AGRONEGÓCIO
O ambiente econômico em 2024 pode ser de alta para a gasolina
Publicado em
19 de janeiro de 2024por
Da RedaçãoApesar dos riscos significativos, há fundamentos consideráveis que poderiam justificar um mercado mais altista para a gasolina em 2024, algo que não está sendo observado no momento. É importante mencionar que a capacidade de refino de petróleo está crescendo em um ritmo mais lento, o que é uma vantagem para as refinarias atuais. Além disso, este ano deve haver cortes nas taxas de juros, o que tende a aumentar o consumo energético.
O sentimento do mercado tem sido de baixa em relação ao complexo energético no início de 2024. Há razões para uma reação mais defensiva nas commodities de energia, como o RBOB, mas há fundamentos de alta que não estão sendo observados no momento e que podem desencadear uma tendência de alta nos preços. É o que aponta o recente relatório da hEDGEpoint Global Markets.
“É importante enfatizar que há um “novo normal” estabelecido após a pandemia em muitos mercados, e o complexo energético é um deles. A eficiência dos combustíveis está melhorando, e o mercado está testemunhando a transição contínua de opções mais sustentáveis, como combustíveis renováveis e carros elétricos, o que pode resultar em menor consumo de gasolina por pessoa. Em meio a esse cenário, os combustíveis fósseis enfrentaram uma expansão limitada de sua capacidade de abastecimento, garantindo uma vantagem significativa para as refinarias já estabelecidas. O resultado direto dessa tendência é backwardation observado nos futuros de produtos refinados nos últimos anos, como o RBOB”, explica Victor Arduin, analista de Energia e Macroeconomia da companhia.

O mercado está preocupado com a formação de estoques, mas esse é um problema real?
Um dos dados mais recentes e preocupantes foi o forte aumento dos estoques de gasolina nas últimas semanas, induzindo uma correção de curto prazo nos preços. Há motivos para ficar atento, como a exportação de produtos refinados ser menor do que o esperado e uma incerteza significativa em relação à situação econômica na Europa, China e EUA.
“No entanto, a mudança de volume nos estoques de gasolina entre o final de 2023 e o início de 2024 dentro do histórico tem sido próxima do normal. Uma maneira de ver isso é normalizar os dados para escores z, uma medida estatística que quantifica quantos desvios padrão um ponto tem da média de um conjunto de dados”, diz o analista.
No exemplo abaixo, usando uma semana específica e seus valores históricos para o mesmo período, os escores z não mostraram uma tendência de formação anormal de estoque. Nesse contexto, os estoques de gasolina estão apenas cerca de 1% acima da média de cinco anos.

De acordo com Vitor, “uma explicação para o recente acúmulo de estoques é o aumento da utilização do refino, que permaneceu inativo durante um período prolongado de manutenção durante o quarto trimestre do ano passado. Como mais petróleo foi processado, com o objetivo de atender à demanda por destilados médios, mais produtos leves, como a gasolina, estão sendo armazenados. Os cracks na gasolina podem não atingir os níveis observados em 2023 ou 2022, que foram extremamente lucrativos, mas as margens podem encontrar espaço em 2024, especialmente se as principais economias evitarem uma recessão, como é o cenário provável no momento”.
Uma política monetária mais dovish, um mercado de trabalho resiliente e melhorias econômicas são alguns motivos para acreditar que o consumo de gasolina deve permanecer alto nos Estados Unidos este ano, sem mencionar os riscos de interrupções no fornecimento de petróleo, uma preocupação atual no Oriente Médio, especificamente no Mar Vermelho.
“Isso introduziu volatilidade no complexo energético e pode influenciar os preços do petróleo bruto – o principal custo no processamento da gasolina”, aponta.
Conflito no Mar Vermelho traz mais volatilidade ao mercado de petróleo bruto
Mais uma vez, os movimentos militares no Mar Vermelho trouxeram volatilidade ao mercado de petróleo bruto, já que os EUA e a Grã-Bretanha realizaram ataques aéreos e marítimos em resposta aos ataques da milícia Houthi do Iêmen contra navios no Mar Vermelho.
A reação do mercado foi inicialmente de alta, com os preços do petróleo bruto subindo mais de 4% no último dia 12 de janeiro, devido a preocupações com a oferta. No entanto, os ganhos foram revertidos posteriormente, e o WTI fechou em US$ 72,68 (-1,53%).
“As preocupações com a demanda continuam a superar as tensões no Oriente Médio, mas os preços encontraram forte resistência acima de US$ 70,00 por barril. Além disso, a reunião da OPEP+ em fevereiro poderá trazer pistas sobre a política de produção que será praticada ao longo de 2024, dando mais apoio às commodities de energia”, conclui.

Resumo
Há muita incerteza em relação à demanda por produtos refinados em 2024, o que justifica uma postura defensiva no mercado. No entanto, importante observar que estamos diante de um ano menos restritivo em termos de taxas de juros, e a demanda está crescendo em um ritmo mais rápido do que a expansão da capacidade de refino.
Na última semana, a Refinaria Port Arthur teve que interromper suas operações, deixando de produzir o equivalente a 238 mil barris de petróleo por dia. Logo, isso deverá aliviar um pouco o acúmulo de estoques.
Se uma recessão for evitada nas maiores economias do mundo, o que é o cenário mais provável no momento, espera-se que a demanda por gasolina cresça este ano. Embora as margens de lucro possam não ser tão altas quanto foram nos últimos anos, elas ainda devem estar acima da média histórica.
Além disso, os riscos de uma escalada no conflito no Oriente Médio até o momento trouxeram mais volatilidade ao mercado, mas podem acabar levando a preços mais altos do petróleo, influenciando, em última instância, os preços dos produtos derivados do petróleo.
Apesar do sentimento predominante ser de que a demanda não conseguirá induzir prêmios mais altos no mercado de energia, isso pode mudar rapidamente com um cenário macroeconômico mais otimista do que o esperado.
Fonte: hEDGEpoint Global Markets
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Mercado de cacau entra em alerta com risco de El Niño e ameaça de seca na África Ocidental
Published
4 minutos agoon
3 de junho de 2026By
Da Redação
O mercado internacional de cacau segue convivendo com um cenário de contrastes. De um lado, a expectativa de recuperação da oferta global e a perspectiva de superávit nos próximos meses pressionam os preços. De outro, os riscos climáticos nas principais regiões produtoras do mundo continuam alimentando a volatilidade e impedindo movimentos mais acentuados de queda.
De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, a combinação entre previsões de chuvas abaixo da média na África Ocidental e o aumento das chances de formação do fenômeno El Niño mantém o mercado em estado de alerta, especialmente em um momento decisivo para o desenvolvimento da próxima safra.
Preços acumulam forte valorização no mês
Apesar do viés baixista predominante nos fundamentos do mercado, os contratos futuros registraram ganhos expressivos ao longo de maio.
Na semana encerrada em 29 de maio, o cacau foi negociado a US$ 3.923 por tonelada em Nova York e a 2.975 libras esterlinas por tonelada em Londres. No acumulado mensal, as cotações avançaram 12,3% e 13,5%, respectivamente.
Segundo a analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, Carolina França, os movimentos recentes foram impulsionados principalmente por fatores técnicos e ajustes de posicionamento dos investidores.
O mercado também acompanhou informações sobre uma possível safra mais robusta na Costa do Marfim, maior produtor mundial da commodity, além de preocupações relacionadas à qualidade das amêndoas produzidas na África Ocidental. Ainda assim, não houve alterações significativas nos fundamentos globais de oferta e demanda.
Clima continua sendo o principal fator de risco
As condições meteorológicas permanecem no centro das atenções do setor cacaueiro.
Na Costa do Marfim, os volumes de chuva seguem acima dos registrados no ciclo anterior e próximos da média histórica, favorecendo o desenvolvimento das lavouras. Em Gana, segundo maior produtor da região, as precipitações também apresentam desempenho positivo, contribuindo para o potencial produtivo da safra.
Entretanto, especialistas alertam que o excesso de umidade também pode aumentar a incidência de doenças e dificultar parte das operações de campo.
O principal ponto de atenção está nas previsões climáticas para junho. Modelos meteorológicos indicam redução das chuvas em algumas áreas da África Ocidental durante as próximas semanas, justamente em um período considerado estratégico para a formação da safra 2026/27.
Essa fase corresponde ao florescimento das plantas que irão originar a principal colheita da próxima temporada, prevista para começar em outubro.
Caso o déficit hídrico se confirme e se prolongue ao longo do mês, o potencial produtivo poderá ser impactado, oferecendo sustentação adicional aos preços internacionais.
El Niño aumenta incertezas para a produção mundial
Outro fator que vem preocupando o mercado é o fortalecimento das expectativas para o retorno do fenômeno El Niño.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevou para 82% a probabilidade de formação do fenômeno entre maio e julho. As projeções indicam ainda que o evento poderá permanecer ativo durante o inverno 2026/27 do Hemisfério Norte.
Os modelos climáticos apontam que a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 pode ultrapassar 1,5°C e atingir até 2°C a partir de setembro, caracterizando um episódio de forte intensidade.
Historicamente, o El Niño provoca alterações significativas nos regimes de chuva em diversas regiões produtoras de commodities agrícolas.
No caso do cacau, o fenômeno costuma favorecer condições mais secas em áreas da África Ocidental e Central, além de partes da América Central e do norte do Brasil. Em contrapartida, pode aumentar os volumes de precipitação em países como Peru e Equador.
Além das mudanças no regime de chuvas, especialistas também monitoram a possibilidade de ondas de calor mais frequentes tanto na África quanto na América do Sul.
Mercado deve continuar reagindo rapidamente às notícias climáticas
Mesmo com a perspectiva de superávit global e estoques certificados elevados nas bolsas internacionais, o mercado de cacau continua extremamente sensível a qualquer mudança nas condições meteorológicas.
A avaliação dos analistas é que a formação do El Niño adiciona um importante componente de incerteza para os próximos meses, especialmente porque seus impactos variam de acordo com a intensidade do fenômeno e sua interação com fatores regionais, como os ventos Harmattan e o sistema de monções da África Ocidental.
Dessa forma, a tendência é que os preços continuem reagindo rapidamente a novas informações sobre o clima, a evolução das lavouras e a oferta global.
Perspectiva para o setor
Para produtores, exportadores, indústrias e investidores, o monitoramento climático deverá permanecer como um dos principais indicadores de mercado ao longo de 2026.
Embora o cenário atual ainda aponte para uma recuperação parcial da oferta mundial, os riscos associados ao clima continuam elevados. A evolução das chuvas na África Ocidental, o desenvolvimento do El Niño e o comportamento da demanda global serão determinantes para definir a trajetória dos preços do cacau nos próximos meses.
Em um mercado historicamente sensível às condições climáticas, qualquer alteração relevante na produção das principais regiões exportadoras pode desencadear novos movimentos de valorização e ampliar a volatilidade das negociações internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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