AGRONEGÓCIO

Onda de protestos agrícolas na Europa: mortes trágicas, bloqueios de estradas e confrontos pela competição com o Brasil

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Este episódio da produtora (que tinha uma pequena fazenda de gado de corte) se tornou mais impactante pois, tanto o motorista causador da tragédia, quanto as duas passageiras do carro, responsável pelo acidente, eram de nacionalidade armênia e tiveram seus pedidos asilos negados e já tinham recebido a ordem para deixar a França, e não cumpriram a decisão. Tudo isto ainda aquece mais os movimentos refratários às aberturas de fronteiras aos cidadãos não pertencentes à comunidade europeia.

Entre as principais reivindicações dos manifestantes, há uma que diz respeito ao Brasil, como os custos de adaptação às demandas ambientais do pacto de transição ecológica da União Europeia, que causa uma concorrência desleal em relação aos produtos oriundos de outros países não submetidos a essas mesmas exigências. Os custos do diesel também estão no centro das manifestações. Na França, o governo determinou um incremento gradual no imposto cobrado sobre o diesel consumido pelos produtores rurais. Neste ano, a tributação sobe para 0,67 centavos de euro por litro.

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Em relação às questões ambientais, o Brasil possui uma legislação bastante restritiva, que mesmo os países da CE não cumprem diversas diretrizes estabelecidas, como por exemplo a preservação de mata ciliar e áreas de APP nas propriedades. São requisitos realmente importantes na preservação do meio ambiente, mas pouco explorados na “venda” da visão dos produtos agropecuários brasileiros. E, além de ocorrer de fato muito descumprimento, não há mecanismos para transmitir melhor transparência ao comprador. No entanto, há outras restrições da Europa que não são cumpridas no Brasil.

Há questões como controle de antimicrobianos em animais de produção. Na Bélgica, a venda é extremamente controlada e o veterinário responsável deve, diariamente, indicar onde prescreveu, quantidade e animais e, claro, qual o rebanho que foi ministrado. Procedimento que também ocorre em diversos outros países da CE. No Brasil muitas propriedades não possuem um responsável pela sanidade, o veterinário, às vezes, é chamado para alguma emergência clínica, depois do proprietário já ter medicado com diferentes fármacos. Claro, que em outro extremo, há produções brasileiras extremamente especializadas, onde as boas práticas agropecuárias são aplicadas e existe um controle correto do uso de medicamentos. São propriedades que tornam os técnicos esperançosos com a pecuária brasileira. Mas, infelizmente, não é a regra.

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Hoje os agricultores belgas fizeram uma manifestação em frente ao consulado geral do Brasil na Bélgica, exatamente para protestar contra as importações brasileiras, que para eles é uma competição desleal frente às restrições que enfrentam. Eles estão atravessando todo o país em seus tratores, e parando as estradas.

Em Luxemburgo, um pequeno país incrustado entre Alemanha, Bélgica, França e Alemanha, já está sentindo a greve nas gôndolas dos supermercados. Há falta de produtos e a perspectiva que deva piorar. Não há previsão para que este movimento pare. Nas redes sociais os produtores estão inflamados, exigindo mudanças.

Fonte: CCAS

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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