AGRONEGÓCIO

Modelo Sustentável de Criação de Suínos: O Sistema Siscal

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Na fazenda Simone, localizada na Comunidade Quilombo, em Divinópolis, Centro-Oeste de Minas Gerais, mais de mil suínos são criados em um ambiente que prioriza o bem-estar animal. Os porcos vivem livres, com acesso à água em abundância e alimentação balanceada e orgânica. José Márcio Zanardi, que arrendou a propriedade há oito anos, decidiu investir no Sistema Intensivo de Suínos Criados ao Ar Livre (Siscal), motivado por preocupações com a sustentabilidade e o desejo de preservar uma tradição familiar, já que faz parte da quarta geração de suinocultores.

A fazenda ocupa uma área total de 44 hectares, dos quais 18 são dedicados exclusivamente à criação de suínos. Além dessa atividade, José Márcio também trabalha no serviço público e mantém uma pequena produção de leite para consumo próprio. Para a criação, ele optou pelas raças Piau e Duroc, reconhecidas por sua boa adaptação às variações climáticas e pela qualidade da carne. “O sistema Siscal que implementamos aqui foi baseado no manual da Embrapa, e, com o auxílio da Emater, realizamos adaptações conforme a viabilidade e os custos”, explica.

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Manejo e Qualidade da Carne

De acordo com Lamartine Wéliton Branquinho, coordenador regional de pecuária da Emater-MG, a criação é realizada em piquetes, onde a alimentação é disponibilizada diretamente no solo. Essa prática permite a incorporação de minerais ao alimento, resultando em melhor absorção de nutrientes e, consequentemente, na saúde dos animais, que apresentam menores índices de doenças e mortalidade.

Na propriedade, a alimentação é orgânica, com plantio de moringa, banana, abóbora e milho, o que contribui para uma dieta mais saudável e, portanto, uma carne de melhor qualidade. José Márcio enfatiza que a superioridade da carne não é apenas resultado da alimentação, mas também do respeito ao tempo de crescimento dos animais, que vivem em grupo e têm acesso ao ar livre.

“Estamos respeitando o tempo normal de crescimento do animal, promovendo sua convivência com os pares e garantindo água em abundância”, acrescenta. Entre as vantagens do sistema, destaca-se o menor custo de instalação em comparação ao confinamento, além da ausência de odores fortes. Contudo, existem desafios, como a necessidade de uma área maior para a criação e um ciclo de produção mais longo em relação aos suínos criados em confinamento, conforme observa o técnico da Emater-MG, Giovani Chaves.

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Comercialização e Expansão

Os produtos processados na agroindústria Casa do Porco Verde, inaugurada em 2018 e certificada pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM) em 2019, incluem lombo, pernil, suã, kits para feijoada e defumados. O nome da agroindústria reflete o método de criação dos suínos e a busca por práticas sustentáveis.

A diretora da Secretaria de Agronegócios de Divinópolis, Amélia Soares Branco, ressalta a importância da regularização do negócio. “O SIM proporciona segurança à produção e amplia as possibilidades de comercialização”, afirma. Os produtos são vendidos na loja que leva o mesmo nome da agroindústria, e José Márcio planeja expandir o mercado consumidor. “Estamos trabalhando para obter o Selo Arte, que nos permitirá vender em outras localidades fora do município, o que esperamos ampliar a produção, a fábrica, a loja e o número de funcionários, gerando mais renda”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Exportações do agronegócio brasileiro disparam e abril registra segundo melhor resultado da história

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O agronegócio brasileiro voltou a mostrar força no mercado internacional em abril de 2026. As exportações do setor alcançaram US$ 16,6 bilhões no período, crescimento de 12% em relação ao mesmo mês do ano passado e o segundo melhor resultado mensal da série histórica, ficando atrás apenas de maio de 2023.

Os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e analisados pela Consultoria Agro do Itaú BBA mostram avanço consistente das vendas externas, puxado principalmente pelo complexo soja, proteínas animais e algodão.

Complexo soja lidera exportações e garante avanço da receita

A soja voltou a ser o principal motor das exportações brasileiras. Em abril, os embarques do grão atingiram 16,7 milhões de toneladas, maior volume mensal do ano, gerando receita de US$ 7 bilhões.

Além do aumento da disponibilidade da safra brasileira, o preço médio da commodity também subiu e alcançou US$ 416 por tonelada, alta anual de 8,4%.

O farelo de soja também apresentou desempenho positivo:

  • Volume exportado: 2,4 milhões de toneladas
  • Crescimento anual: 13%
  • Preço médio: US$ 363/t

Já o óleo de soja teve comportamento distinto. Apesar da queda de 7,8% no volume exportado, os preços avançaram pelo quinto mês consecutivo, alcançando US$ 1.191/t, alta de 15% frente a abril de 2025.

Carne bovina ganha força com demanda chinesa aquecida

O setor de proteínas animais manteve ritmo forte nas exportações, especialmente na carne bovina.

Os embarques de carne bovina in natura cresceram 4,3% em relação a abril do ano passado, somando 252 mil toneladas. A China permaneceu como principal destino, absorvendo 54% do total exportado.

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O principal destaque, no entanto, veio da valorização dos preços:

  • Preço médio da carne bovina: US$ 6.241/t
  • Alta anual: 24%
  • Alta frente a março: 7,3%

Segundo a análise, os chineses aumentaram os preços pagos pela proteína brasileira, influenciando diretamente o movimento de valorização internacional.

Carne suína e frango seguem em expansão

A carne suína também apresentou desempenho positivo:

  • Volume exportado: 121 mil toneladas
  • Crescimento anual: 9,7%
  • Preço médio estável em US$ 2.497/t

Já a carne de frango in natura somou 417 mil toneladas embarcadas, avanço de 2,5% sobre abril de 2025. Os preços médios chegaram a US$ 1.949/t, crescimento anual de 2,1%.

Açúcar perde valor e etanol recua nas exportações

No complexo sucroenergético, o cenário foi mais desafiador.

As exportações de etanol recuaram 50% em volume frente ao mesmo período do ano anterior, totalizando 87 mil toneladas. Apesar disso, os preços subiram 8%, chegando a US$ 624/m³.

O açúcar VHP registrou:

  • Volume exportado: 958 mil toneladas
  • Alta de 1,2% nos embarques
  • Queda de 23% no preço médio

O açúcar refinado também perdeu valor, com retração de 19% nos preços em relação a abril do ano passado.

Algodão dispara em volume, mas preços seguem pressionados

O algodão em pluma teve um dos maiores avanços do período em volume exportado.

Os embarques atingiram 348 mil toneladas, crescimento expressivo de 55% frente a abril de 2025. Entretanto, os preços continuam em trajetória de queda e recuaram 7,3% na comparação anual, chegando a US$ 1.513/t.

Fertilizantes enfrentam impacto da guerra no Oriente Médio

Enquanto as exportações avançaram, as importações de fertilizantes mostraram desaceleração em abril.

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O volume total importado caiu 11% na comparação anual, somando 3,2 milhões de toneladas. O mercado segue pressionado pelos impactos geopolíticos da guerra no Oriente Médio, que elevou preços internacionais e gerou dificuldades logísticas.

Entre os destaques:

  • Forte queda nas importações de fosfatados
  • Redução de cerca de 200 mil toneladas de ureia
  • Aumento equivalente nas compras de sulfato de amônio

O MAP foi importado a US$ 733/t FOB, alta de 16% sobre abril de 2025. Já a ureia alcançou US$ 574/t FOB, disparando 55% na comparação anual.

Segundo o relatório, parte relevante dos embarques ainda reflete contratos fechados anteriormente, o que reduz a capacidade dos dados atuais retratarem totalmente as condições mais recentes do mercado global.

Café perde receita mesmo com preços ainda elevados

Outro ponto de atenção foi o café verde.

Entre janeiro e abril de 2026, as exportações do produto somaram US$ 4,1 bilhões, mas o volume embarcado caiu 25% frente ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, os preços médios permaneceram elevados em US$ 6.773/t.

Agro mantém protagonismo nas contas externas brasileiras

Os números reforçam o protagonismo do agronegócio na balança comercial brasileira em 2026, especialmente em um cenário global marcado por volatilidade, tensões geopolíticas e juros elevados nas principais economias.

Com forte demanda internacional por alimentos e proteínas, o Brasil segue ampliando sua presença no comércio global, sustentado principalmente pela competitividade da soja, carnes e fibras naturais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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