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Nikkei fecha em alta impulsionado por tecnologia, mas é pressionado por iene forte

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O índice japonês Nikkei encerrou a sexta-feira com leve alta, impulsionado pelo desempenho positivo das ações do setor de tecnologia, que acompanharam os ganhos registrados em Wall Street na véspera. No entanto, um iene mais forte e preocupações com as tarifas de importação dos Estados Unidos limitaram os avanços do mercado.

O Nikkei subiu 0,15%, alcançando 39.572,49 pontos, registrando sua terceira sessão consecutiva de ganhos. Apesar disso, o índice acumulou uma queda semanal de 1%, marcando sua quarta retração em cinco semanas.

Entre os destaques, a Tokyo Electron, fabricante de equipamentos para a produção de chips, avançou 3,33%, tornando-se a principal responsável pela valorização do índice. A Fujikura, produtora de fibras ópticas utilizadas em data centers e considerada um termômetro para investimentos em inteligência artificial, teve alta de 4%.

“Os ganhos das ações japonesas foram limitados devido ao fortalecimento do iene e à preocupação com a política tarifária do presidente dos EUA, Donald Trump, e seus impactos nas empresas japonesas”, afirmou Kentaro Hayashi, estrategista sênior da Daiwa Securities.

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Trump anunciou que implementará tarifas de 25% sobre importações do Canadá e do México a partir de sábado, o que gerou apreensão nos mercados. Paralelamente, o iene caminha para seu melhor início de ano desde 2018, impulsionado pela expectativa de que o Banco do Japão manterá o aperto monetário, enquanto outros bancos centrais seguem flexibilizando suas políticas. A valorização da moeda japonesa tende a impactar negativamente os exportadores, pois reduz o valor dos lucros obtidos no exterior ao serem convertidos para ienes.

Nos demais mercados da Ásia-Pacífico, as bolsas tiveram desempenhos variados. O índice Hang Seng, em Hong Kong, permaneceu fechado, assim como os índices SSEC e CSI300, na China. Na Coreia do Sul, o índice Kospi recuou 0,77%, fechando em 2.517 pontos. Em Taiwan, o índice Taiex não operou. Já em Cingapura, o Straits Times avançou 1,44%, atingindo 3.855 pontos. Na Austrália, o S&P/ASX 200 subiu 0,45%, encerrando a sessão em 8.532 pontos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Tarifas dos EUA colocam exportações brasileiras sob pressão e ampliam exigências de rastreabilidade no agronegócio

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O Brasil entrou em uma corrida contra o tempo para evitar novos obstáculos às exportações para os Estados Unidos. O governo brasileiro tem até 15 de julho para apresentar argumentos e negociar uma proposta americana que prevê a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos vinculados a suspeitas de trabalho forçado. Caso seja implementada e somada aos 25% já anunciados anteriormente pelos Estados Unidos, a cobrança poderá atingir 37,5% em determinados produtos brasileiros.

Embora os principais produtos do agronegócio nacional, como carne bovina, café, suco de laranja, petróleo e gás, permaneçam fora do escopo direto da investigação, especialistas alertam que o maior desafio pode estar além das tarifas: a crescente exigência internacional por rastreabilidade, governança e conformidade socioambiental.

Agronegócio brasileiro enfrenta risco reputacional crescente

A avaliação de analistas de mercado é que os impactos econômicos imediatos tendem a ser limitados para as principais cadeias exportadoras. No entanto, a inclusão do Brasil em uma discussão internacional relacionada ao combate ao trabalho forçado pode gerar efeitos indiretos relevantes sobre a imagem do país perante compradores, investidores e instituições financeiras.

O principal receio é que importadores passem a exigir processos mais rigorosos de auditoria, monitoramento da cadeia de suprimentos e comprovação da origem dos produtos. Esse movimento já vem ocorrendo em diversos mercados internacionais e pode ganhar força caso a proposta americana avance.

Para especialistas, a simples associação do Brasil a questionamentos sobre fiscalização trabalhista pode aumentar a pressão por certificações, mecanismos de rastreabilidade e controles adicionais de compliance, mesmo para empresas que não estejam diretamente relacionadas aos setores investigados.

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Cadeias produtivas precisarão reforçar transparência

O novo cenário reforça uma tendência global que vem transformando o comércio internacional. Cada vez mais, a competitividade dos exportadores não depende apenas de preço, qualidade e produtividade, mas também da capacidade de demonstrar conformidade com critérios ambientais, sociais e de governança.

No agronegócio, essa realidade se traduz na necessidade de ampliar investimentos em rastreabilidade, documentação de processos produtivos e monitoramento de fornecedores.

Empresas que já possuem sistemas robustos de controle tendem a enfrentar menos dificuldades. Por outro lado, organizações com baixa transparência operacional podem encontrar barreiras adicionais para acessar mercados estratégicos.

Crédito pode ficar mais seletivo

Além dos reflexos comerciais, o endurecimento das exigências regulatórias pode afetar o acesso ao crédito.

Instituições financeiras e investidores internacionais têm incorporado critérios ESG e de compliance em suas análises de risco. Nesse contexto, empresas com fragilidades em governança ou dificuldades para comprovar a origem de seus produtos podem enfrentar custos mais elevados de financiamento.

O movimento acompanha uma transformação global em que transparência e conformidade deixam de ser diferenciais e passam a representar requisitos básicos para obtenção de capital e participação em mercados internacionais.

Brasil terá seis semanas para negociar

O cronograma estabelecido pelas autoridades americanas prevê consulta pública e audiência em 6 de julho, com decisão final prevista para 15 de julho.

Até lá, especialistas defendem uma atuação coordenada entre governo e iniciativa privada. Entre as prioridades estão a ampliação das negociações diplomáticas, a apresentação de evidências sobre os mecanismos brasileiros de combate ao trabalho análogo à escravidão e o fortalecimento da interlocução com importadores e entidades empresariais dos Estados Unidos.

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Também ganha importância a mobilização de dados que demonstrem a relevância do Brasil para o abastecimento de matérias-primas estratégicas da economia americana, especialmente no agronegócio e na mineração.

Governança será diferencial competitivo

Para o mercado, o cenário ainda é considerado administrável. Entretanto, a discussão evidencia uma mudança estrutural no comércio internacional: as barreiras comerciais deixam de ser apenas tarifárias e passam a incorporar critérios regulatórios, sociais e reputacionais.

Nesse ambiente, a capacidade de comprovar origem, regularidade e conformidade torna-se um ativo estratégico para exportadores brasileiros.

A avaliação predominante entre especialistas é que empresas e cadeias produtivas capazes de demonstrar elevados padrões de governança terão vantagem competitiva nos próximos anos. Já aquelas que não conseguirem atender às novas exigências poderão enfrentar restrições comerciais, aumento do custo de capital e perda de espaço nos mercados internacionais.

Agronegócio brasileiro precisa transformar compliance em oportunidade

O avanço das exigências globais de rastreabilidade e responsabilidade social representa um desafio, mas também uma oportunidade para o agronegócio brasileiro consolidar sua imagem como fornecedor confiável e sustentável.

Com poucas semanas para o encerramento das negociações, o resultado dependerá não apenas da atuação diplomática do governo, mas também da capacidade do setor produtivo de demonstrar transparência, segurança jurídica e compromisso com as melhores práticas internacionais.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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