento da entrega”, explica.

Segundo ele, a ausência de estrutura própria impede o produtor de escolher o melhor momento de venda, reduzindo margens de negociação.

Baixo custo e flexibilidade impulsionam adoção da tecnologia

Ainda segundo Gilson Antunes, o silo bolsa se tornou uma das soluções mais viáveis diante do déficit de armazenagem.

“O silo bolsa se encaixa perfeitamente nesse cenário. Ele tem custo de implantação mais baixo, mantém a qualidade dos grãos e permite que o produtor segure a produção até um momento mais favorável de mercado, o que normalmente resulta em melhores preços”, afirma.

A solução é especialmente utilizada na segunda safra, quando a concentração da colheita aumenta a pressão sobre a infraestrutura existente.

Produtor destaca ganhos em rentabilidade e autonomia

O produtor rural de Campos de Júlio (MT), Ivo Frohlich Júnior, relata que a adoção do silo bolsa trouxe mudanças importantes na estratégia de comercialização do milho.

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Segundo ele, a principal vantagem está na possibilidade de venda em momentos mais favoráveis do mercado, especialmente na entressafra.

“Na entressafra, conseguimos preços melhores, o que compensa os custos do sistema. Além disso, o silo bolsa reduz gastos com frete e armazenagem em estruturas de terceiros, garantindo mais autonomia para negociar com diferentes compradores”, explica.

O produtor destaca ainda que a ferramenta reduz a dependência de tradings e amplia o poder de decisão dentro da propriedade.

“O produtor ganha liberdade para vender quando quiser e para quem quiser. Isso evita perdas de margem e melhora a gestão da produção”, complementa.

Ferramenta estratégica, mas desafio estrutural permanece

Apesar da expansão do uso do silo bolsa, especialistas e entidades do setor reforçam que a solução é complementar e não substitui a necessidade de investimentos em armazenagem fixa.

O crescimento contínuo da produção agrícola no estado mantém o desafio estrutural em evidência, com a necessidade de ampliação da capacidade de estocagem como uma das pautas estratégicas para o fortalecimento da competitividade do agronegócio mato-grossense.

Enquanto isso, o silo bolsa segue como uma alternativa essencial para garantir fluidez à colheita, reduzir gargalos logísticos e ampliar a autonomia do produtor rural no momento de comercialização da safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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