AGRONEGÓCIO
Ouribank faz avaliação da economia brasileira em 2024
Publicado em
29 de dezembro de 2023por
Da RedaçãoO Ouribank apresentou suas avaliações dos principais indicadores da economia brasileira em 2024, adotando uma visão mais otimista em comparação com o mercado. A taxa de câmbio, por exemplo, poderá ficar abaixo dos US$/R$ 5,03 previstos no Relatório Focus do Banco Central (BC), afirmou a economista da instituição financeira, Cristiane Quartaroli, em entrevista coletiva nesta terça-feira, 19.
Quando se olha os dados do setor externo, observou-se que tanto o fluxo quanto o saldo comercial cresceram em 2023 e isso não se refletiu em queda na taxa de câmbio ao longo do ano. Portanto, é de se esperar que em algum momento esse impacto aconteça e seja positivo para a evolução da nossa moeda. Segundo a economista, os fatores que impediram uma taxa de câmbio melhor foram a preocupação com a política fiscal, no cenário interno, e o desempenho das economias centrais, com inflação e alta de juros. “Trouxeram cautela, incertezas e aversão ao risco, refletindo no câmbio. No entanto, a expectativa de políticas monetárias menos contracionistas ao redor do globo em 2024 tende a ser positiva para a economia brasileira.”
Como ficam inflação, Selic e PIB
Na análise de Quartaroli, a inflação deverá situar-se mais na próxima meta em 2024, ficando um pouco abaixo da expectativa de 3,93% do Focus. A inflação menor tende a impactar positivamente em nossa taxa básica de juros básicos. “A Selic poderá ficar abaixo dos 9,25% projetados para o próximo ano. Desta maneira, o Produto Interno Bruto (PIB) tende a crescer mais que os 1,51% também projetados pelo mercado.”
A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC divulgada nesta semana trouxe um tom mais positivo em relação ao cenário interno e externo, ela avalia. “O BC entende que os núcleos de inflação estão convergindo para a meta, embora não tenha sinalizado um aumento no ritmo de ajuste da Selic, por conta de riscos do lado fiscal e externos.
Inflação desacelerando, juros mais baixos e melhores taxas de emprego e de renda poderão influenciar no aumento do consumo das famílias; e resultar em expansão mais robusta do setor de Serviços, em 2024, uma vez que essa importante área da economia brasileira apresentou crescimento mais tímido neste ano. Já a Reforma Tributária, um grande avanço para o Brasil, na opinião de Quartaroli, tende a ter repercussão positiva para o desempenho da indústria. Outros pontos de destaque que favorecem o otimismo para 2024 são as melhoras nos índices de confiança tanto do consumidor, quanto do empresariado, importantes para impulsionar consumo e investimentos no futuro.
Pontos de atenção
Se por um lado dados de trabalho, renda e confiança são indicativos de crescimento da economia; por outro, eles acendem uma luz amarela, que é o aumento do consumo e possível pressão futura sobre a inflação, alerta a economista do Ouribank. Não à toa, o BC está mais cauteloso em anunciar aumento no ritmo de reduções da Selic, em 2024, ela disse.
A política fiscal também merecerá mais atenção no próximo ano. “A questão fiscal trouxe muita volatilidade ao mercado financeiro em 2023, o que poderá continuar no próximo ano porque o atual governo tem perfil mais expansionista e o mercado se preocupa bastante com isso.” A previsão de um PIB menor em 2024 do que os 2,92% projetados para este ano indicam ainda uma arrecadação menor, com despesas que podem não acompanhar esse ritmo. “Assim, a conta pode não fechar e a projeção de déficit zero para 2024 não se efetivará.”
Quartaroli ressaltou, contudo, que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem sinalizado compromisso com a política fiscal, com a meta de redução do déficit e que o governo tem trabalhado para melhorar a arrecadação. “A aprovação da Reforma Tributária é uma sinalização positiva. O País deu um passo importante ao longo de 2023, mas ainda há muito a ser feito, e as medidas vão demorar um pouco para chegar na economia real.”
- Cliquei aqui para ter acesso ao relatorio completo do Ouribank
Fonte: Tamer Comunicação Empresarial
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro
Published
16 horas agoon
26 de setembro de 2026By
Da Redação
A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.
A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.
A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.
Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.
O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.
A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.
O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.
Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.
Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.
A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.
Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.
O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.
A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.
Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.
Fonte: Pensar Agro
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