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Mercados da China e Hong Kong recuam com incertezas sobre tarifas dos EUA

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Os mercados acionários da China e de Hong Kong encerraram esta sexta-feira em queda, refletindo a cautela dos investidores diante das preocupações com as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, que podem impactar a economia global.

O índice de Xangai registrou uma desvalorização de 0,67%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,44%. O subíndice do setor financeiro do CSI300 caiu 0,23%, enquanto o setor de bens de consumo básicos perdeu 0,49%. Já o segmento imobiliário registrou queda de 0,34%, e o setor de saúde recuou 0,43%.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 0,65%, acumulando uma perda de 1,1% na semana, marcando sua terceira queda semanal consecutiva. As gigantes do setor de tecnologia listadas na bolsa de Hong Kong também apresentaram um recuo expressivo de 1,5%.

Os investidores seguem avaliando os efeitos da tarifa de 25% sobre as importações de automóveis anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu impacto nas principais economias exportadoras. Além disso, Trump planeja implementar novas tarifas recíprocas sobre diversos parceiros comerciais a partir de 2 de abril, o que amplia a incerteza no mercado.

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Durante um encontro com CEOs globais nesta sexta-feira, o presidente da China, Xi Jinping, enfatizou a importância da proteção das cadeias industriais e de suprimentos, numa tentativa de minimizar as preocupações das empresas estrangeiras sobre a economia chinesa em meio aos riscos tarifários.

Desempenho dos principais índices na Ásia:

  • Tóquio (Nikkei 225): -1,80%, a 37.120 pontos
  • Hong Kong (Hang Seng): -0,65%, a 23.426 pontos
  • Xangai (SSEC): -0,67%, a 3.351 pontos
  • CSI300 (Xangai e Shenzhen): -0,44%, a 3.915 pontos
  • Seul (Kospi): -1,89%, a 2.557 pontos
  • Taiwan (Taiex): -1,59%, a 21.602 pontos
  • Cingapura (Straits Times): -0,23%, a 3.972 pontos
  • Sydney (S&P/ASX 200): +0,16%, a 7.982 pontos

O cenário global permanece volátil, com os investidores atentos aos desdobramentos das políticas comerciais e seus reflexos nos mercados financeiros internacionais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Além da UE, mais um país fecha a porta para a carne brasileira e China anuncia tarifa de 55%

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A carne bovina brasileira entra no segundo semestre pressionada por todos os lados. A Noruega anunciou nesta segunda-feira (10.08) que vai acompanhar a União Europeia (UE) e suspender as importações a partir de 3 de setembro, enquanto a China, principal compradora do Brasil, limita os embarques por meio de uma cota e cobra sobretaxa de 55% sobre o volume excedente. As barreiras podem reduzir os abates e pressionar o preço pago ao pecuarista.

A Noruega comprou apenas 279 toneladas de carne bovina brasileira em 2025, com receita de R$ 19,4 milhões. O impacto direto é pequeno, mas a decisão reforça o risco de outros países seguirem o padrão europeu. No ano passado, o Brasil exportou aproximadamente 128 mil toneladas de carne bovina à União Europeia, com faturamento próximo de R$ 5,1 bilhões.

O bloqueio europeu não decorre da descoberta de carne contaminada. O Brasil ficou fora da lista de fornecedores que comprovaram cumprir as novas regras sobre antimicrobianos. O bloco proíbe o uso de determinadas substâncias para acelerar o crescimento dos animais e restringe medicamentos considerados essenciais para tratar infecções em seres humanos.

Para continuar exportando, o País precisa comprovar o histórico do bovino desde o nascimento até o abate, incluindo as propriedades pelas quais passou, os medicamentos utilizados e a alimentação recebida. A dificuldade é que um animal pode permanecer dois anos ou mais no sistema produtivo e passar por diferentes fazendas durante a cria, a recria e a engorda.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) orientou frigoríficos a implantar controles auditáveis e identificar os fornecedores. As medidas, no entanto, ainda precisam ser aceitas pelas autoridades europeias. Sem um acordo até 3 de setembro, a carne brasileira perderá um mercado que compra pouco em volume, mas paga mais por cortes de maior valor.

No primeiro semestre, a União Europeia comprou 51,2 mil toneladas por R$ 2,31 bilhões. O preço médio ficou próximo de R$ 45 mil por tonelada, ante R$ 29,5 mil na média de todos os destinos. Por isso, transferir os embarques para outros mercados não garante a recuperação do faturamento.

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Na China, o problema é maior em volume. Desde janeiro, o Brasil pode vender até 1,106 milhão de toneladas dentro da cota sujeita à tarifa regular de 12%. Acima desse limite, incide uma sobretaxa de 55 pontos porcentuais, levando a cobrança total a 67%.

Em 2025, os chineses compraram aproximadamente 1,7 milhão de toneladas de carne bovina brasileira. No primeiro semestre deste ano, já haviam adquirido 794,7 mil toneladas, equivalentes a 72% da cota anual, com faturamento de R$ 24,84 bilhões. A diferença entre a cota atual e o volume vendido no ano passado deixa cerca de 600 mil toneladas em busca de outros compradores.

Os Estados Unidos aparecem como alternativa e compraram 205 mil toneladas no primeiro semestre, movimentando R$ 6,89 bilhões. A carne brasileira ficou fora do novo tarifaço de 25%, mas continua submetida a uma cota própria. Fora desse limite, paga tarifa de 26,4%, o que reduz sua capacidade de absorver a produção deslocada da China e da Europa.

O risco comercial surge depois de um semestre recorde. O Brasil exportou 1,705 milhão de toneladas e faturou R$ 50,24 bilhões entre janeiro e junho. Maior exportador mundial, o País deve produzir cerca de 12,45 milhões de toneladas em 2026 e responder por quase 30% das vendas globais.

Se Europa e China diminuírem simultaneamente as compras, frigoríficos poderão reduzir escalas e oferecer menos pela arroba. A abertura de mercados como Japão e Coreia do Sul pode ajudar, mas exige negociações sanitárias que normalmente levam tempo.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), o governo precisa reunir os órgãos públicos e o setor produtivo em uma força-tarefa. “O Brasil precisa apresentar rapidamente as garantias exigidas pela União Europeia, negociar uma cota maior com a China e preservar o espaço conquistado nos Estados Unidos. Não podemos esperar as barreiras atingirem a fazenda para começar a agir”.

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Na frente europeia, a prioridade é implantar os controles necessários, receber as auditorias e buscar a reinclusão do País na lista de fornecedores antes de 3 de setembro. Na China, o governo deve tentar ampliar a cota ou aproveitar volumes não utilizados por outros países. Nos Estados Unidos, a negociação deve buscar mais espaço dentro da cota e a redução da tarifa cobrada sobre os embarques excedentes.

“Não basta afirmar que a carne brasileira é segura. Essa qualidade precisa ser comprovada por documentos, registros e sistemas aceitos pelos compradores. O governo deve integrar as informações das propriedades, orientar produtores e frigoríficos e estabelecer um protocolo claro para os animais destinados à exportação. O custo dessa adequação não pode ser transferido ao pecuarista”, afirma Rezende.

Outra frente necessária é a abertura de mercados de maior valor, como Japão e Coreia do Sul, além da ampliação das vendas para México, Indonésia, Filipinas e países do Oriente Médio. A diversificação, porém, depende de negociações sanitárias e da construção de relações comerciais, processos que normalmente levam tempo.

“O Brasil tem escala e capacidade para abastecer o mundo, mas ainda depende excessivamente de poucos compradores. Se Europa e China reduzirem as compras ao mesmo tempo, os frigoríficos poderão diminuir os abates e pressionar o preço da arroba. Se o governo não agir agora, a conta das barreiras externas acabará sendo paga pelo produtor rural”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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