AGRONEGÓCIO
Minas Gerais lança certificação para produtores rurais comprometidos com a regeneração do solo e sustentabilidade no campo
Publicado em
7 de novembro de 2025por
Da Redação
O Governo de Minas Gerais anunciou uma nova certificação voltada a produtores rurais que aplicam práticas sustentáveis e regenerativas no campo. A iniciativa foi lançada nesta quinta-feira (6/11), durante a Semana Internacional do Café (SIC), e integra o Programa Certifica Minas, coordenado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).
A nova categoria, chamada “Agricultura Regenerativa”, tem como objetivo reconhecer propriedades que adotam técnicas voltadas à restauração dos solos, aumento da biodiversidade e recuperação de ecossistemas produtivos, promovendo a harmonia entre produtividade e conservação ambiental.
Agricultura regenerativa ganha espaço e agrega valor ao café mineiro
De acordo com Luiza de Castro, diretora-geral do IMA, a criação dessa nova categoria representa um marco para o agronegócio mineiro, especialmente para a cafeicultura.
“Ao formalizar práticas conservacionistas, a certificação agrega valor ao café mineiro e oferece um diferencial competitivo nos mercados que priorizam produtos ambientalmente responsáveis”, destacou.
Desde sua criação, em 2018, o Certifica Minas já atestou mais de 9,6 mil propriedades rurais em todo o estado, abrangendo 15 categorias distintas. O programa é integrado à plataforma SeloVerde MG, reforçando o compromisso de Minas Gerais com a transparência, sustentabilidade e rastreabilidade da produção agropecuária.
Benefícios para produtores e consumidores
A certificação em Agricultura Regenerativa traz vantagens diretas tanto para quem produz quanto para quem consome.
Para os produtores, significa maior visibilidade no mercado, acesso a nichos consumidores mais exigentes e valorização de produtos com origem comprovadamente sustentável. Já para os consumidores, representa confiança e transparência, com a garantia de que o produto respeita o meio ambiente e contribui para sua regeneração.
Segundo Maíra Ferman, coordenadora da Superintendência de Inovação e Economia Agropecuária da Seapa, a certificação promove sistemas agrícolas mais eficientes e equilibrados:
“Ela estimula o manejo integrado do solo, da água e da biodiversidade, reduzindo custos com insumos e fortalecendo a imagem dos produtos mineiros”, explicou.
Certificação acompanha tendências globais de sustentabilidade
A nova certificação mineira também está alinhada às tendências internacionais de consumo e produção sustentável. A agricultura regenerativa vem sendo amplamente reconhecida como uma estratégia essencial no enfrentamento das mudanças climáticas, ao promover sistemas agrícolas mais resilientes e de baixo impacto ambiental.
Para Maíra, Minas reafirma seu papel de liderança nesse movimento:
“Com a inclusão da categoria de Agricultura Regenerativa, o estado se consolida como pioneiro na construção de um agronegócio mais verde, competitivo e responsável”, destacou.
Como obter o selo “Certifica Minas”
Os produtores interessados em obter o Certificado de Agricultura Regenerativa deverão protocolar um requerimento junto ao IMA, acompanhado de toda a documentação de posse da terra e identificação pessoal.
A concessão do selo levará em conta critérios como:
- Uso racional da água e conservação do solo;
- Boas práticas trabalhistas e respeito à legislação;
- Qualidade e rastreabilidade da produção;
- Gestão eficiente da propriedade, com registros e planejamento das atividades.
Antes da auditoria, o produtor poderá solicitar assistência técnica da Emater-MG, que oferecerá apoio para adequar a propriedade às exigências do programa.
As normas completas e o formulário de inscrição estarão disponíveis no site do IMA a partir de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Pressão sobre preços nos EUA abre nova oportunidade para o agronegócio brasileiro
Published
5 horas agoon
28 de agosto de 2026By
Da Redação
A escalada do custo dos alimentos e dos combustíveis nos Estados Unidos começa a produzir uma mudança que pode favorecer o agronegócio brasileiro. Pressionado pela inflação e pela proximidade das eleições legislativas de novembro, o governo de Donald Trump passou a adotar medidas para ampliar a oferta de produtos e tentar reduzir preços ao consumidor. Na carne bovina, a decisão já abre uma nova janela para exportadores do Brasil.
Trump autorizou nesta semana a entrada adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra pelas condições mais favoráveis da cota tarifária americana. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, entre setembro e novembro, e ficará disponível para países enquadrados na categoria de “outros países ou áreas”, na qual o Brasil disputa espaço com outros fornecedores.
A mudança é relevante porque a cota compartilhada à qual a carne brasileira tem acesso normalmente é preenchida rapidamente. Depois de esgotado o limite, os embarques passam a enfrentar uma tarifa extra-cota de 26,4%, reduzindo a competitividade do produto.
Com a ampliação temporária, abre-se espaço para que mais carne brasileira chegue ao mercado norte-americano sem essa tarifa adicional. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera a medida uma oportunidade comercial, embora ressalte que o Brasil terá de disputar o novo volume com outros países habilitados.
O momento é particularmente favorável porque os Estados Unidos enfrentam falta de animais. O rebanho bovino americano caiu para o menor nível em cerca de 75 anos, depois de anos de seca, custos elevados e redução do número de matrizes. Como a recomposição do plantel leva tempo, aumentar as importações tornou-se uma das alternativas de curto prazo para ampliar a oferta.
O Brasil chega a essa abertura em posição importante. Entre janeiro e julho deste ano, os Estados Unidos compraram 233,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, 17,1% mais que no mesmo período de 2025, tornando-se o segundo maior destino do produto nacional.
No total, o Brasil exportou 1,97 milhão de toneladas de carne bovina nos primeiros sete meses de 2026, crescimento de 9,9%. A China continua como principal compradora, mas a abertura de espaço adicional nos Estados Unidos ganha importância justamente porque permite ao setor reduzir a dependência do mercado chinês.
Para o pecuarista brasileiro, uma demanda externa maior significa mais competição pela matéria-prima dentro do País. O efeito sobre a arroba não é automático, mas novos canais de exportação tendem a ampliar as alternativas comerciais dos frigoríficos e, principalmente em períodos de oferta mais ajustada de animais, podem contribuir para dar sustentação aos preços pagos pelo boi.
Combustível entra na mesma pressão
A carne não é o único produto que levou o governo americano a buscar alternativas para aumentar a oferta. A guerra contra o Irã elevou fortemente os preços do petróleo e levou a gasolina comum nos Estados Unidos para acima de US$ 4 por galão, cerca de US$ 1 a mais que há um ano.
Trump deve se reunir na próxima semana com representantes de refinarias e grandes redes de combustíveis para discutir formas de reduzir o preço nas bombas. O petróleo chegou a superar US$ 110 por barril durante o conflito, principalmente depois das restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava aproximadamente 20% do petróleo mundial.
Nesta sexta-feira (28), as cotações internacionais recuavam e caminhavam para encerrar a semana em queda, acompanhando a retomada parcial do fluxo de navios pela região. Ainda assim, o petróleo permanece bem acima dos níveis anteriores à guerra.
A situação colocou também os biocombustíveis no centro da disputa. Os Estados Unidos possuem uma das maiores indústrias de etanol do mundo e adotaram neste ano metas recordes de incorporação de combustíveis renováveis. Ao mesmo tempo, refinarias pressionam por dispensas que reduziriam temporariamente suas obrigações de mistura.
O governo Trump discute justamente como aliviar os custos das refinarias sem prejudicar agricultores e produtores de biocombustíveis. Uma das possibilidades avaliadas é compensar eventuais dispensas concedidas agora com aumento das metas de combustíveis renováveis em 2027.
Para o Brasil, maior utilização de etanol nos Estados Unidos seria positiva para o mercado internacional, mas ainda não há uma decisão que permita afirmar que haverá aumento das compras do produto brasileiro. Ao contrário da carne bovina, portanto, a oportunidade para o etanol ainda é potencial.
O ponto em comum entre os dois mercados está na mudança de prioridade em Washington. Com alimentos e combustíveis mais caros pressionando o orçamento das famílias, o governo americano passou a procurar rapidamente formas de aumentar a oferta e reduzir custos.
Na carne, essa necessidade já derrubou parcialmente uma barreira que limitava o acesso ao maior mercado consumidor do mundo. Para o Brasil, que já é o maior exportador global de carne bovina e tem capacidade para ampliar embarques, a crise de preços americana pode se transformar em uma oportunidade adicional para pecuaristas e frigoríficos nos últimos meses de 2026.
Fonte: Pensar Agro
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