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O Agro como Protagonista no Mercado de Carbono: A Lei 15.042 e as Oportunidades no Setor Sustentável

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O ano de 2025 marca uma nova fase para o mercado de carbono no Brasil, com a implementação da Lei nº 15.042/2024, que regulamenta o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). Essa medida estabelece um mercado regulado de carbono, trazendo organização e segurança jurídica para um setor anteriormente dominado pela informalidade. Para o agronegócio, o cenário promete ser uma oportunidade de protagonismo, mesmo com a exclusão inicial do setor primário das obrigações estabelecidas pela lei.

Gustavo Heissler, gerente de Sustentabilidade da SIA Brasil, destaca que a regulamentação representa um novo ciclo para o país. “A nova lei traz mais segurança jurídica e organização ao mercado, que até então carecia de padronização. Embora o setor agropecuário não esteja sujeito às obrigações imediatas, a legislação cria uma porta de entrada estruturada para que o produtor rural participe do mercado voluntário e possa gerar receitas por meio de práticas sustentáveis”, afirma.

Conforme a lei sancionada, empresas que emitem acima de 10 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano — como indústrias, transportadoras e grandes fornecedores de energia — terão a obrigação de monitorar e reportar suas emissões. Embora o setor primário da agricultura tenha sido isento nesta primeira fase, a expectativa é de que a integração do agro ao mercado de carbono cresça à medida que as cadeias produtivas se adaptem às exigências de sustentabilidade. “A produção primária não faz parte do sistema regulado neste primeiro momento, mas isso não significa que o impacto esteja ausente. A agroindústria pode ser inclusa, o que resultará em custos indiretos aos produtores, como no caso de fertilizantes e transporte. Portanto, é fundamental estar atento e bem informado”, ressalta Heissler.

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O especialista também sublinha as oportunidades concretas para o setor. Práticas como o plantio direto, a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e o manejo sustentável do solo são passíveis de gerar créditos de carbono. “Propriedades com balanço negativo de emissões — ou seja, que sequestram mais carbono do que emitem — podem participar do mercado voluntário, vendendo esses créditos, o que ajuda a diversificar a renda e aumentar a competitividade da propriedade”, explica.

A nova regulamentação também abre espaço para parcerias entre produtores rurais, empresas, cooperativas e prestadores de serviços técnicos especializados. Heissler reforça que a adesão ao mercado de carbono deve ser feita com cautela. “Ainda há muita desinformação e promessas de ganhos irreais. O produtor precisa se cercar de profissionais qualificados para garantir que a entrada no mercado seja estratégica e vantajosa.”

Com o fortalecimento das normas e a crescente pressão internacional por cadeias produtivas mais sustentáveis, a tendência é que o agronegócio conquiste ainda mais destaque nas agendas climática e ambiental. “Hoje, a sustentabilidade não é apenas uma exigência legal ou reputacional. Ela está diretamente vinculada à rentabilidade e à viabilidade econômica das propriedades”, conclui o gerente da SIA.

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Para Heissler, o momento é ideal para que o produtor rural busque conhecimento, avalie sua propriedade e identifique práticas que possam gerar resultados positivos tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico. O mercado de carbono, até então distante da realidade do campo, surge agora como uma nova fronteira para a valorização da produção brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Colheita passa da metade, mas chuva atrasa máquinas e aumenta risco de perdas

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A colheita do milho safrinha entrou na segunda metade no Brasil, puxada pelo avanço das máquinas em Mato Grosso. O ritmo nacional, entretanto, continua abaixo do registrado no ano passado, enquanto chuvas e elevada umidade dos grãos dificultam os trabalhos no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

O último levantamento consolidado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrava 49,8% da área colhida até 18 de julho, ante 55,5% no mesmo período de 2025 e uma média de 56,7% nos últimos cinco anos. Dados estaduais divulgados posteriormente indicam que o País já ultrapassou a metade da área, embora ainda não exista um novo percentual nacional consolidado.

A segunda safra concentra aproximadamente 77% de todo o milho produzido no Brasil. A Conab estima uma colheita de 109,43 milhões de toneladas, dentro de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, considerando também as safras de verão e a terceira safra.

Mato Grosso está mais próximo de concluir os trabalhos. Até sexta-feira (24), os produtores haviam retirado o cereal de 90,66% da área, avanço de 11,74 pontos percentuais em uma semana. O índice supera ligeiramente os 90,37% observados no mesmo período do ano passado, mas permanece abaixo da média de 92,68% dos últimos cinco anos.

No Médio-Norte mato-grossense, principal polo produtor do cereal, a colheita chegou a 98,03%. Mantido o ritmo atual e sem novas interrupções climáticas, o Estado deverá encerrar a maior parte dos trabalhos entre o fim de julho e o início de agosto.

Mato Grosso deve colher um recorde de 57,06 milhões de toneladas, mais da metade de todo o milho segunda safra previsto pela Conab para o Brasil. A produtividade estadual foi estimada em 128,64 sacas por hectare, resultado favorecido pelo desempenho das lavouras do Médio-Norte.

A situação é diferente no Paraná. A colheita havia alcançado 29% da área no início da última semana, ante 40% no mesmo período de 2025 e 67% em 2024. Além do plantio mais tardio, as chuvas recentes impediram a entrada das máquinas em várias propriedades e mantiveram elevada a umidade dos grãos.

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O Paraná deverá concentrar a retirada do milho durante agosto. Parte dos trabalhos poderá avançar por setembro, especialmente nas áreas implantadas mais tarde. O Estado cultiva aproximadamente 2,9 milhões de hectares e espera colher cerca de 17,4 milhões de toneladas na segunda safra.

As precipitações da semana passada reduziram o ritmo, mas ainda não há confirmação de perdas expressivas provocadas diretamente pelas chuvas. Segundo técnicos do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), o principal efeito observado até agora é operacional. O excesso de umidade impede a colheita e aumenta os gastos com secagem, mas a extensão de eventuais danos dependerá do tempo de permanência do milho maduro no campo.

Quanto maior a demora, maior o risco de germinação dos grãos na espiga, ocorrência de fungos, tombamento das plantas e redução do padrão comercial. A umidade também pode provocar filas nos armazéns e limitar o recebimento das cargas, sobretudo quando muitos produtores retomam a colheita ao mesmo tempo após a abertura do tempo.

Em Mato Grosso do Sul, a retirada do cereal chegou a 15,8% da área até 17 de julho, ante 8,2% na semana anterior. Apesar da aceleração, o Estado permanece atrás do ritmo da safra passada. As chuvas registradas desde junho elevaram a umidade dos grãos e retardaram a entrada das máquinas.

A produção sul-mato-grossense está estimada em 11,14 milhões de toneladas, cultivadas em 2,2 milhões de hectares. Historicamente, a colheita ganha força na segunda quinzena de julho e atinge o pico entre o fim deste mês e o início de setembro. Por isso, o atraso atual ainda pode ser parcialmente recuperado se houver uma sequência de dias secos.

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Goiás havia colhido 28% da área até 18 de julho. No Estado, a maior preocupação não está apenas no calendário. Períodos de estiagem registrados em abril e maio atingiram as lavouras durante fases importantes do desenvolvimento e reduziram o potencial produtivo em diferentes regiões.

A falta de chuva também afetou áreas de Minas Gerais, São Paulo e Piauí. Nesses locais, a colheita deverá confirmar perdas provocadas por espigas menores, falhas no enchimento dos grãos e redução da produtividade. O impacto varia conforme a época de plantio e o estágio em que cada lavoura enfrentou o déficit hídrico.

No Rio Grande do Sul, os temporais da última semana causaram alagamentos e danos em mais de 200 municípios. O impacto sobre a produção nacional de milho, porém, tende a ser limitado porque o Estado concentra sua produção na primeira safra, que já havia sido praticamente concluída antes das chuvas. Os maiores riscos imediatos estão nas estradas rurais, nas estruturas das propriedades e nas culturas de inverno.

Pelo calendário dos principais estados produtores, a maior parte da segunda safra brasileira deverá ser retirada até o fim de agosto. Áreas implantadas mais tarde no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em partes do Matopiba poderão permanecer no campo durante setembro.

O volume final continuará elevado, mas a diferença entre as regiões será significativa. Mato Grosso caminha para uma colheita recorde e praticamente concluída, enquanto produtores de outros estados ainda enfrentam atraso, umidade excessiva ou perdas causadas pela estiagem.

Fonte: Pensar Agro

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