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Dólar sobe com tensão entre Brasil e EUA após abertura de investigação comercial

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Alta do dólar após ação dos EUA

O dólar iniciou esta quarta-feira (15) em alta de 0,19%, cotado a R$ 5,5683, refletindo os desdobramentos da recente ofensiva do governo norte-americano contra o Brasil. Na véspera, a moeda havia recuado 0,46%, sendo negociada a R$ 5,5580.

O movimento nos mercados ocorre após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciar, na noite de terça-feira (14), a abertura de uma investigação comercial contra o Brasil. A medida é baseada em uma legislação que permite a imposição de tarifas ou sanções quando são identificadas práticas comerciais consideradas desleais.

Tarifas de 50% e alegações sem provas

O documento do USTR mistura argumentos comerciais e políticos para justificar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Entre os pontos apresentados, há acusações de supostas práticas abusivas por parte do Brasil — no entanto, o texto não apresenta provas concretas que sustentem essas alegações.

Governo brasileiro articula resposta

Em meio à crise comercial, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, intensifica reuniões com empresários afetados pelas tarifas norte-americanas. O objetivo é ouvir os setores impactados e discutir alternativas para mitigar os efeitos da medida. Um dos encontros deve contar com a participação de Abrão Neto, presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham).

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Popularidade do governo Lula e efeito político da crise

Paralelamente, pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira aponta oscilação na avaliação do governo federal. A desaprovação caiu 4 pontos, chegando a 53%, enquanto a aprovação subiu para 43%. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais. Segundo Felipe Nunes, diretor do instituto, o embate com o ex-presidente Donald Trump pode ter contribuído para uma leve recuperação da popularidade do presidente Lula.

Impasse no STF sobre o IOF

Ainda na terça-feira (14), após o encerramento dos mercados, terminou sem acordo a audiência de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o decreto que elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Agora, a decisão caberá ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. O desfecho definirá se o governo precisará buscar novas fontes de arrecadação ou realizar cortes no orçamento para atingir a meta de déficit zero em 2025.

Inflação nos EUA e impacto das tarifas

No cenário internacional, os mercados monitoram os dados de inflação nos Estados Unidos. Após a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) na terça-feira, que apontou alta em junho, economistas aguardam o índice de preços ao produtor (PPI), que pode indicar se os aumentos já refletem o impacto das novas tarifas impostas por Trump.

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A economista Andressa Durão, da ASA, observou repasses de preços especialmente em eletrodomésticos e equipamentos domésticos. Outros setores, como vestuário e bens recreativos, apresentaram altas mais pontuais, mas também indicam efeitos da nova política tarifária.

Resumo dos indicadores econômicos
  • Dólar
    • Acumulado da semana: +0,18%
    • Acumulado do mês: +2,29%
    • Acumulado do ano: -10,06%
  • Ibovespa
    • Acumulado da semana: -0,69%
    • Acumulado do mês: -2,60%
    • Acumulado do ano: +12,44%
Brasil avalia retaliação

Com o cenário se agravando, o governo brasileiro estuda formas de responder à medida adotada por Donald Trump. A escalada comercial pressiona não só a diplomacia, mas também os setores produtivos, que buscam alternativas e novos mercados diante da incerteza.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Oferta recorde de soja no Brasil e nos EUA pressiona preços globais na safra 2026/27

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A perspectiva de uma oferta global abundante de soja na safra 2026/27 mantém a pressão sobre os preços internacionais da commodity. A avaliação faz parte do relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca a possibilidade de colheitas recordes no Brasil e nos Estados Unidos como principal fator de risco para as cotações nos próximos meses.

De acordo com as estimativas divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em junho, a produção brasileira deverá alcançar 186 milhões de toneladas na temporada 2026/27. Já a safra norte-americana está projetada em 121 milhões de toneladas, crescimento de 4% em relação ao ciclo anterior.

O cenário reforça a expectativa de ampla disponibilidade da oleaginosa no mercado global, o que tende a limitar movimentos de alta nos preços, especialmente na Bolsa de Chicago (CBOT).

Esmagamento recorde ajuda a sustentar demanda

Apesar do aumento expressivo da oferta, a demanda por processamento da soja segue aquecida. O USDA estima um esmagamento recorde nos Estados Unidos, alcançando 74,8 milhões de toneladas.

O avanço é impulsionado principalmente pela crescente demanda por óleo de soja destinado à produção de biocombustíveis, segmento que vem ganhando relevância na matriz energética global.

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No cenário mundial, o esmagamento deve superar em aproximadamente 14 milhões de toneladas o volume registrado na safra 2025/26. Esse crescimento contribui para manter a valorização relativa dos derivados, especialmente farelo e óleo, em comparação ao grão.

China continua no centro das atenções do mercado

Segundo Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA, a principal incógnita para o mercado permanece sendo a capacidade da China de absorver simultaneamente os grandes volumes ofertados por Brasil e Estados Unidos.

“O acordo firmado em maio amplia o potencial de demanda pela soja norte-americana, mas o impacto efetivo ainda depende da confirmação das compras chinesas e do comportamento do mercado nos próximos meses”, avalia o especialista.

Como maior importadora mundial da commodity, a China continua exercendo influência decisiva sobre o equilíbrio global entre oferta e demanda.

Risco baixista ainda predomina para os preços

Na avaliação do Itaú BBA, o viés para os preços segue predominantemente baixista para a temporada 2026/27. A combinação entre uma possível safra recorde no Brasil e uma produção elevada nos Estados Unidos pode ampliar os estoques globais e limitar a recuperação das cotações.

Para que ocorra uma valorização mais consistente na CBOT, seria necessário algum fator capaz de reduzir significativamente a oferta mundial.

Entre os principais elementos monitorados pelo mercado estão eventuais problemas climáticos durante o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos ou na América do Sul.

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El Niño pode alterar cenário da soja

Um dos fatores que merece atenção é a possibilidade de fortalecimento do fenômeno El Niño nos próximos meses. Caso o evento climático ganhe intensidade, poderão ocorrer impactos negativos sobre a produtividade das lavouras sul-americanas, especialmente em importantes regiões produtoras.

Segundo o relatório, esse risco ainda não está totalmente precificado pelo mercado e poderia alterar significativamente as projeções atuais de oferta global.

Além disso, novas compras de soja norte-americana por parte da China também poderiam oferecer suporte às cotações internacionais, reduzindo parte da pressão gerada pelo cenário de ampla produção.

Mercado seguirá atento ao clima e à demanda

Embora a expectativa de produção recorde mantenha o mercado sob pressão, o comportamento do clima e o ritmo das importações chinesas continuarão sendo os principais direcionadores dos preços da soja na safra 2026/27.

Diante desse cenário, produtores, exportadores e agentes do mercado permanecem atentos aos desdobramentos climáticos e comerciais que poderão redefinir o equilíbrio global da commodity nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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