AGRONEGÓCIO
Mercado do Milho: Perspectivas e Desafios no Brasil e no Exterior
Publicado em
12 de maio de 2025por
Da Redação
A seguir, um detalhamento das principais dinâmicas que estão influenciando o setor.
Oferta no Sul do Brasil e a Baixa Liquidez
A TF Agroeconômica aponta que, no Brasil, o mercado de milho continua pressionado pela oferta limitada no Sul do país, especialmente em estados como o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, a comercialização recuou significativamente, com os produtores vendendo menos para cooperativas e cerealistas. Grande parte das indústrias locais já garantiu volumes para maio, enquanto se movimenta para garantir as necessidades de junho e julho.
Em Santa Catarina, o destaque foi o salto de produtividade do milho verão, com aumento superior a 40%, alcançando uma média recorde de 9.717 kg/ha. No entanto, a liquidez no mercado permanece baixa, principalmente pela diferença entre os preços pedidos pelos produtores, que podem chegar até R$ 85,00/saca, e as ofertas, com preços máximos de R$ 80,00 CIF. A expectativa é que o ritmo de negociações melhore após o avanço da colheita da soja, que deve liberar mais logística para movimentação do grão.
Previsões de Safra e Recomendação de Venda Imediata
A análise da TF Agroeconômica também sugere que os produtores devem vender a produção de milho imediatamente para cobrir compromissos a prazo de safra, uma vez que os preços podem recuar ainda mais nos próximos meses. A recomendação é vender agora, enquanto os preços estão relativamente estáveis, e armazenar o restante para negociações no segundo semestre, quando há previsão de recuperação de preços.
Entre os fatores que pressionam os preços para baixo, está a previsão de uma safra brasileira maior do que a estimada inicialmente. A consultoria Céleres, por exemplo, elevou sua estimativa para a safra 2024/25 para 135,40 milhões de toneladas, impulsionada pela boa performance da safrinha, que agora está projetada em 104,30 milhões de toneladas. No cenário internacional, os Estados Unidos também indicam um aumento na produção. A safra 2025/26 deverá atingir um recorde de 401,01 milhões de toneladas, pressionando ainda mais os preços globais.
Desafios no Mercado Internacional e Pressões Externas
A nível internacional, o mercado do milho está sendo pressionado pela forte produção nos Estados Unidos, que já semeou 40% da área prevista, ritmo superior ao do ano anterior. Além disso, a relação comercial entre os EUA e o Canadá, maior comprador de etanol de milho dos Estados Unidos, continua incerta. Recentemente, um encontro entre o ex-presidente Donald Trump e o premiê canadense Mark Carney não resultou em avanços concretos, mantendo as tensões e gerando incertezas no mercado global de milho.
Dinâmica de Preços na Bolsa de Mercadorias
Na Bolsa de Mercadorias de São Paulo (B3), o milho fechou em baixa, com a pressão sazonal da colheita do milho safrinha e o impacto da desvalorização do dólar. As cotações na B3 variaram conforme as condições do mercado. O vencimento de julho/25 fechou a R$ 64,17, apresentando uma queda de R$ -0,56 no dia e de R$ -2,90 na semana. O mercado espera um maior volume da safrinha, o que pode pressionar os preços ainda mais para baixo nas próximas semanas.
Já na Bolsa de Chicago, as cotações registraram alta no fechamento do dia, mas o acumulado da semana ainda foi negativo. O mercado reagiu a expectativas de um relatório favorável do USDA, mas a forte produção da safrinha brasileira e o avanço do plantio nos EUA limitam qualquer recuperação significativa nos preços a curto prazo.
Expectativas e Tendências para os Próximos Meses
Diante desse cenário de alta oferta global e de um mercado doméstico marcado por uma boa produção, mas com baixa liquidez, as expectativas para o milho são de preços contidos até pelo menos julho. A recuperação de preços pode ocorrer no segundo semestre, especialmente à medida que a colheita da soja avance e a logística se libere. Contudo, as tensões comerciais e a perspectiva de uma safra recorde nos Estados Unidos são fatores que seguirão exercendo pressão sobre o mercado no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Paraná projeta safra recorde de cevada em 2026 e fortalece liderança nacional na produção
Published
6 horas agoon
15 de junho de 2026By
Da Redação
O Paraná caminha para registrar uma safra histórica de cevada em 2026. Impulsionado pelas condições climáticas favoráveis e pela expansão da área cultivada, o estado deve colher mais de 550 mil toneladas do cereal, consolidando sua posição como principal produtor brasileiro.
As informações constam no mais recente Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado nesta semana.
Área cultivada cresce 21% e reforça expectativa de produção recorde
O plantio da cevada já alcançou 44% da área prevista para a safra 2026, beneficiado pelo clima favorável e pelos níveis adequados de umidade no solo.
A projeção aponta para uma área recorde de 126 mil hectares, crescimento de 21% em relação aos 104 mil hectares cultivados na temporada anterior. Com isso, a produção estadual deverá superar 550 mil toneladas, ampliando ainda mais a participação paranaense no abastecimento nacional.
Segundo o engenheiro agrônomo e analista do Deral, Carlos Hugo Godinho, o avanço dos trabalhos foi favorecido pelas condições climáticas observadas nas últimas semanas.
“As chuvas registradas em maio foram importantes para garantir a umidade necessária ao desenvolvimento das lavouras, enquanto o período mais seco recente permitiu acelerar o plantio”, destacou.
Apesar do cenário positivo, os técnicos acompanham com atenção os possíveis impactos do fenômeno El Niño. A expectativa de maior volume de chuvas durante a primavera pode comprometer a qualidade dos grãos no período da colheita.
Paraná lidera produção nacional de cevada
O estado mantém ampla liderança na produção brasileira de cevada. O segundo maior produtor do país, o Rio Grande do Sul, tem previsão de colher cerca de 100,4 mil toneladas.
De acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção nacional deverá atingir 678,7 mil toneladas em 2026, representando aumento de 7,2% em comparação ao ciclo anterior.
Safra de milho segue em desenvolvimento e mantém potencial produtivo
O boletim também destaca o avanço da segunda safra de milho 2025/26, cuja estimativa permanece em 17,5 milhões de toneladas.
A colheita começou de forma pontual na região Oeste, principal polo produtor do estado. Até o momento, aproximadamente 14 mil hectares foram colhidos, volume que representa menos de 1% da área total cultivada.
Dos 2,9 milhões de hectares plantados, cerca de 24% das lavouras já estão na fase final de desenvolvimento e praticamente livres dos riscos de geadas. Os demais 76% ainda demandam monitoramento das condições climáticas durante as próximas semanas.
Exportações de carne de peru ganham força
A cadeia produtiva de perus também apresentou resultados positivos. Em 2025, o Paraná ampliou sua participação nas exportações brasileiras da proteína, alcançando 22,61% do total nacional.
Os embarques estaduais somaram 14.875 toneladas, avanço expressivo em relação às 8.692 toneladas exportadas no ano anterior.
No cenário nacional, a carne de peru brasileira foi destinada a 88 mercados internacionais, com destaque para os países das Américas, responsáveis por 63,05% das compras, e da África, com participação de 31,15%.
Maior oferta pressiona preços do brócolis
No segmento de hortaliças, o aumento sazonal da produção provocou queda nos preços do brócolis no mercado atacadista.
A região de Curitiba, responsável por mais de 75% da produção estadual, registrou ampliação da oferta nas primeiras semanas de junho. Como resultado, o preço médio praticado no entreposto da capital recuou para R$ 8,33 por quilo, valor 28,6% inferior ao observado no mesmo período do mês anterior.
Balança comercial de lácteos fecha quadrimestre com superávit em volume
O setor lácteo paranaense encerrou o primeiro quadrimestre de 2026 com saldo positivo em volume comercializado no mercado externo.
As exportações alcançaram 4,3 mil toneladas, superando as importações, que totalizaram 3,1 mil toneladas no período.
Entretanto, a balança comercial permaneceu deficitária em valor financeiro. Enquanto as vendas externas geraram receita de US$ 8,1 milhões, as importações somaram US$ 11,4 milhões.
O resultado reflete o perfil da pauta comercial do setor. O Paraná exporta predominantemente produtos de menor valor agregado, como manteiga, enquanto importa itens com maior valor de mercado, especialmente queijos.
Agronegócio paranaense mantém trajetória de crescimento
Os números apresentados pelo Deral reforçam o bom momento vivido pelo agronegócio paranaense. A expectativa de safra recorde de cevada, o avanço do milho, o fortalecimento das exportações de proteína animal e o desempenho positivo de diferentes cadeias produtivas demonstram a diversidade e a força do setor no estado.
Mesmo diante dos desafios climáticos e das oscilações de mercado, o Paraná segue ampliando sua relevância no cenário agropecuário nacional e consolidando sua posição entre os principais polos produtores do Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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