AGRONEGÓCIO
Milho: Sistema de monitoramento fornece suporte a produtores do Rio Grande do Sul frente à cigarrinha-do-milho
Publicado em
22 de novembro de 2023por
Da RedaçãoÀ frente de um sistema cooperativo formado por 30 cooperativas singulares associadas, a gaúcha CCGL, uma das maiores do setor no país, com mais de 130 mil produtores integrados, colocou em funcionamento, há aproximadamente três anos, uma rede de monitoramento para prevenir danos ocasionados pela cigarrinha-do-milho. Com cerca de 500 mil hectares do cereal atendidos por sua equipe técnica, a cooperativa começou a mapear populações da praga em 2021, em 35 municípios, número que saltou para quase 80 desde então.
“Em alguns pontos, mantemos o monitoramento nos 365 dias do ano. O modelo traz informações importantes acerca do comportamento e da flutuação populacional da praga”, resume Glauber Renato Stürmer, engenheiro agrônomo, mestre e doutor, responsável pelo setor de entomologia da CCGL, além de experiente profissional da área de proteção de cultivos.
Conforme Stürmer, a rede de monitoramento foi idealizada na CCGL logo após a cigarrinha chegar com mais intensidade ao estado, na safra agrícola 2020/21, em época de milho safra. “Não a detectamos na fase mais suscetível da cultura. Depois, observamos plantas tombando e todo o impacto danoso das doenças decorrentes do inseto, como o enfezamento, na fase reprodutiva do milho”, recorda o pesquisador.
Segundo Stürmer, o plantio de milho no RS leva em conta um calendário que, em tese, favorece o avanço da praga. Regiões mais quentes semeiam o cereal a partir de julho. Já áreas mais frias, a exemplo de Cruz Alta, plantam em setembro, enquanto de Passo Fundo a Vacaria, outros pontos de concentração de lavouras, cultivam do início de setembro a outubro.
“Rio Grande do Sul e Santa Catarina tendem a ‘sofrer’ mais do que outras regiões em relação a desdobramentos da cigarrinha”, destaca Stürmer, “basicamente pelo nosso módulo rural, por ter milho no campo 365 dias e pela sobreposição do milho safrinha ao milho safra.” O entomologista revela já ter constatado, em lavouras gaúchas, perdas da ordem de 95% da produção de milho em virtude da ação da praga.
“Além de quantitativas, as perdas do produtor são também qualitativas. Os insetos debilitam plantas, as infectam com bactérias, afetam o aparato fotossintético, favorecem a ocorrência de Fusarium sp. e outras doenças que culminam na podridão da base do colmo, na podridão de base da espiga. Isso leva ao tombamento total da lavoura.”
Mudanças climáticas verificadas no RS recentemente trouxeram outra variável a desafiar o produtor de milho na safra, conforme Glauber Stürmer. “Nosso inverno está cada vez mais ameno. Em 2023 não tivemos frio.” Esse cenário, ele frisa, foi responsável, há pouco, por um alto pico populacional de cigarrinha, quadro normalmente visto em fevereiro, março, na safrinha. “Na cidade de Santa Rosa, por exemplo, registramos populações absurdas.”
Para o pesquisador, além do ‘modulo rural’ e do clima, entender sobre a tolerância genética do material a ser semeado é de suma importância. “Alguns híbridos apresentam baixa tolerância aos enfezamentos, mas ao mesmo tempo são altamente produtivos e apresentam ciclos mais curtos, facilitando o encaixe de mais um cultivo. Nesses casos, a atenção com a cigarrinha deve ser redobrada,”
Integração de ferramentas e controle de ‘ninfas’
De acordo com o entomologista da CCGL, ainda neste 2023, a rede de monitoramento do sistema cooperativo capturou, pela primeira vez, populações ‘bacterilíferas’ para três das principais patologias ou doenças transmitidas pela cigarrinha-do-milho: fitoplasma, espiroplasma e virose-do-raiado-fino.
Conforme Stürmer, não existe solução única, “mas uma integração de táticas de manejo”, para minimizar perdas da cigarrinha. “Recomendamos aplicação de inseticida mais cedo, uma proteção até V8, V10. Lembremos de que a praga, por se alimentar do cartucho da planta de milho, requer intervalos curtos e aplicações sequenciais. O desenvolvimento de novas folhas no cartucho ocorre rapidamente, o que acarreta em baixo residual dos inseticidas”, diz.
“Ferramentas efetivas, intervalos curtos, entender que deve ser feito o manejo para adultos e também de ninfas, ou formas jovens do inseto, também é importante”, continua Stürmer. Segundo ele, monitorar eficazmente as lavouras constitui fator chave na execução de um “manejo robusto” frente à cigarrinha.
“Ações para quebrar o ciclo da praga são capazes de reduzir sua população, sempre lembrando que temos em torno de trinta dias para proteger melhor a lavoura. E quando você está diante de uma praga com muitas gerações, surge a resistência dela a determinados produtos. Por isso é preciso, ainda, rotacionar os inseticidas, para não perder boas ferramentas de controle”, conclui Glauber Renato Stürmer.
Ao longo da safra de milho do Rio Grande do Sul, com base nas informações dos quase 80 pontos de monitoramento da cooperativa, a CCGL emite alertas a produtores associados no tocante a medidas mais indicadas para conter a praga. Produz também boletins técnicos, webinares e disponibiliza a plataforma digital ‘SmartCoop’, uma ferramenta de última geração, exclusiva dos cooperados.
Fonte: Sipcam Nichino Brasil
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Colheita passa da metade, mas chuva atrasa máquinas e aumenta risco de perdas
Published
13 horas agoon
27 de julho de 2026By
Da Redação
A colheita do milho safrinha entrou na segunda metade no Brasil, puxada pelo avanço das máquinas em Mato Grosso. O ritmo nacional, entretanto, continua abaixo do registrado no ano passado, enquanto chuvas e elevada umidade dos grãos dificultam os trabalhos no Paraná e em Mato Grosso do Sul.
O último levantamento consolidado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrava 49,8% da área colhida até 18 de julho, ante 55,5% no mesmo período de 2025 e uma média de 56,7% nos últimos cinco anos. Dados estaduais divulgados posteriormente indicam que o País já ultrapassou a metade da área, embora ainda não exista um novo percentual nacional consolidado.
A segunda safra concentra aproximadamente 77% de todo o milho produzido no Brasil. A Conab estima uma colheita de 109,43 milhões de toneladas, dentro de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, considerando também as safras de verão e a terceira safra.
Mato Grosso está mais próximo de concluir os trabalhos. Até sexta-feira (24), os produtores haviam retirado o cereal de 90,66% da área, avanço de 11,74 pontos percentuais em uma semana. O índice supera ligeiramente os 90,37% observados no mesmo período do ano passado, mas permanece abaixo da média de 92,68% dos últimos cinco anos.
No Médio-Norte mato-grossense, principal polo produtor do cereal, a colheita chegou a 98,03%. Mantido o ritmo atual e sem novas interrupções climáticas, o Estado deverá encerrar a maior parte dos trabalhos entre o fim de julho e o início de agosto.
Mato Grosso deve colher um recorde de 57,06 milhões de toneladas, mais da metade de todo o milho segunda safra previsto pela Conab para o Brasil. A produtividade estadual foi estimada em 128,64 sacas por hectare, resultado favorecido pelo desempenho das lavouras do Médio-Norte.
A situação é diferente no Paraná. A colheita havia alcançado 29% da área no início da última semana, ante 40% no mesmo período de 2025 e 67% em 2024. Além do plantio mais tardio, as chuvas recentes impediram a entrada das máquinas em várias propriedades e mantiveram elevada a umidade dos grãos.
O Paraná deverá concentrar a retirada do milho durante agosto. Parte dos trabalhos poderá avançar por setembro, especialmente nas áreas implantadas mais tarde. O Estado cultiva aproximadamente 2,9 milhões de hectares e espera colher cerca de 17,4 milhões de toneladas na segunda safra.
As precipitações da semana passada reduziram o ritmo, mas ainda não há confirmação de perdas expressivas provocadas diretamente pelas chuvas. Segundo técnicos do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), o principal efeito observado até agora é operacional. O excesso de umidade impede a colheita e aumenta os gastos com secagem, mas a extensão de eventuais danos dependerá do tempo de permanência do milho maduro no campo.
Quanto maior a demora, maior o risco de germinação dos grãos na espiga, ocorrência de fungos, tombamento das plantas e redução do padrão comercial. A umidade também pode provocar filas nos armazéns e limitar o recebimento das cargas, sobretudo quando muitos produtores retomam a colheita ao mesmo tempo após a abertura do tempo.
Em Mato Grosso do Sul, a retirada do cereal chegou a 15,8% da área até 17 de julho, ante 8,2% na semana anterior. Apesar da aceleração, o Estado permanece atrás do ritmo da safra passada. As chuvas registradas desde junho elevaram a umidade dos grãos e retardaram a entrada das máquinas.
A produção sul-mato-grossense está estimada em 11,14 milhões de toneladas, cultivadas em 2,2 milhões de hectares. Historicamente, a colheita ganha força na segunda quinzena de julho e atinge o pico entre o fim deste mês e o início de setembro. Por isso, o atraso atual ainda pode ser parcialmente recuperado se houver uma sequência de dias secos.
Goiás havia colhido 28% da área até 18 de julho. No Estado, a maior preocupação não está apenas no calendário. Períodos de estiagem registrados em abril e maio atingiram as lavouras durante fases importantes do desenvolvimento e reduziram o potencial produtivo em diferentes regiões.
A falta de chuva também afetou áreas de Minas Gerais, São Paulo e Piauí. Nesses locais, a colheita deverá confirmar perdas provocadas por espigas menores, falhas no enchimento dos grãos e redução da produtividade. O impacto varia conforme a época de plantio e o estágio em que cada lavoura enfrentou o déficit hídrico.
No Rio Grande do Sul, os temporais da última semana causaram alagamentos e danos em mais de 200 municípios. O impacto sobre a produção nacional de milho, porém, tende a ser limitado porque o Estado concentra sua produção na primeira safra, que já havia sido praticamente concluída antes das chuvas. Os maiores riscos imediatos estão nas estradas rurais, nas estruturas das propriedades e nas culturas de inverno.
Pelo calendário dos principais estados produtores, a maior parte da segunda safra brasileira deverá ser retirada até o fim de agosto. Áreas implantadas mais tarde no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em partes do Matopiba poderão permanecer no campo durante setembro.
O volume final continuará elevado, mas a diferença entre as regiões será significativa. Mato Grosso caminha para uma colheita recorde e praticamente concluída, enquanto produtores de outros estados ainda enfrentam atraso, umidade excessiva ou perdas causadas pela estiagem.
Fonte: Pensar Agro
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