AGRONEGÓCIO
Mudanças no Mercado de Fertilizantes: Empresas Menores Ganham Espaço em Meio à Redução de Participação dos Gigantes
Publicado em
31 de julho de 2024por
Da RedaçãoO mercado de fertilizantes no Brasil está passando por transformações significativas, com uma crescente competição de empresas menores que oferecem preços mais atraentes. A desaceleração nas compras de fertilizantes pelos agricultores brasileiros, aliada à entrada de empresas provenientes de polos produtores de matérias-primas, está diminuindo a participação das grandes fabricantes no país.
Os preços das commodities agrícolas têm afetado o interesse dos produtores por fertilizantes, o que tem beneficiado empresas menos tradicionais que conseguem oferecer produtos a preços competitivos. Consequentemente, grandes nomes do setor, como a canadense Mosaic e a norueguesa Yara, viram sua participação no mercado brasileiro cair nos últimos três anos. A Mosaic viu sua fatia de mercado diminuir de 22% em 2021 para 17% em 2023, enquanto a Yara reduziu sua participação de 18% em 2021 para 11% no ano passado.
Por outro lado, empresas como a estatal marroquina OCP e a estatal bielorrussa BCP, que não figuravam entre as dez maiores do setor em 2021, passaram a detém 5% do mercado nacional cada em 2023. A BCP, principal exportadora de potássio, e a OCP, líder na exportação de fósforo, têm desempenhado papel crucial no fornecimento desses nutrientes essenciais para adubos.
De acordo com a consultoria StoneX, que analisou dados de importação e produção nacional, a tendência de redução de participação das grandes empresas deve continuar em 2024. Marcelo Mello, analista da StoneX, afirma que “a tendência de redução de volume e perda de market share [dessas empresas] seguirá”.
A entrada da BCP no mercado brasileiro em 2023 foi impulsionada pelas sanções ocidentais contra Belarus, que afetaram a exportação de potássio. Em resposta, Belarus passou a oferecer preços com descontos significativos para outros importadores, pressionando os preços do potássio. Segundo Bruno Fonseca, analista do Rabobank, as renegociações com grandes importadores, como China e Índia, resultaram em preços de 12% a 14% abaixo do mercado, o que está pressionando para baixo o preço do potássio.
Essas mudanças têm afetado diretamente grandes empresas como a Yara, que passou a buscar fornecedores alternativos como a Rússia e o Marrocos. No entanto, as sanções à Rússia, em decorrência da guerra na Ucrânia, tornaram essa alternativa inviável. A Yara teve que recorrer a outros fornecedores, como Marrocos e Canadá, que são grandes concorrentes.
A OCP, por sua vez, tem se beneficiado do aumento da demanda brasileira por adubos fosfatados. O acesso a altos volumes de fósforo permitiu à empresa oferecer preços competitivos e expandir sua presença no mercado. A Eurochem, que adquiriu a Fertilizantes Tocantins e a Heringer, também viu um crescimento significativo, passando de uma participação de 6% em 2021 para 12% em 2023, consolidando-se como a segunda maior empresa do setor no Brasil.
Gustavo Horbarch, diretor-presidente da EuroChem na América do Sul, ressalta que a empresa investiu mais de US$ 2,5 bilhões na região desde 2016, com foco em aquisições e desenvolvimento de projetos, como o da Serra do Salitre (MG).
A Yara reconhece que os fatores geopolíticos relacionados à Rússia e Belarus têm impactado o mercado no Brasil, que depende fortemente das importações. Apesar dos desafios, a empresa mantém produção própria e uma rede diversificada de fornecedores.
A Mosaic, procurada para comentar sobre a mudança no mercado, não se manifestou. Para Fonseca, do Rabobank, a atual crise na indústria de insumos, agravada pela guerra entre Ucrânia e Rússia, tem levado outras empresas, como a israelense ICL, a estabelecer plantas no Brasil para otimizar a distribuição. Além disso, a inadimplência de revendas e o aumento no uso de bioinsumos são fatores que também estão remodelando o setor de fertilizantes.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil
Published
3 horas agoon
3 de junho de 2026By
Da Redação
As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.
Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.
Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural
O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.
Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.
De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.
Agro sente impacto de forma gradual
Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.
O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.
A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.
Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.
Inflação dos alimentos pode ganhar força
O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.
Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.
Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.
Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.
Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada
Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.
As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.
Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.
Agronegócio acompanha cenário com atenção
Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.
O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.
Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.
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Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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