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Mercado financeiro acompanha alta do dólar e recorde do Ibovespa em semana marcada por política monetária internacional

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Dólar sobe e acompanha movimento global

O dólar abriu a sexta-feira (19) em alta frente ao real, refletindo o comportamento da moeda norte-americana ante a maior parte das divisas. Às 9h11, o dólar à vista subia 0,22%, cotado a R$ 5,3312, enquanto o contrato futuro avançava 0,42%, a R$ 5,3425. Na quinta-feira, a moeda fechou em alta de 0,33%, aos R$ 5,3193.

O Banco Central (BC) realiza nesta sexta dois leilões de linha, no total de US$ 2 bilhões, para rolagem do vencimento de outubro, além de um leilão de swap cambial tradicional de até 40.000 contratos. Segundo especialistas, essas operações não alteram diretamente o dólar, mas influenciam o cupom cambial, que é a taxa de juros em moeda americana no Brasil.

Ibovespa atinge novo recorde intradiário

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, operava em alta de 0,60%, aos 146.376 pontos, por volta das 10h30, renovando recorde intradiário. Apesar de uma semana agitada por decisões de juros nos Estados Unidos e no Brasil, o dia começou com agenda econômica esvaziada, direcionando a atenção do mercado para o cenário político nacional.

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O relator do PL da Anistia, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), afirmou que pretende apresentar relatório com foco na redução de penas, e não no perdão dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. O debate sobre a anistia pode impactar o cenário eleitoral de 2026 e mantém o mercado atento.

Bolsas globais registram leves altas após corte de juros do Fed

No exterior, as bolsas europeias encerraram a semana em alta, mesmo após uma semana intensa de decisões de política monetária. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,3%, a 556,72 pontos, com destaque para o setor bancário, que avançou 1,1%, sensível às mudanças nas taxas de juros.

Principais índices europeus:

  • Londres (FTSE 100): +0,04% a 9.231 pontos
  • Frankfurt (DAX): -0,11% a 23.647 pontos
  • Paris (CAC 40): +0,25% a 7.874 pontos
  • Milão (FTSE/MIB): +0,31% a 42.438 pontos
  • Madri (IBEX 35): +0,48% a 1.248 pontos
  • Lisboa (PSI 20): -0,23% a 7.708 pontos

Nos Estados Unidos, os contratos futuros indicam abertura estável, após recordes recentes. A primeira redução de juros do ano pelo Federal Reserve, de 25 pontos-base, favoreceu empresas de tecnologia e inteligência artificial. Entre os futuros:

  • S&P 500: +0,04%
  • Nasdaq 100: +0,08%
  • Dow Jones: +0,03%
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Na Ásia, os resultados foram mistos. Em Tóquio, o Nikkei caiu 0,6%; em Hong Kong, o Hang Seng permaneceu estável; em Xangai, o SSEC recuou 0,30%, enquanto o CSI300 avançou 0,08%; e em Seul, o KOSPI perdeu 0,46%. O mercado aguarda a teleconferência entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, que discutirá a venda do TikTok nos EUA.

Indicadores semanais do mercado brasileiro
  • Dólar: semana -0,65%; mês -1,90%; ano -13,93%
  • Ibovespa: semana +2,27%; mês +2,88%; ano +20,96%

Analistas destacam que, apesar da volatilidade global e do cenário político interno, a semana foi marcada por otimismo no mercado financeiro, com destaque para o Ibovespa e os ativos de maior risco influenciados pelo corte de juros do Fed.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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