AGRONEGÓCIO

Milho recua em Chicago com início do plantio nos EUA e mercado brasileiro opera com baixa liquidez

Publicado em

A terça-feira (7) começou com pressão negativa para os preços internacionais do milho, enquanto o mercado brasileiro apresentou comportamento misto, refletindo um cenário de incertezas externas, avanço da colheita e ritmo lento nas negociações internas.

Chicago recua com início do plantio nos Estados Unidos

Os contratos futuros do milho iniciaram o dia em queda na Chicago Board of Trade, com o mercado ajustando posições diante do início do plantio da nova safra norte-americana.

Os principais vencimentos operavam com leves perdas:

  • Maio/26: US$ 4,53 (-1 ponto)
  • Julho/26: US$ 4,64 (-1 ponto)
  • Setembro/26: US$ 4,68 (-0,75 ponto)
  • Dezembro/26: US$ 4,82 (-0,50 ponto)

Segundo análise do portal Farm Futures, mesmo com a escalada das tensões no Oriente Médio elevando os preços do petróleo, o milho vem se descolando desse movimento.

De acordo com o analista Bruce Blythe, o mercado começa a direcionar seu foco para fatores sazonais, como o clima e o avanço do plantio nos Estados Unidos. A avaliação é de que as apostas altistas de fundos especulativos podem perder força com o progresso das lavouras, a menos que haja uma intensificação significativa das tensões geopolíticas.

USDA aponta início do plantio da nova safra

O USDA divulgou sua primeira atualização da safra 2026, indicando que 3% da área de milho já foi semeada no país.

Leia Também:  Impacto das Tarifas da União Europeia sobre Grãos dos EUA Pode Afetar Setor Pecuário, Afirma FEFAC

O dado reforça o início do ciclo produtivo norte-americano, fator que tende a influenciar diretamente a formação de preços no mercado internacional nas próximas semanas.

B3 abre com variações mistas e pouca oscilação

No Brasil, os contratos futuros negociados na B3 iniciaram o dia com comportamento misto e oscilações limitadas.

Por volta das 10h07 (horário de Brasília), as cotações variavam entre R$ 70,61 e R$ 75,90:

  • Maio/26: R$ 71,17 (+0,23%)
  • Julho/26: R$ 70,61 (-0,13%)
  • Setembro/26: R$ 72,24 (-0,36%)
  • Janeiro/27: R$ 75,90 (-0,26%)

O desempenho reflete um mercado cauteloso, ainda impactado por fatores externos e pela dinâmica interna de oferta e demanda.

Mercado físico segue travado no Brasil

No mercado interno, a comercialização continua lenta, com produtores retraídos diante da volatilidade do petróleo, do aumento nos custos de frete e das incertezas globais.

Segundo análise da TF Agroeconômica, esse cenário tem limitado os negócios e mantido pequenas variações nos preços. Em Campinas, o indicador voltou a se sustentar após recuos recentes, enquanto no campo as condições climáticas favorecem tanto a colheita da primeira safra quanto o plantio da segunda.

Situação nas principais regiões produtoras
  • Sul do Brasil
    • A colheita segue avançando, mas o mercado apresenta baixa liquidez:
      • Rio Grande do Sul: preços entre R$ 56,00 e R$ 62,00 por saca
      • Santa Catarina: colheita próxima do fim, com negociações limitadas
      • Paraná: clima irregular e incertezas com a segunda safra sustentam os preços
  • Centro-Oeste
    • O Mato Grosso do Sul registra avanço expressivo da colheita, com preços entre R$ 49,00 e R$ 58,00 por saca. Apesar de alguma reação, os negócios seguem pontuais, com demanda atuando de forma seletiva.
Leia Também:  COFCO exportará 100 mil toneladas de soja sustentável para a Ásia até 2025 e reforça compromisso com cadeias livres de desmatamento
Influência do petróleo e cenário externo

No cenário internacional, a recente queda nas cotações do milho também está ligada às oscilações no mercado de petróleo, influenciadas por tensões geopolíticas.

Apesar disso, o mercado agrícola começa a reduzir sua correlação direta com a energia, priorizando fundamentos próprios, como clima, oferta e andamento do plantio nos Estados Unidos.

Perspectivas para o mercado de milho

O curto prazo deve seguir marcado por volatilidade, com atenção voltada para:

  • Evolução do plantio nos Estados Unidos
  • Condições climáticas no cinturão produtor
  • Movimentos do petróleo e cenário geopolítico
  • Ritmo de comercialização no Brasil

Com isso, o mercado tende a manter oscilações moderadas, enquanto busca maior definição sobre a safra norte-americana e o comportamento da demanda global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

USDA projeta menor safra de trigo dos EUA desde 1972 e acende alerta para abastecimento global

Published

on

O mercado global de trigo encerrou a semana sob forte volatilidade após a divulgação do novo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que projetou a menor safra norte-americana de trigo desde 1972. O cenário elevou a preocupação com a oferta global do cereal e provocou forte reação nas bolsas internacionais.

Segundo análise da consultoria Safras & Mercado, os contratos futuros negociados nas bolsas de Chicago e Kansas registraram as maiores altas percentuais diárias desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022.

O principal gatilho foi a revisão para baixo da produção norte-americana de trigo na safra 2026/27. O USDA estimou a colheita dos Estados Unidos em 1,561 bilhão de bushels, volume significativamente inferior à expectativa do mercado, que girava em torno de 1,731 bilhão de bushels. Na temporada anterior, a produção havia sido estimada em 1,985 bilhão de bushels.

Além da redução na safra, os estoques finais dos Estados Unidos também vieram abaixo do esperado, projetados em 762 milhões de bushels, contra expectativa média de 841 milhões. O quadro reforçou a percepção de aperto na oferta mundial do cereal.

Seca derruba produtividade das lavouras norte-americanas

A produção de trigo de inverno dos Estados Unidos deverá atingir o menor nível desde 1965, refletindo os impactos da seca nas principais regiões produtoras das Planícies norte-americanas.

Leia Também:  Casa do Adubo estreia na Dinetec 2024

Atualmente, apenas 28% das lavouras são classificadas entre boas e excelentes, enquanto 40% apresentam condições consideradas ruins ou muito ruins.

No Kansas, maior estado produtor de trigo do país, a produtividade foi estimada em 39,3 bushels por acre, bem abaixo dos 53,3 bushels registrados na safra passada.

O cenário climático adverso aumentou a sensibilidade do mercado internacional, elevando os prêmios de risco e sustentando as cotações globais do cereal.

Brasil deve reduzir área plantada e ampliar importações

No Brasil, o cenário também preocupa o setor produtivo. A segunda pesquisa de intenção de plantio divulgada pela Safras & Mercado aponta redução de 17,3% na área cultivada com trigo na safra 2026/27, totalizando 1,943 milhão de hectares.

A produção nacional foi projetada em 6,155 milhões de toneladas, queda de 23,3% em relação ao ciclo anterior.

Com a retração da oferta doméstica, o Brasil deverá ampliar ainda mais a dependência de importações. A necessidade de compras externas foi estimada em 8,695 milhões de toneladas para atender a demanda interna, especialmente da indústria moageira, cujo consumo gira em torno de 13 milhões de toneladas.

De acordo com o analista e consultor de Safras & Mercado, Elcio Bento, os elevados custos de produção, as margens apertadas e o forte endividamento do produtor rural continuam limitando os investimentos na cultura do trigo no país.

Mercado brasileiro segue com baixa liquidez

Apesar do cenário internacional altista, o mercado físico brasileiro permaneceu travado ao longo da semana.

Leia Também:  Mercado de Milho Enfrenta Ritmo Lento e Preços Estáveis

No Paraná, os preços do trigo ficaram próximos de R$ 1.430 por tonelada FOB, sustentados pela escassez de oferta disponível.

Já no Rio Grande do Sul, o distanciamento entre compradores e vendedores continuou restringindo os negócios. As indicações de compra giraram em torno de R$ 1.300 por tonelada, enquanto produtores mantiveram ofertas acima de R$ 1.350 FOB interior.

A indústria moageira gaúcha também enfrenta dificuldades para repassar os custos ao mercado consumidor. Segundo agentes do setor, os preços da farinha e do farelo não acompanharam a valorização do trigo, reduzindo o apetite de compra dos moinhos.

Trigo argentino e dólar influenciam mercado doméstico

O mercado brasileiro encerrou a semana sustentado pela combinação entre oferta restrita no mercado spot e valorização do trigo argentino.

O cereal da Argentina chegou a ser indicado a US$ 255 por tonelada, enquanto o dólar próximo de R$ 4,98 ajudou a limitar parte das altas internas.

A expectativa do setor é de que o abastecimento siga ajustado nos próximos meses, mantendo elevada a dependência brasileira das importações do Mercosul, especialmente diante da perspectiva de menor produção nacional e das incertezas climáticas no Hemisfério Norte.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA