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Mulheres se destacam no 1º Concurso Regional de Qualidade dos Cafés do Cerrado

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A produtora Elen Lorencini Moraes, do município de Araxá, foi a grande campeã do 1º Concurso Regional de Qualidade dos Cafés do Cerrado, realizado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) e Sicoob Sacramento. Outra cafeicultora, Maria Abadia Guimarães Borges Santos, de Ibiá, recebeu o prêmio de Produtora Destaque. Aliás, as mulheres brilharam na competição, que pela primeira vez é realizada na região do Cerrado, uma das principais na produção de café em Minas Gerais. Dos seis vencedores, nas categorias Café Natural e Cereja Descascado, quatro são cafeicultoras.

O concurso recebeu mais de 30 inscrições, de cafés produzidos em sete municípios da região (Araxá, Campos Altos, Ibiá, Perdizes, Pratinha, Sacramento e Tapira). A cerimônia de premiação foi realizada nesta quinta-feira (30 de novembro), na Gruta dos Palhares, um dos principais pontos turísticos de Sacramento. Além do anúncio dos vencedores, os participantes do evento assistiram a palestras ministradas por coordenadores da Emater-MG sobre a melhoria da qualidade na cafeicultura.

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O diretor técnico da Emater-MG, Gelson Soares Lemes, destacou a importância dos concursos de qualidade de café para a valorização dos produtores que se empenham na excelência e sustentabilidade. “Cada vez mais, os grandes compradores, não apenas do Brasil, mas também do exterior, vão a essas regiões onde são realizados os concursos, em busca dos melhores grãos. É uma forma eficiente de agregar valor aos cafés, em sua maioria produzidos por agricultores familiares, de pequeno porte.”

Gelson Lemes ressaltou ainda o estímulo à participação feminina na cafeicultura: “Foi criada a categoria de Produtora Destaque, para reconhecer a cafeicultora mais empreendedora da região e que valoriza a sustentabilidade na propriedade”, explicou.

De acordo com o gerente regional da Emater-MG em Uberaba, Diego Rezende, o Concurso Regional de Qualidade dos Cafés, realizado pela unidade regional da Emater-MG e o Sicoob Sacramento, é uma metodologia da extensão rural voltada para enaltecer a tradição e a cultura, reconhecendo os produtores dedicados à produção de cafés de excelência. Ele acrescentou que a competição contribui para o aprimoramento da qualidade de vida dos cafeicultores, com o estímulo e a valorização do consumo de cafés de alta qualidade. “Além da geração de renda, também são destacadas as práticas sustentáveis de produção”, concluiu Diego.

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Confira a lista dos vencedores:

  • Categoria Café Natural:
    • 1º lugar – Elen Lorencini Moraes (Araxá)
    • 2º lugar – Maria Abadia Guimarães Borges Santos (Ibiá)
    • 3º lugar – Flavio Marcio Ferreira da Silva (Campos Altos)
  • Categoria Cereja Descascado:
    • 1º lugar – Marcelo Assis Nogueira (Campos Altos)
    • 2º lugar – Luciana Alves Leandro Melo (Pratinha)
    • 3º lugar – Sandra Maria Salgado Galli (Tapira)

Fonte: Assessoria de Comunicação – Emater-MG

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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