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Novo padrão para café torrado entra em vigor

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Desde o dia 1º de janeiro, está em vigor o novo padrão de classificação para o café torrado comercializado no Brasil. Em primeiro lugar, as normas foram estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, a partir da Portaria nº 570.

Antes de mais nada, a classificação atendeu a uma demanda apresentada pelo setor. E, com o padrão oficial definido, o órgão fiscalizador poderá verificar e controlar a qualidade, as condições higiênico-sanitárias. Além da identidade dos produtos oferecidos aos consumidores, o que pode aumentar o consumo e a exportação do produto. Acima de tudo, a notícia é do portal Primeira Hora.

Novo padrão

Entre as mudanças, pois, algumas poderão ser percebidas diretamente pelo consumidor, já que estarão expostas nas embalagens. São elas: a espécie de café, o ponto de torra e a denominação “fora de tipo” caso o produto não consiga atingir os padrões mínimos de cafeína. Além de extrato aquoso e a nota de qualidade global da análise sensorial estabelecidos pela Portaria.

A rigor, o que se busca é a garantia da qualidade do café torrado para todos os tipos do produto. Atualmente, em sua comercialização, os consumidores baseiam-se na qualidade expressa na embalagem ou na fidelidade a uma marca. Ou seja, onde se cria uma expectativa positiva sobre o café que se pretende consumir.

“A nova regra vem ao encontro dos objetivos do Ministério, que é assegurar a oferta de produto de qualidade e seguro ao consumo. E, ao mesmo tempo, estimular o desenvolvimento sustentável de toda a cadeia produtiva. E uma concorrência leal no mercado”, explica o coordenador-geral de Qualidade Vegetal da Secretaria de Defesa Agropecuária, Hugo Caruso.

Indústria em preparação

Embora a indústria tenha um ano e meio para se adequar, algumas empresas já se anteciparam e estão prontas para atender às novas exigências.

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O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), Pavel Cardoso, disse que, desde outubro do ano passado, as indústrias estão se movimentando para providenciar a nova rotulagem.

“Acredito que em abril ou maio o mercado já terá produtos expostos com a nova identidade”, afirmou.

Nesse sentido, as embalagens impressas antes do início da vigência do padrão continuam válidas até meados de 2024. Entretanto, a partir de agora, novos rótulos encomendados devem trazer as informações obrigatórias.

Classificações

De antemão, Cardoso contou que a Abic adotou o Selo de Pureza em 1989, seguindo resolução da Anvisa. Que já previa no máximo 1% de impurezas naturais da lavoura presentes no produto. Em 2004, sobretudo, a associação lançou o Programa de Qualidade do Café. Que classifica e diferencia quatro categorias do produto a partir de análise sensorial. Sendo assim gourmet, superior, tradicional e extraforte.

De acordo com o presidente da Abic, em função da nova Portaria, os dois programas de certificação da Abic serão unificados. E a concessão do selo será mais rigorosa. Os cafés “fora de tipo”, por exemplo, não poderão receber o selo da instituição.

Inclusive, a Abic continuará atuando como certificadora do café torrado. E, em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária, vai ampliar o monitoramento do mercado visando coibir a prática de adulteração e fraude dos produtos. Indicando, aos organismos de fiscalização, os produtos que não atendam à legislação.

Corresponsabilidade

Desde já, com o novo padrão, a responsabilidade pela venda de produto adulterado será compartilhada entre os produtores de café e o varejo.

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“Até então, não havia um dispositivo de corresponsabilidade pela compra de café fraudado. É uma vitória avassaladora da indústria”, afirmou Cardoso.

Na prática, a princípio, essa medida deve coibir a venda de produtos irregulares. Além de elevar o padrão de qualidade do café.

Outras mudanças

Por outro lado, a Portaria 570 vai permitir que órgãos de defesa do consumidor possam atuar em denúncias de fraude no produto. Dessa forma, as torrefações deverão se registrar junto ao Ministério da Agricultura por meio do Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro).

Em relação à classificação do produto, que será obrigatória, as empresas terão as opções de terceirizar o processo. Em outras palavras, contratando uma empresa já credenciada no Ministério. Ou, então, implantar seus processos próprios processos, com classificadores e laboratórios internos.

Neste caso, será necessário apresentar um manual de boas práticas ao Ministério. Se aprovado, as indústrias poderão classificar na frequência e maneira que acharem mais conveniente. Assim, dentro do seu fluxo produtivo.

Ainda de acordo com a portaria, pessoa física ou jurídica, incluindo o microempreendedor individual, que processe ou embale café e realize a venda direta ao consumidor final, efetuada no próprio estabelecimento de elaboração ou produção, em feiras livres, por meio de comércio eletrônico ou para cafeterias, fica facultada a apresentação do Documento de Classificação. Em suma, desde que assegurada a conformidade, identidade e qualidade do produto conforme previsto no novo padrão.

Fonte: Hub do Café

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Plano Safra 2026/27 confirma avanço do crédito privado e reduz dependência do financiamento oficial no agro

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O anúncio do Plano Safra 2026/27 trouxe um novo recorde nominal para o crédito rural empresarial, com R$ 525,1 bilhões destinados a médios e grandes produtores. Apesar do volume expressivo, o crescimento de apenas 1,7% em relação à safra anterior ficou abaixo da inflação acumulada e do avanço esperado para o setor, gerando questionamentos sobre a capacidade do programa de sustentar sozinho a expansão do agronegócio brasileiro.

Mais do que o valor anunciado, o que chama a atenção é a mudança estrutural que vem ocorrendo no sistema de financiamento rural. O crédito privado, impulsionado por instrumentos como CPR, Fiagro, CRA e LCA, assume papel cada vez mais relevante, reduzindo a dependência histórica dos recursos subsidiados pelo governo.

Plano Safra cresce menos e reflete cenário de maior cautela

O novo ciclo do Plano Safra foi lançado em um contexto marcado por margens mais apertadas no campo, aumento da inadimplência em algumas cadeias produtivas e maior seletividade das instituições financeiras.

Dos R$ 525,1 bilhões anunciados, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e comercialização da produção, uma redução de 7,2% em relação à safra anterior. Já os recursos para investimentos somam R$ 140,2 bilhões, alta de 38,1%, sinalizando prioridade para projetos de modernização, tecnologia e infraestrutura.

Além disso, houve redução nas principais taxas de juros das linhas de financiamento, acompanhando o início do ciclo de queda da taxa Selic. O crédito de custeio empresarial passou de 14% para 12,5% ao ano, enquanto o Pronamp caiu de 10% para 9%.

Crédito privado ganha protagonismo no financiamento rural

Embora o Plano Safra continue sendo um importante instrumento de política agrícola, sua participação relativa no financiamento do setor vem diminuindo.

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Nas últimas cinco safras, o crescimento do crédito rural ocorreu principalmente por meio de recursos livres, captados a mercado. Enquanto o crédito subsidiado permaneceu praticamente estável, as operações com recursos privados avançaram de forma consistente.

Esse movimento mostra que o agronegócio brasileiro está cada vez menos dependente dos subsídios governamentais e mais conectado ao sistema financeiro e ao mercado de capitais.

A participação dos recursos equalizados — aqueles em que o Tesouro Nacional subsidia parte dos juros — caiu significativamente nos últimos anos, representando atualmente cerca de 22% do total disponibilizado pelo Plano Safra.

Cooperativas ampliam presença no campo

Outro destaque da transformação do crédito rural é o avanço das cooperativas financeiras.

Nos últimos dez anos, a participação dessas instituições nas operações de crédito rural praticamente dobrou. Em diversas regiões do país, especialmente no interior, as cooperativas se tornaram a principal fonte de financiamento para produtores rurais.

Além da proximidade com o associado, essas instituições ampliaram sua capacidade de captação no mercado, fortalecendo sua atuação em um cenário de maior demanda por crédito e menor participação dos bancos tradicionais.

CPR alcança R$ 565 bilhões e lidera expansão do mercado privado

A principal evidência da mudança estrutural está no crescimento da Cédula de Produto Rural (CPR), instrumento que se consolidou como a espinha dorsal do crédito privado no agronegócio.

O estoque de CPR saltou de aproximadamente R$ 170 bilhões para R$ 565 bilhões em apenas seis safras, crescimento superior a 230%. O avanço supera com folga a expansão registrada pelo próprio Plano Safra no mesmo período.

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Paralelamente, outros instrumentos também ganharam espaço. O estoque de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) alcançou cerca de R$ 176 bilhões, enquanto os Fiagros já administram aproximadamente R$ 62 bilhões em ativos distribuídos em centenas de fundos.

Somados a operações de barter e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os mecanismos privados movimentam atualmente cerca de R$ 1,4 trilhão, consolidando uma nova realidade para o financiamento da produção agropecuária.

Desafio para produtores passa a ser gestão financeira

Especialistas apontam que o principal desafio para os próximos anos não será apenas acessar crédito, mas administrar diferentes fontes de financiamento de forma estratégica.

Ferramentas como CPR, barter, Fiagro e operações estruturadas passam a integrar cada vez mais o planejamento financeiro das propriedades rurais. Nesse cenário, gestão de risco, proteção de margem e eficiência operacional tornam-se fatores tão importantes quanto produtividade e tecnologia.

Nova fase do crédito rural já começou

O Plano Safra 2026/27 reforça uma tendência que vem se consolidando no agronegócio brasileiro: o financiamento da produção deixou de depender exclusivamente dos recursos oficiais.

Embora continue relevante, o programa governamental passa a atuar como parte de um sistema mais amplo, formado por cooperativas, mercado financeiro, investidores e instrumentos privados.

A mensagem para o setor é clara: o futuro do crédito rural será construído pela combinação entre recursos públicos e privados. Mais do que acompanhar o tamanho dos anúncios oficiais, produtores, empresas e investidores precisarão observar a qualidade do funding, a gestão dos riscos e a capacidade de execução dos projetos para garantir competitividade nos próximos ciclos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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