AGRONEGÓCIO
Mercado global de carne bovina enfrenta alta de preços e impactos de tarifas sobre exportações brasileiras
Publicado em
9 de setembro de 2025por
Da Redação
Segundo o relatório Global Beef Quarterly Q3 2025, da RaboResearch, os preços do gado continuam em trajetória de valorização em diversas regiões do mundo. Países do Hemisfério Norte ainda registram cotações recordes, embora Estados Unidos e Canadá tenham apresentado leve desaceleração nas últimas semanas.
No Hemisfério Sul, a demanda por carne bovina cresce diante da menor oferta norte-americana e de sinais de recuperação no mercado chinês, o que pressiona os preços para cima em países exportadores, como Brasil e Austrália.
Produção global em retração
A produção mundial de carne bovina recuou no primeiro semestre de 2025, com destaque para quedas na Europa (-5%), Nova Zelândia (-17%) e Estados Unidos (-5%). No mesmo período, Austrália (+11%) e China (+7%) registraram aumento de produção, mas não foram suficientes para compensar a retração global, estimada em -2% para o ano.
EUA impõem tarifas mais altas à carne brasileira
O relatório aponta que os Estados Unidos elevaram as tarifas sobre a carne bovina brasileira para até 76,4%, somando os impostos anteriores às novas sobretaxas. O Brasil havia exportado volume recorde de 336 mil toneladas no primeiro semestre, e a expectativa é de que os embarques ao mercado norte-americano sejam impactados no segundo semestre.
Ainda há incertezas se os volumes já importados pelos EUA foram estocados e seguirão entrando no mercado interno, ou se haverá escassez que aumentará a demanda de outros fornecedores globais.
Exportações brasileiras seguem firmes apesar das barreiras
Mesmo com as tarifas, as exportações brasileiras atingiram recorde histórico em julho de 2025, superando a marca de 300 mil toneladas em um único mês. A receita saltou 46% na comparação anual, alcançando US$ 1,7 bilhão.
China e Estados Unidos responderam juntos por 56% do volume exportado e 59% da receita. A demanda chinesa segue aquecida, e a postergação de uma decisão regulatória de Pequim sobre importações trouxe alívio temporário aos exportadores brasileiros.
Oferta restrita pressiona mercado interno
A forte demanda internacional reduziu em 2,2% a disponibilidade de carne bovina no mercado doméstico brasileiro no primeiro semestre, o que vem elevando preços ao consumidor. Além disso, a queda no número de machos prontos para abate e a retração histórica na produção de bezerros em Mato Grosso indicam que a oferta seguirá limitada até o final de 2025.
Os custos de alimentação caíram 14% em relação ao ano anterior, o que melhora as margens de confinamento, mas a expectativa é de que os preços do boi gordo sigam firmes devido ao desequilíbrio entre oferta e demanda.
Perspectivas globais: desafios e oportunidades
- Austrália: produção recorde e exportações em alta para EUA e China.
- Nova Zelândia: queda de produção, mas recorde em valor médio das exportações.
- China: preços internos em recuperação, importações devem crescer no segundo semestre.
- Europa: mercado apertado, com doenças animais registradas na Itália e França.
- EUA: produção em queda, aumento das importações e margens de produtores em alta.
- México: exportações ganham força, com Brasil ampliando participação no mercado local.
- Japão: consumo interno segue em queda, com perspectivas negativas para importações.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
Published
2 horas agoon
15 de outubro de 2026By
Da Redação
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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