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Moinhos de Farinha Enfrentam Desafios com Estoques Controlados por Produtores de Trigo

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Os produtores de trigo em grandes países exportadores estão reduzindo suas vendas, insatisfeitos com os preços mais baixos registrados nos últimos quatro anos. Segundo agentes do setor, agricultores têm optado por segurar suas colheitas, o que pressiona os fabricantes de farinha, já que os estoques disponíveis estão cada vez menores, expondo o mercado a possíveis aumentos nos preços.

Processadores de grãos, que tradicionalmente garantem suprimentos com três a quatro meses de antecedência, agora trabalham com estoques significativamente reduzidos. Na Ásia, incluindo a Indonésia, o segundo maior importador global de trigo, os moinhos possuem cobertura para apenas dois meses. No Oriente Médio, a maioria dos processadores dispõe de suprimentos para apenas 45 dias, de acordo com traders e moageiros.

Essa escassez reduz a margem de segurança diante de possíveis déficits de produção, enquanto as projeções indicam que os estoques globais de trigo podem atingir o menor nível em nove anos, o que pode agravar a inflação dos alimentos.

Mercado Resistente e Preços Baixos

Os preços globais do trigo vêm caindo desde 2020, impulsionados pela alta produção em países como Austrália e Argentina, além de condições climáticas favoráveis em regiões-chave como Estados Unidos e o Mar Negro. Em resposta, os agricultores têm preferido armazenar suas safras, na expectativa de cotações melhores.

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Na Austrália, o quarto maior exportador mundial de trigo, o ritmo de vendas é a metade do registrado no ano passado, com apenas 500 mil toneladas contratadas para embarque em novembro. Nos Estados Unidos e em partes da região do Mar Negro, os grãos colhidos no início do ano permanecem em silos, aguardando preços mais atrativos.

“Os agricultores não estão satisfeitos com os preços atuais”, afirmou um trader de uma trading internacional em Cingapura. A resistência é generalizada, com relatos semelhantes em diversos países exportadores.

No mercado físico, o trigo do Mar Negro com 12,5% de proteína é oferecido a 265 dólares por tonelada (C&F), abaixo dos 275 dólares de semanas anteriores. Já o trigo australiano Premium White está cotado a 280 dólares por tonelada (C&F), também em queda em relação aos 290 dólares.

Impacto nos Moinhos e Previsões para o Setor

A falta de oferta dos agricultores, aliada às altas taxas de juros, também tem dificultado os moinhos a manter estoques mais robustos. “A menor cobertura nos deixa vulneráveis, mas com juros altos, manter grandes estoques não é viável”, destacou um gerente de compras de um moinho de farinha no Oriente Médio.

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Embora a produção no hemisfério sul esteja sólida, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê uma queda nos estoques globais de trigo para o nível mais baixo em quase uma década até meados de 2024.

Além disso, as colheitas no hemisfério norte ainda enfrentam etapas críticas de desenvolvimento. “Qualquer problema climático até a colheita de julho pode impulsionar uma alta nos preços, considerando a atual escassez nos estoques”, afirmou Ole Houe, diretor da consultoria IKON Commodities.

Enquanto isso, a Rússia, maior exportador global de trigo, enfrenta um possível esgotamento de seus suprimentos. A nova cota de exportação de grãos, válida de fevereiro a junho, pode ser quase três vezes menor do que as 29 milhões de toneladas do ciclo anterior, o que adiciona mais incertezas ao mercado global de trigo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro

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A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.

A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.

A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.

Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.

O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.

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A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.

O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.

Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.

Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.

A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.

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Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.

O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.

A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.

Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.

Fonte: Pensar Agro

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