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O impacto da China no mercado de açúcar; confira análise da hEDGEpoint

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Apesar dos desafios, é necessário ter cautela com o otimismo em relação ao crescimento econômico na China, com o sentimento do mercado sugerindo uma perspectiva otimista para o país até 2024, o que pode apoiar os preços do açúcar.

A influência da China no mercado tem sido notável, estabelecendo um piso ao preço do adoçante em 20,5 c/lb.

A queda de preços ocorrida em dezembro criou condições favoráveis para as regiões não produtoras, levando a uma atividade de compra significativa e a importações chinesas acima do esperado em janeiro e fevereiro, apesar dos altos volumes de importação anteriores. Esse comportamento ressalta a importância de se considerar as disparidades regionais de preços em vez de se basear apenas na paridade ZCE.

Análise da hEDGEpoint Global Markets mostra que dados recentes indicam uma perspectiva mais otimista para a economia chinesa, com sinais de saída das tendências deflacionárias, pelo menos temporariamente.

“O governo delineou metas fiscais ambiciosas para 2024, e os números iniciais do comércio para 2024 mostram resultados positivos. Entretanto, persistem desafios significativos, ressaltando a necessidade de se manter a cautela”, afirma Lívea Coda, analista de Açúcar e Etanol da hEDGEpoint.

A gestão eficaz do déficit fiscal e a restauração da confiança no setor privado são cruciais para um crescimento econômico sustentável na China. No entanto, não pretendemos discutir as tendências econômicas chinesas mais a fundo neste relatório, basta entender que o mercado está precificando um quadro mais otimista para o gigante asiático em 2024, e isso pode dar ainda mais suporte ao açúcar. (Para obter mais informações sobre a situação do país, consulte nosso relatório de macro divulgado em 11 de março). Voltando ao nosso doce mercado, a China tem de fato desempenhado um papel importante ultimamente. O país foi responsável pelo piso de preço recentemente encontrado em 20,5c/lb. E por que isso aconteceu? Vamos começar do início.

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“Primeiro, observando as tendências de preços e os valores reportados pelas alfândegas do Brasil e da China, fica claro que os preços mais baixos desencadeiam exportações brasileiras maiores em um primeiro momento para a China, que levam em média de 30 a 45 dias para chegar ao país asiático e serem registradas em suas alfândegas – se esse volume foi nacionalizado, isso é outro assunto”, observa.

Com o aumento dos preços observado desde o final de 2022, a arbitragem de importação chinesa esteve razoavelmente fechada – pelo menos considerando apenas os preços do ZCE. Entretanto, para fins analíticos, decidimos considerar preços diferentes, dependendo do fato de a região ser ou não produtora, o que significa que os preços domésticos dos não produtores devem ser mais altos.

“Estimamos que esse prêmio seria de cerca de 600 RMB/t. Portanto, as regiões não produtoras devem optar por comprar no mercado interno ou importar a depender de sua própria paridade”, pontua.

Em retrospectiva, o colapso dos preços ocorrido na segunda metade de dezembro atingiu níveis atraentes para as regiões não produtoras entre 18 de dezembro e 5 de janeiro. Durante esse período, os preços médios ficaram em 20,8 c/lb.

“Considerando estritamente a paridade da ZCE sem nenhum prêmio adicional, esta estava fechada em aproximadamente US? 70/t durante o mesmo período. Em vista disso, teria sido economicamente injustificável para a China aumentar suas importações na ausência de disparidades de preços entre as regiões. No entanto, ocorreu uma atividade de compra significativa durante esse período, culminando em importações da China mais altas do que o previsto em janeiro e fevereiro”, destaca.

Esse comportamento foi especialmente surpreendente, pois ocorreu pouco tempo depois das entregas expressivas em outubro e de um alto volume de importações em agosto passado, quando se estimava que a arbitragem estava marginalmente aberta para os não produtores.

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De acordo com Lívea, “à medida que as perspectivas econômicas da China melhoram, apesar da recuperação de sua safra, o país deve continuar fazendo suas contas e importando sempre que os preços atingirem a paridade. Em vez de seguir estritamente o ZCE, precisamos ler cuidadosamente o mercado e considerar a disparidade regional.”.

Como resultado, apesar de a arbitragem do ZCE apontar para um nível de quase 18 c/lb, a adição de um prêmio garantiria 20,3 c/lb: um piso mais conservador e, aparentemente, preciso.

“Nesse sentido, a tendência de baixa parece ser limitada. Juntamente com as preocupações com a produção brasileira de 24/25, há pouco que o volume adicional do Hemisfério Norte em 23/24 possa fazer para mudar os preços no curto prazo. No entanto, ter esse nível de apoio garantiria incentivo suficiente para que as usinas indianas fizessem lobby por cotas de exportação em 24/25. Essa última opção só estaria próxima da realidade se, e somente se, o clima cooperar para uma grande recuperação da produtividade”, conclui.

Em resumo, a queda de preços ocorrida em dezembro criou condições favoráveis para as regiões não produtoras, levando a uma atividade de compra significativa e a importações da China acima do esperado em janeiro e fevereiro, apesar dos altos volumes de importação anteriores. Esse comportamento ressalta a importância de se considerar as disparidades regionais de preços em vez de se basear apenas na paridade ZCE.

Dado o recente otimismo em relação à recuperação econômica chinesa, o país asiático continua a ser um participante importante no mercado de açúcar, sendo uma das principais razões por trás do suporte de 20,5c/lb.

Fonte: hEDGEpoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil

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As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.

Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.

Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural

O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.

Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.

De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.

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Agro sente impacto de forma gradual

Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.

O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.

A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.

Inflação dos alimentos pode ganhar força

O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.

Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.

Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.

Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.

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Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada

Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.

As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.

Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.

Agronegócio acompanha cenário com atenção

Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.

O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.

Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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