AGRONEGÓCIO
Mercados globais recuam com tensão no Oriente Médio e ampliam volatilidade nas bolsas
Publicado em
9 de março de 2026por
Da Redação
Escalada geopolítica aumenta cautela no mercado financeiro
A intensificação das tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, voltou a provocar instabilidade nos mercados financeiros internacionais. O cenário elevou o nível de aversão ao risco entre investidores e pressionou bolsas de valores em diferentes regiões do mundo.
Além do impacto direto sobre os mercados acionários, o conflito também ampliou preocupações com o comportamento dos preços da energia e possíveis reflexos inflacionários na economia global. Analistas avaliam que a instabilidade geopolítica pode afetar cadeias de suprimento, custos de transporte e o preço do petróleo, fatores que influenciam diretamente a atividade econômica mundial.
Bolsas de Nova York encerram sessão em queda
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários fecharam em baixa, refletindo o aumento das incertezas geopolíticas e as preocupações com inflação e juros elevados.
No encerramento do pregão:
- Dow Jones registrou queda de 0,93%
- S&P 500 recuou 1,33%
- Nasdaq Composite caiu 1,59%
O movimento reflete a cautela dos investidores diante da possibilidade de prolongamento das tensões internacionais e seus impactos sobre o crescimento econômico global.
Europa acompanha movimento negativo dos mercados
As principais bolsas europeias também operaram em queda, acompanhando o movimento observado em Wall Street.
O índice pan-europeu STOXX 600 recuou 1,02%, aos 598,69 pontos, registrando a maior baixa semanal em quase um ano.
Entre os principais mercados do continente:
- DAX (Alemanha) caiu 0,94%
- CAC 40 (França) recuou 0,65%
- FTSE MIB (Itália) registrou queda de 1,02%
Investidores seguem atentos aos efeitos que uma eventual ampliação do conflito pode provocar sobre o comércio internacional e os preços da energia.
Ásia tem semana volátil com influência do cenário externo
Nos mercados asiáticos, as bolsas encerraram uma semana marcada por forte volatilidade. Apesar de algumas sessões de recuperação, o saldo refletiu o impacto das tensões geopolíticas e das preocupações com o crescimento global.
Na China e em Hong Kong, os índices registraram avanço no fechamento de um dos pregões da semana:
- Índice de Xangai avançou 0,38%
- CSI300, que reúne grandes empresas de Xangai e Shenzhen, subiu 0,27%
- Hang Seng, de Hong Kong, registrou alta de 1,72%
A recuperação parcial ocorreu após investidores identificarem oportunidades de compra depois das quedas anteriores.
Investidores chineses ampliam compras em Hong Kong
Mesmo com a volatilidade, o mercado de Hong Kong registrou forte fluxo de capital proveniente da China continental. As compras líquidas de ações por meio do programa Stock Connect superaram US$ 4,73 bilhões, marcando o maior ingresso diário já registrado.
O movimento ajudou a reduzir as perdas do índice Hang Seng, que chegou a cair mais de 3% nas primeiras horas do pregão, atingindo mínima de seis meses, mas encerrou o dia com queda mais moderada de 1,4%.
No mercado chinês, setores ligados a recursos naturais, como energia, carvão e cimento, apresentaram desempenho positivo, enquanto empresas de tecnologia registraram perdas mais expressivas.
Bolsas asiáticas registram quedas expressivas em alguns mercados
Em outros mercados da região, os índices acionários registraram recuos relevantes, refletindo preocupações com os impactos econômicos da escalada do conflito no Oriente Médio.
Entre os principais movimentos observados:
- Nikkei (Tóquio) caiu 5,2%, aos 52.728 pontos
- Hang Seng (Hong Kong) recuou 1,35%, aos 25.408 pontos
- SSEC (Xangai) perdeu 0,67%, aos 4.096 pontos
- CSI300 caiu 0,97%, aos 4.615 pontos
- Kospi (Seul) registrou queda de 5,96%, aos 5.251 pontos
- Taiex (Taiwan) recuou 4,43%, aos 32.110 pontos
- Straits Times (Cingapura) caiu 1,89%, aos 4.756 pontos
- S&P/ASX 200 (Sydney) perdeu 2,85%, aos 8.599 pontos
Cenário econômico e política monetária no Brasil
No Brasil, o mercado financeiro acompanha atentamente o ambiente externo e as decisões de política monetária do Banco Central do Brasil.
A taxa Selic permanece em 15% ao ano, nível que segue como referência para o custo do crédito e para o controle da inflação. O mercado projeta que eventuais cortes na taxa básica de juros dependerão da evolução do cenário inflacionário e das condições da economia global.
Na bolsa brasileira, o Ibovespa, principal índice da B3, continua sensível ao fluxo de capital estrangeiro, ao comportamento das commodities e às expectativas relacionadas à política monetária doméstica.
Perspectivas para os próximos meses
Analistas avaliam que os mercados financeiros globais devem permanecer sob forte influência de três fatores principais:
- evolução das tensões no Oriente Médio;
- comportamento dos preços do petróleo e da inflação mundial;
- decisões de política monetária dos principais bancos centrais.
Caso o conflito se prolongue e pressione os preços da energia, os efeitos podem atingir diretamente custos de produção, transporte e alimentos, com reflexos importantes para diferentes setores da economia global, incluindo o agronegócio.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço
Published
6 horas agoon
17 de agosto de 2026By
Da Redação
O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.
Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.
O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.
Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.
O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.
A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.
A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.
Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.
Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.
Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.
O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.
Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.
A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.
A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.
A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.
Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.
Fonte: Pensar Agro
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