AGRONEGÓCIO
Milho e Soja: Entenda o cenário para a próxima safra dos Estados Unidos e a influência nos preços da CBOT
Publicado em
5 de setembro de 2024por
Da Redação
O analista sênior de Grãos da Hedgepoint Global Markets, Ignacio Espinola, analisa, em relatório, o cenário da próxima safra de milho e soja dos Estados Unidos. “Como estamos no mês de setembro, onde quase todas as safras encerraram o calendário 23/24 e todos estão de olho na safra 24/25, decidimos analisar o que está acontecendo com os preços do milho e da soja e o que poderá potencialmente afetar/contribuir/nos dar uma direção sobre o que pode acontecer no futuro próximo em relação aos preços da CBOT”, diz.
De acordo com o último relatório WASDE, o cenário da próxima safra tanto para milho quanto para soja deverá ser muito bom nos EUA. Números semelhantes são projetados para a safra deste ano de milho e grandes números para a soja.
“Do lado do milho, a expectativa é de patamar semelhante em termos de produção, com cerca de 385 milhões de toneladas, semelhante à campanha 23/24. Esses 385 milhões de toneladas são explicados por um melhor rendimento e uma menor área plantada. Do lado da soja, mais hectares plantados e melhores rendimentos trazem boas notícias em termos de produção. De acordo com o último relatório WASDE, espera-se que os EUA tenham uma produção de cerca de 125 milhões de toneladas de soja, o que é 10% acima do ano anterior e um dos maiores níveis historicamente”, observa o analista.
Agora, a Hedgepoint analisa como isso afetará os preços e o balanço de oferta & demanda no futuro próximo.
O&D do milho, movimentos de preços e muito mais
“Quando olhamos para o milho, segundo o USDA, a produção vai cair 1% nos EUA em relação à campanha anterior, o que representa 5 milhões de toneladas. Outro fator a levar em consideração é o estoque de passagem de 23/24, que está estimado em 47,4 milhões de toneladas (+13,2 milhões de toneladas versus estoque inicial de 23/24). Considerando tudo isso, o número total de fornecimento será de 432,8 milhões de toneladas, 2% maior que a campanha 23/24”, aponta.
“Quando olhamos para o lado da procura, esperamos também um pequeno aumento nas exportações e no consumo de rações, deixando a procura total em 380,1 milhões de toneladas, um aumento de apenas 1% em relação ao ano anterior. Por fim, os estoques finais continuarão crescendo, desta vez encerrando a campanha 24/25 em 52,7 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 11% em relação ao ano anterior e representa uma relação estoque/uso de 13,9%”, destaca.
Esta razão nos diz que os EUA terminarão a campanha 24/25 com um “amortecedor” que pode cobrir até 14% das suas necessidades totais.
Como os números de O&D dos EUA podem afetar os preços do milho na CBOT?
“Levando em consideração os números mencionados anteriormente, com um nível de produção muito bom, um número melhor que o do ano passado do lado da oferta, uma procura estável e um número crescente, novamente, para os estoques finais, chegamos à conclusão de que a relação estoque/uso será quase 2% maior que no ano anterior”, analisa.
Ao observar o gráfico Preço x Estoque/Uso, onde se compara de um lado os preços da CBOT para o contrato de milho dezembro e do outro lado a relação Estoque/Uso do Milho EUA, chega-se à conclusão de que, neste momento, a campanha 24/25 está numa posição boa/justa, localizada perto da linha de tendência em 393 cts/bu para o nível de Estoque/Uso de 13%.
“A ideia por trás deste estudo é identificar se os EUA não estão guardando muitos grãos que estão superfaturados ou subvalorizados, dependendo da localização do ponto vermelho em nosso gráfico”, ressalta.
Parece que quando os EUA mantêm uma razão estoque/uso entre 5%-7%, o mercado fica mais volátil, deixando quase metade dos anos acima e a outra metade abaixo da linha média. Outra conclusão interessante é que quase todas as vezes que os EUA mantiveram 9-10% de estoque/uso, o preço de mercado esteve acima da tendência, o que significa que os estoques estavam sobrevalorizados.
E a soja?
Do lado da soja a situação é semelhante. A produção deste ano deverá ficar em torno de 125 milhões de toneladas nos EUA, 10% acima do ano anterior. Além disso, o número total de oferta chegará a 135 milhões de toneladas, enquanto o número total de demanda crescerá graças a maiores exportações, maior uso interno e maiores necessidades para as plantas de esmagamento.
“Esta campanha 24/25 terminará com estoques finais de 15,2 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 62% em relação ao ano anterior. Dito isto, isso representaria um Estoque/Uso de 13%, ao preço de 987 cts/bu, história semelhante à do milho”, conclui.
Uma das diferenças entre Milho e Soja no gráfico Estoque/Uso vs Preço de Chicago vem da distorção dos dados. “Podemos ver que para a soja, a maioria dos dados vem de um Estoque/Uso abaixo de 13-14%, o que significa que esse uso de estoque projetado para 24/25 não é um número usual, mas um número no lado alto do estudo. Independentemente da conclusão anterior, também temos que salientar que esta proporção juntamente com o nível futuro atual está quase em linha com a tendência, portanto, isto deverá trazer alguma estabilidade aos preços, uma vez que ambas as variáveis mostram uma boa correlação com os números atuais”, pondera.
O que vai acontecer com os preços?
“Ao longo deste artigo, falamos sobre a relação estoque/uso e a correlação entre o nível de estoque e os preços em Chicago. É evidente que os números do S&D para os EUA irão afetar diretamente a CBOT por razões óbvias, mas esta não é a única variável que afeta os preços. Temos que ter em mente que existem muitos outros fatores que afetam os mercados. Fundos de hedge, números globais de O&D, mercado climático, expectativas, risco de guerra (conflito Russia-Ucrânia, Israel-Árabes), política e vários outros fatores tendem a afetar o mercado futuro também e alguns desses fatores terão uma influência maior ou menor de acordo com o tempo e o ritmo dos mercados”, diz.
Atualmente, os fundos de hedge ainda estão vendidos em milho e soja fora da faixa de 5 anos. No lado da soja, quase no nível recorde de vendas líquidas e para no milho vimos alguma cobertura, mas ainda assim a venda é muito grande.
“A ideia por trás dessa posição é que, em teoria, os preços deveriam cair e os fundos serem capazes de cobrir as suas posições e gerar algum lucro. Se isso acontecer, deveremos ver alguma pressão para que os níveis do mercado caiam antes de vermos uma recuperação enquanto ocorre a fase de cobertura de posições vendidas”, acredita o analista.
Também pode acontecer que os fundos se cansem de esperar e comecem a cortar as suas posições, mesmo que isso possa registrar uma perda, ou seja, o mercado pode subir.
“Como mencionado anteriormente, não há nada que nos possa garantir o que vai acontecer no futuro próximo, mas a análise deste tipo de fatores pode sempre nos dar uma ideia de para onde os preços podem ir”, indica.
Para concluir, vale ressaltar que a relação Estoque-Uso/preço CBOT é uma boa conselheira do que pode acontecer com o mercado. “Dito isto, podemos concluir, utilizando os dados históricos, que o nível de utilização de estoques projetados para a campanha 24/25 de milho e soja nos EUA está localizado num nível de preços bom/justo. Considerando todos os outros fatores que podem afetar o mercado que já mencionamos antes, poderíamos esperar que os preços se mantivessem semelhantes aos que temos hoje”, finaliza.
Fonte: Hedgepoint Global Markets
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
EUA ampliam exportações de etanol e acirram concorrência com o Brasil
Published
11 horas agoon
6 de outubro de 2026By
Da Redação
Os Estados Unidos exportaram aproximadamente 5,34 bilhões de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, avanço de 13% sobre igual período do ano anterior, segundo a Renewable Fuels Association (RFA). O crescimento dos embarques amplia a concorrência para o Brasil e mostra a força de uma indústria sustentada por um mercado doméstico de grande escala, apesar de uma mistura menor do biocombustível na gasolina.
Nos EUA, a produção de etanol foi de aproximadamente 160 milhões de litros por dia, conforme dados da agência de energia americana, a EIA, publicados no dia 30 de setembro. O número representa o ritmo registrado naquela semana, sem equivaler a um balanço anual.
A aparente contradição está nas bombas. Enquanto a gasolina comum brasileira contém 32% de etanol, a mistura predominante no mercado americano é o E10, com 10%. O percentual menor, contudo, incide sobre uma quantidade muito maior de combustível comercializado.
Na mesma semana de setembro, o volume de gasolina fornecido ao mercado americano, usado pela EIA como referência de consumo, foi de aproximadamente 1,38 bilhão de litros por dia. Essa quantidade já inclui o etanol misturado ao combustível. É a dimensão desse abastecimento que permite absorver uma produção elevada do biocombustível.
Uma conta ilustrativa ajuda a entender: 10% de um mercado de 400 bilhões de litros representam 40 bilhões de litros de etanol. Já 32% de um mercado de 100 bilhões correspondem a 32 bilhões. A comparação dos percentuais, isoladamente, não mostra quantos litros chegam aos consumidores.
Enquanto ampliam as exportações, os EUA importaram menos de 1,9 milhão de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, segundo a RFA. O contraste reforça o peso da produção doméstica no abastecimento americano.
Esses números mostram que uma expansão do consumo nos EUA encontra uma indústria doméstica capaz de disputar o fornecimento. Para o exportador brasileiro, uma mistura maior abre oportunidades, mas os embarques dependem dos preços, dos custos de transporte, das condições de acesso e da disponibilidade do produto americano.
Os dois países também organizam o abastecimento de maneiras diferentes. No Brasil, a mistura obrigatória de 32% vale para a gasolina comum e a comum aditivada desde 1º de agosto de 2026. A medida tem duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período. Na gasolina premium, o teor permanece em 25%.
Além disso, o motorista brasileiro dispõe do etanol hidratado para abastecer veículos flex. Esse mercado depende da relação entre o preço dos combustíveis e o rendimento do automóvel. A demanda nacional, portanto, reúne tanto o etanol adicionado à gasolina quanto o vendido diretamente ao consumidor.
Nos EUA, o E10 convive com o E15, de até 15%, e com misturas mais elevadas para veículos compatíveis. Os postos não são obrigados a oferecer E15. A ampliação das vendas envolve equipamentos adequados, disponibilidade de combustível e regras de comercialização.
Restrições relacionadas às emissões evaporativas afetam a venda de E15 durante o verão em partes do país. Em 2026, a agência ambiental americana, a EPA, concedeu uma autorização excepcional para permitir sua comercialização nessa estação. A previsibilidade das regras continua relevante para os investimentos na distribuição.
O Brasil deve produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, aumento de 11,7% sobre a temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expansão reforça a importância de ampliar o consumo nas bombas e conquistar compradores externos. Nessa disputa, os Estados Unidos combinam uma indústria de grande escala com um mercado que absorve volumes elevados mesmo usando uma mistura menor de etanol na gasolina.
O levantamento brasileiro, divulgado em agosto, estima 29,98 bilhões de litros de etanol de cana e 11,91 bilhões de litros do combustível produzido a partir do milho. O crescimento previsto é de 9,7% e 17%, respectivamente. São projeções para a safra em andamento, que inclui parte de 2027.
A safra de cana está na segunda metade da colheita e da moagem no Centro-Sul, onde as chuvas de setembro reduziram o ritmo dos trabalhos. No Nordeste, a temporada começou mais recentemente. A fabricação de etanol de milho segue outro calendário, com usinas que operam ao longo do ano.
Para o campo brasileiro, o avanço do etanol tem efeitos distintos. A expansão das usinas de milho amplia as alternativas de venda do cereal. Uma demanda maior também pressiona o custo da matéria-prima para quem fabrica o combustível, conforme a oferta da safra e os estoques disponíveis.
O etanol de cana conta ainda com rotas de produção reconhecidas pela EPA na categoria de biocombustíveis avançados, sujeitas a requisitos ambientais. Esse enquadramento permite disputar mercados que valorizam a redução de emissões.
Com a oferta brasileira em crescimento, o resultado para a cadeia dependerá da capacidade de transformar produção em consumo. A mistura na gasolina, a escolha dos motoristas e as exportações precisam acompanhar os novos volumes para sustentar a remuneração das usinas e dos produtores de matéria-prima.
Fonte: Pensar Agro
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