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Microcrédito rural impulsiona agricultura familiar e já movimenta R$ 338,7 milhões no Norte e Centro-Oeste

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Microcrédito produtivo fortalece o campo e amplia renda rural

O microcrédito produtivo orientado (MPO), programa do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) em parceria com a Caixa Econômica Federal, vem ganhando força como uma das principais políticas públicas de estímulo à produtividade e geração de renda nas regiões Norte e Centro-Oeste.

Voltado para agricultores familiares, pequenos produtores e comunidades tradicionais, o programa oferece financiamentos acessíveis com acompanhamento técnico, ajudando na modernização e expansão das atividades rurais.

Desde o lançamento, em dezembro de 2024, o MPO já movimentou R$ 338,7 milhões, alcançando 27.356 famílias nas duas regiões.

Expansão acelerada no início de 2026

Somente na primeira semana de janeiro, 1.084 novos produtores aderiram ao programa, impulsionados pelas condições especiais de pagamento e bônus de adimplência.

A procura crescente pelo crédito mostra o fortalecimento da política pública e o reconhecimento de seu impacto direto na economia rural local.

De acordo com o Sindicato Rural de Rondonópolis, a renovação dos contratos e a entrada de novos beneficiários têm garantido continuidade ao ciclo de investimento no campo, ampliando a capacidade de produção e diversificação de culturas.

Cactvs amplia o alcance do crédito em áreas remotas

A execução do programa é feita pela Cactvs, instituição de pagamento credenciada pela Caixa, com foco em regiões de baixa presença bancária.

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A empresa atua em todas as etapas do processo — da prospecção e atendimento ao produtor até a formalização e acompanhamento técnico dos contratos.

Essa presença local tem sido essencial para levar crédito a áreas isoladas e comunidades com histórico de exclusão financeira, garantindo que os recursos cheguem efetivamente a quem mais precisa.

Condições facilitadas e bônus de adimplência atraem produtores

Um dos grandes diferenciais do MPO, dentro do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), são as condições especiais de pagamento.

Os produtores que mantêm as parcelas em dia recebem bônus de adimplência entre 25% e 40%, conforme a atividade financiada e a região.

Na Região Norte, o desconto pode chegar ao teto de 40% do valor contratado, reduzindo consideravelmente o custo final do financiamento e estimulando a renovação dos contratos e a expansão dos investimentos.

Acompanhamento técnico aumenta eficiência e sustentabilidade

Além do crédito financeiro, o MPO se diferencia por oferecer assistência técnica personalizada.

Cada beneficiário recebe o suporte de agentes de crédito da Cactvs, que orientam o planejamento do uso dos recursos, a estruturação dos investimentos e o monitoramento dos resultados.

Segundo Vlademir Junior, coordenador de microfinanças da Cactvs no Pará, o acompanhamento técnico é essencial para o sucesso das iniciativas.

“Muitas vezes o produtor chega com uma ideia inicial simples, e com o diálogo conseguimos montar um projeto mais equilibrado, que reduz custos, amplia a produtividade e melhora a renda”, explica o coordenador.

Crédito também promove inclusão e energia sustentável

Os impactos do microcrédito vão além da economia rural. Em diversas comunidades isoladas, o financiamento tem permitido investimentos em energia solar, levando eletricidade, inclusão e dignidade para famílias antes sem acesso a serviços básicos.

“Esses projetos têm transformado a vida de centenas de famílias, garantindo autonomia energética e melhores condições de trabalho e produção”, reforça Vlademir Junior.

Programa consolida política pública de desenvolvimento sustentável

Com a combinação de crédito acessível, orientação técnica e presença territorial, o microcrédito produtivo orientado se consolida como uma ferramenta estratégica de fortalecimento da agricultura familiar, ampliando a inclusão financeira e promovendo o desenvolvimento sustentável no Norte e Centro-Oeste do país.

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O modelo, apoiado pelo MIDR, Caixa e Cactvs, representa uma nova etapa na democratização do crédito rural e na valorização das famílias que garantem boa parte da produção de alimentos do Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Projeto para proteger pequena propriedade abre debate sobre acesso ao crédito rural

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Um projeto em análise na Câmara dos Deputados pretende impedir que imóveis da agricultura familiar sejam oferecidos em alienação fiduciária nas operações de crédito. A proposta busca proteger a terra usada para o sustento da família, mas também desperta preocupação sobre uma possível redução das garantias disponíveis aos pequenos produtores.

O Projeto de Lei nº 355/2026 estabelece que imóveis pertencentes à agricultura familiar não poderão ser utilizados como garantia fiduciária em contratos de crédito, financiamento ou empréstimo. Pelo texto, será considerada nula qualquer cláusula contratual que autorize esse tipo de vinculação.

A matéria está pronta para entrar na pauta da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara. Também foi anexado ao texto o Projeto de Lei nº 2.982/2026, que trata da impenhorabilidade da pequena propriedade rural.

A alienação fiduciária permite que o produtor continue utilizando o imóvel enquanto paga o financiamento. A propriedade, entretanto, permanece vinculada ao credor até a quitação. Em caso de inadimplência, a garantia pode ser executada por procedimento extrajudicial.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a proteção da terra familiar é necessária, mas a mudança precisa ser acompanhada de alternativas capazes de manter o financiamento disponível.

“A pequena propriedade não é apenas um bem de mercado. Ela representa trabalho, renda, moradia e continuidade familiar. Essa proteção é legítima, mas não podemos criar uma regra que preserve a terra no contrato e, ao mesmo tempo, retire do produtor as condições financeiras para continuar produzindo”, afirma.

A Constituição determina que a pequena propriedade rural, definida em lei e trabalhada pela família, não pode ser penhorada para o pagamento de débitos decorrentes da atividade produtiva. A alienação fiduciária, porém, tem origem em um contrato no qual o proprietário oferece voluntariamente o imóvel como garantia.

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O projeto pretende ampliar a proteção ao impedir essa contratação no caso da agricultura familiar. O ponto de atenção é que a garantia constitui um dos elementos considerados pelas instituições financeiras na avaliação do risco e na definição das condições do empréstimo.

Sem a possibilidade de utilizar o imóvel, algumas operações poderão exigir máquinas, recebíveis, produção futura, avalistas, seguros ou outras formas de cobertura. O produtor que não possuir bens ou receitas suficientes para substituir a terra poderá enfrentar maior seletividade na concessão do crédito.

“Não se pode afirmar que a mudança aumentará automaticamente os juros, porque o custo de uma operação depende de vários fatores. Existe, no entanto, um risco concreto de que produtores com menos garantias encontrem maior dificuldade para acessar recursos, principalmente fora das linhas subsidiadas”, avalia Rezende.

O debate ocorre três anos depois da aprovação da Lei nº 14.711/2023, conhecida como Marco Legal das Garantias. A legislação modernizou os mecanismos utilizados em financiamentos, ampliou as possibilidades de aproveitamento dos bens e aperfeiçoou a execução extrajudicial de créditos garantidos por hipoteca ou alienação fiduciária.

A expectativa era de que garantias mais eficientes reduzissem o risco das operações e estimulassem a oferta de crédito. A eventual proibição para imóveis da agricultura familiar introduz uma exceção nesse sistema e exigirá mecanismos capazes de compensar a garantia retirada.

Entre as alternativas estão o fortalecimento dos fundos garantidores, a ampliação do seguro rural, o uso de limites proporcionais ao valor do imóvel e a possibilidade de substituir a garantia antes de uma eventual execução. Também poderão ser consideradas a finalidade da dívida, a capacidade econômica da família e o valor da operação.

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O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) oferece linhas subsidiadas, mas não atende isoladamente a todas as necessidades financeiras das propriedades. Parte dos produtores também depende de cooperativas, fornecedores, instituições financeiras e operações privadas para completar o custeio ou realizar investimentos.

“O Congresso precisa encontrar um ponto de equilíbrio. A legislação deve impedir que uma família perca a terra de maneira desproporcional, sem fechar a porta do financiamento. Proteger o patrimônio e assegurar crédito não são objetivos incompatíveis, desde que existam fundos, seguros e garantias complementares capazes de sustentar as operações”, diz Rezende.

Enquanto a proposta tramita, a recomendação é que os produtores mantenham matrículas, cadastros e documentos da propriedade atualizados. O histórico financeiro, a organização das receitas e despesas e a comprovação da capacidade de pagamento também influenciam a análise de crédito.

Outros instrumentos podem complementar ou substituir a garantia imobiliária, como penhor rural, Cédula de Produto Rural (CPR), máquinas, recebíveis e produção futura. A escolha dependerá do perfil da propriedade e das condições de cada contrato.

O produtor também deve conhecer o valor da dívida, os encargos, os prazos, as situações de vencimento antecipado e o procedimento previsto em caso de inadimplência antes de oferecer qualquer bem. A garantia não deve ser tratada apenas como uma exigência burocrática, mas como parte da estratégia financeira da propriedade.

A decisão do Congresso poderá definir como a agricultura familiar conciliará proteção patrimonial e capacidade de financiamento. Sem alternativas adequadas, a proibição pode reduzir a exposição da terra, mas aumentar a dificuldade para financiar a produção. Com mecanismos complementares, a mudança poderá proteger as famílias sem comprometer a permanência delas no campo.

Fonte: Pensar Agro

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