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Mercado do milho enfrenta baixa liquidez e preços pressionados, enquanto expectativa pelo USDA mantém preços estáveis

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O mercado de milho no Sul do Brasil mantém-se com liquidez muito reduzida e negociações praticamente estagnadas. No Rio Grande do Sul, a dependência de milho de outras regiões permanece alta. As cotações para entrega em agosto oscilam entre R$ 66,00 e R$ 70,00, mas sem fechamento de negócios devido à baixa demanda.

Em Santa Catarina, o milho local perde competitividade e se iguala ao preço do milho importado. No Planalto Norte, as pedidas giram em R$ 80,00 por saca, enquanto as ofertas não ultrapassam R$ 75,00. Em Campos Novos, a disparidade é ainda maior, com pedidos entre R$ 83,00 e R$ 85,00 e ofertas CIF de até R$ 75,00.

No Paraná, a negociação é travada pela resistência dos produtores e cautela dos compradores. Nos Campos Gerais, as pedidas ficam em torno de R$ 76,00 a saca FOB, com algumas negociações pontuais a R$ 80,00, enquanto as ofertas CIF permanecem em R$ 73,00, voltadas principalmente para a indústria de rações.

Em Mato Grosso do Sul, a liquidez também está baixa, com forte pressão baixista nos preços. A região de Campo Grande destaca-se como a que registrou maior recuo semanal, com preços médios próximos de R$ 45,00, refletindo a falta de firmeza nos negócios.

Mercado futuro do milho na B3 e Bolsa de Chicago operam estáveis

Na manhã desta sexta-feira (11), os contratos futuros do milho na Bolsa Brasileira (B3) operavam próximos da estabilidade, com preços oscilando entre R$ 62,45 (julho/25) e R$ 71,06 (janeiro/26). Os vencimentos julho e setembro apresentavam pequenas quedas, enquanto novembro e janeiro registravam ligeiras altas.

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Na Bolsa de Chicago (CBOT), os preços internacionais do milho operavam com leves quedas. Por volta das 9h44 (horário de Brasília), o contrato julho/25 valia US$ 4,05 por bushel (-1,75 ponto), enquanto setembro e dezembro caíam cerca de 2,25 pontos. A leve desvalorização ocorre em meio à expectativa dos investidores pela próxima divulgação dos dados de oferta e demanda do USDA.

Segundo o analista Bruce Blythe, da Farm Futures, o clima favorável no Centro-Oeste americano, com chuvas abundantes e temperaturas amenas durante a fase de polinização do milho, reforça a perspectiva de uma safra recorde, o que limita as tentativas de recuperação nos preços.

Conab eleva estimativas de safra e pressão sobre preços se intensifica

Na quinta-feira (10), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aumentou a projeção da colheita total de milho para 131,97 milhões de toneladas, ante os 128,25 milhões estimados anteriormente. O crescimento foi puxado pelo avanço do milho safrinha, cuja produção passou de 101,01 para 104,54 milhões de toneladas.

Esse aumento da oferta doméstica tem pressionado os preços na B3, mesmo com as previsões de elevação nas exportações. De acordo com a consultoria TF Agroeconômica, os contratos futuros do milho fecharam a quinta em queda, com o vencimento julho/25 cotado a R$ 62,46, setembro/25 a R$ 62,95 e novembro/25 a R$ 66,61, todas com perdas diárias moderadas.

Na Bolsa de Chicago, os contratos encerraram estáveis, com o vencimento setembro mantido em US$ 3,99 por bushel e dezembro com leve alta de 0,24%, a US$ 4,16. Apesar disso, os preços permanecem próximos aos menores níveis dos últimos oito meses. O movimento de leve recuperação foi impulsionado por um relatório positivo de vendas externas, 46% superior à semana anterior.

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Ameaças tarifárias impactam a confiança do mercado

Além dos fundamentos de oferta e demanda, o mercado monitora atentamente as recentes ameaças tarifárias do ex-presidente Donald Trump. A proposta de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, válida a partir de 1º de agosto, pode ter impacto indireto sobre o milho, já que o cereal é amplamente utilizado na alimentação animal e os EUA são um dos maiores compradores da carne brasileira.

Também são observadas as tarifas direcionadas a outros países, como Canadá, Japão e Coreia do Sul, que reforçam a preocupação com possíveis repercussões no comércio internacional e na dinâmica dos preços.

Resumo e perspectivas
  • Liquidez do milho permanece baixa no Sul do Brasil, com negociações travadas devido ao descompasso entre preços pedidos e oferecidos.
  • Preços futuros na B3 operam estáveis, com leves oscilações, enquanto a Bolsa de Chicago registra pequeno recuo.
  • Estimativas da Conab para a safra de milho aumentam, reforçando a oferta e pressionando os preços domésticos.
  • Ameaças tarifárias dos EUA geram incertezas, ainda que o impacto direto sobre o milho seja limitado.
  • O mercado aguarda os próximos dados do USDA para definir a tendência dos preços nos próximos meses.

Esse cenário sugere que, apesar da baixa liquidez e da pressão nos preços, o mercado do milho deve seguir em compasso de espera até a divulgação dos dados oficiais, enquanto fatores climáticos e comerciais continuam influenciando as negociações.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações do Rio Grande do Sul somam US$ 4,4 bilhões no 1º trimestre de 2026, com destaque para carnes

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As exportações do Rio Grande do Sul totalizaram US$ 4,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Em termos nominais, o resultado representa o quarto maior valor da série histórica iniciada em 1997, evidenciando a relevância do estado no comércio exterior brasileiro.

Carnes impulsionam desempenho da pauta exportadora

Entre os principais produtos exportados, o destaque ficou para o segmento de proteínas animais e animais vivos.

As exportações de carne suína registraram crescimento expressivo de 49,6%, com incremento de US$ 75,8 milhões. Também apresentaram avanço:

  • Vendas de bovinos e bubalinos vivos: alta de US$ 57,2 milhões;
  • Carne bovina: aumento de US$ 33,7 milhões.

O desempenho positivo desses produtos contribuiu para amenizar as perdas em outros segmentos relevantes da pauta exportadora.

Exportações caem em relação a 2025

Na comparação com o mesmo período de 2025, o valor total exportado pelo estado apresentou retração de 7,5%, o equivalente a uma queda de US$ 357,4 milhões.

O recuo foi influenciado principalmente pela redução nas vendas de produtos estratégicos:

  • Soja em grão: queda de 77,0% (-US$ 188,3 milhões);
  • Fumo não manufaturado: retração de US$ 172,9 milhões;
  • Celulose: recuo de US$ 68,1 milhões;
  • Polímeros de etileno: diminuição de US$ 45,5 milhões.
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Estado mantém posição no ranking nacional

Apesar da retração no valor exportado, o Rio Grande do Sul manteve a sétima colocação entre os principais estados exportadores do país.

O estado ficou atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará e Paraná. No entanto, houve redução na participação relativa, que passou de 6,2% para 5,3% no período analisado.

Diversificação de destinos marca exportações gaúchas

No primeiro trimestre de 2026, o Rio Grande do Sul exportou para 169 destinos, reforçando a diversificação de mercados.

Os principais compradores foram:

  • União Europeia: 12,2% das exportações;
  • China: 9,2%;
  • Estados Unidos: 7,3%.

Entre os parceiros comerciais, a China apresentou a maior queda em termos absolutos, com retração de US$ 301,6 milhões, impactada pela redução nas compras de soja e fumo.

Os Estados Unidos também registraram recuo relevante (-US$ 148,7 milhões), influenciado principalmente pelos setores florestal e de armas e munições.

Egito e Filipinas ganham destaque nas compras

Em contrapartida, alguns mercados ampliaram significativamente suas importações de produtos gaúchos.

Destacam-se:

  • Egito: aumento de US$ 105,1 milhões;
  • Filipinas: alta de US$ 104,5 milhões.
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O crescimento foi impulsionado principalmente pelas vendas de cereais e carnes.

Cenário internacional pressiona comércio exterior

O desempenho das exportações do estado ocorre em meio a um ambiente global de incertezas.

As vendas para o Irã, que representaram 1,8% do total exportado, recuaram 5,5% no período, refletindo impactos de sanções econômicas e restrições financeiras que historicamente afetam as relações comerciais com o país.

No caso dos Estados Unidos, a queda de 31,9% nas exportações foi superior à média geral do estado. O resultado está ligado, entre outros fatores, ao desempenho do setor de armas e munições, sensível a mudanças regulatórias e tarifárias.

Perspectivas indicam cenário desafiador

Apesar do bom desempenho de segmentos como o de carnes, a retração em produtos-chave como soja e celulose evidencia os desafios enfrentados pelo estado no comércio internacional.

O cenário para os próximos meses seguirá condicionado à demanda global, às condições de mercado e ao ambiente geopolítico, fatores que devem continuar influenciando o desempenho das exportações gaúchas ao longo de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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