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Mercado financeiro acompanha inflação, pacote econômico do governo e negociações EUA-China

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Destaques:
  • Dólar abre o dia atento ao IPCA e à agenda econômica nacional e internacional
  • Governo deve anunciar medidas para compensar revogação do aumento do IOF
  • Investidores acompanham negociações entre Estados Unidos e China sobre tarifas
Dólar inicia terça em queda, com foco no IPCA e pacote econômico

O dólar começou o pregão desta terça-feira (10) acompanhando atentamente dois temas centrais: a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio e o novo pacote de medidas fiscais do governo brasileiro. Também está no radar dos investidores a reunião entre autoridades dos Estados Unidos e da China, que buscam avançar em acordos comerciais.

Na segunda-feira (9), a moeda americana fechou em leve queda de 0,14%, cotada a R$ 5,5619, renovando o menor patamar desde outubro. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, caiu 0,30%, encerrando o dia aos 135.669 pontos.

Inflação oficial (IPCA) desacelera em maio

O IBGE divulga nesta terça-feira o IPCA, principal indicador da inflação no país. A expectativa do mercado é de alta de 0,37% em maio, abaixo dos 0,43% registrados em abril. A desaceleração é atribuída a menores pressões nos preços dos alimentos e das passagens aéreas.

Por outro lado, itens como energia elétrica, devido à adoção da bandeira amarela nas contas de luz, e medicamentos, por conta de reajustes, puxam a inflação para cima. Apesar da desaceleração, o índice ainda deve permanecer acima do teto da meta de 4,5% ao ano.

De acordo com o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (9), a expectativa de inflação para 2025 é de 5,44%, o que reforça a manutenção da taxa Selic em níveis elevados, atualmente em 14,75%.

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Pacote econômico para compensar o recuo sobre o IOF

O governo federal, por meio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve anunciar nesta terça-feira um pacote de medidas para compensar a provável revogação do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), proposta que gerou forte reação negativa do mercado.

Entre as medidas previstas estão:

  • Fim da isenção do Imposto de Renda para investimentos em LCI e LCA, que passarão a ter alíquota de 5%;
  • Aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de 9% para até 20% para instituições financeiras, incluindo fintechs;
  • Elevação da taxação sobre apostas esportivas de 12% para 18%.

O governo também avalia cortar ao menos 10% dos gastos tributários e abrir discussões sobre a redução de despesas primárias.

Mesmo com essas iniciativas, o mercado segue cético. Economistas defendem que, em vez de buscar mais arrecadação, o Executivo deveria focar em aumentar a eficiência dos gastos públicos e promover reformas estruturais.

A proposta inicial de aumento do IOF havia sido apresentada junto a um bloqueio de R$ 31,3 bilhões no orçamento de 2024, com o objetivo de melhorar o resultado fiscal. Diante da forte reação negativa, o governo recuou e passou a buscar alternativas com o Congresso Nacional, envolvendo os presidentes da Câmara e do Senado.

Negociações EUA-China ganham atenção global

No cenário internacional, investidores monitoram o segundo dia de reuniões entre autoridades dos Estados Unidos e da China, que acontecem nesta terça-feira em Londres. O encontro busca avançar em acordos para aliviar a guerra tarifária iniciada durante o governo Trump.

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Estão presentes representantes como o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, o secretário do Comércio, Howard Lutnick, e o embaixador Jamieson Greer. Do lado chinês, a comitiva é liderada pelo vice-primeiro-ministro He Lifeng.

Entre os pontos discutidos estão as tarifas de importação e o acesso a minerais de terras raras, fundamentais para a indústria tecnológica. As tratativas seguem após uma trégua temporária firmada em maio, em Genebra, que amenizou as tensões comerciais, mas ainda não resolveu impasses críticos.

Investidores temem que um eventual fracasso nas negociações resulte em nova escalada tarifária, o que poderia impactar a inflação global, encarecer cadeias de suprimentos e desacelerar o crescimento econômico mundial — especialmente em um momento próximo ao aquecimento das vendas de fim de ano.

Resumo dos indicadores
  • Dólar
    • Semana: -0,14%
    • Mês: -2,73%
    • Ano: -10%
  • Ibovespa
    • Semana: -0,30%
    • Mês: -0,97%
    • Ano: +12,82%

O cenário econômico permanece volátil, com o mercado reagindo tanto a indicadores internos quanto ao ambiente externo. A expectativa é que os próximos dias tragam definições importantes sobre o rumo da política fiscal brasileira e o andamento das relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo.

*Com informações da agência de notícias Reuters.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Carne, café e soja terão que comprovar origem a partir de 30 de dezembro

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Produtores, cooperativas e exportadores brasileiros que abastecem o mercado europeu têm menos de três meses para revisar as informações de origem dos produtos sujeitos ao Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR). A aplicação começa em 30 de dezembro para grandes e médios operadores abrangidos pela norma. A preparação exige identificar as áreas de produção, conferir fornecedores e reunir evidências de regularidade.

O regulamento alcança bovinos, cacau, café, óleo de palma, borracha, soja, madeira e determinados derivados. Para entrar no mercado europeu, os produtos incluídos precisam atender a dois critérios: estar livres de desmatamento posterior a 31 de dezembro de 2020 e ter sido produzidos conforme a legislação aplicável no país de origem.

Isso significa que uma autorização de supressão de vegetação concedida no Brasil não afasta, por si só, o critério europeu. O comprador responsável pela entrada da mercadoria no bloco terá de verificar tanto a legalidade da produção quanto o histórico da área.

A localização é uma das informações centrais. Para produtos agrícolas, o regulamento exige a geolocalização das áreas onde a matéria-prima foi produzida. Quando um lote reúne produção de diferentes propriedades, as respectivas origens precisam ser identificadas.

Na pecuária, a exigência envolve os estabelecimentos onde os bovinos foram mantidos. A organização dos dados, portanto, precisa alcançar as etapas anteriores ao fornecimento para o abate, conforme os requisitos aplicáveis ao produto.

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O Cadastro Ambiental Rural (CAR) pode integrar o conjunto de informações utilizado na comprovação. Sua apresentação, entretanto, precisa estar acompanhada de dados e evidências verificáveis sobre a área, a produção e sua conformidade. Divergências entre coordenadas, documentos e registros dos fornecedores podem dificultar a análise.

A obrigação de realizar a chamada diligência devida, processo de coleta de informações e avaliação de riscos, recai principalmente sobre o operador que introduz o produto no mercado europeu pela primeira vez ou o exporta da União Europeia. O produtor brasileiro que fornece a uma empresa responsável pela exportação pode receber pedidos de informações necessários ao cumprimento dessas obrigações.

Essa diferença também importa para os prazos. A maior parte dos micro e pequenos operadores abrangidos terá até 30 de junho de 2027, mas isso não assegura automaticamente um prazo adicional ao pequeno produtor brasileiro. Quem abastece um comprador sujeito às regras em dezembro precisa organizar os dados conforme as necessidades dessa cadeia.

Há uma exceção no calendário: micro e pequenos operadores já alcançados pelo regulamento europeu da madeira deverão cumprir a EUDR a partir de 30 de dezembro de 2026.

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O Brasil está classificado pela Comissão Europeia como país de risco padrão. Por isso, os produtos brasileiros não recebem, de forma geral, a simplificação da diligência reservada às origens de baixo risco. O operador deve avaliar as informações e adotar medidas para reduzir eventuais riscos de descumprimento.

Quando os dados obrigatórios não podem ser obtidos, o produto não pode ser colocado no mercado europeu pelo operador sujeito à regra. Os documentos da diligência devem ser conservados por cinco anos.

A lista de produtos também merece atenção. Segundo a Comissão Europeia, itens acrescentados ao alcance da norma em 2026, como café solúvel, determinados derivados do óleo de palma e línguas bovinas congeladas, estarão sujeitos às exigências a partir de 30 de dezembro de 2027.

Para preparar os próximos embarques, o primeiro passo é confirmar com o comprador quais produtos e operações estão abrangidos. Depois, conferir as localizações, relacionar cada fornecimento à sua origem e organizar o histórico das áreas e os documentos de legalidade. A revisão antecipada permite identificar lacunas antes que elas comprometam a comercialização.

Fonte: Pensar Agro

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