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Mercado de milho no Brasil mantém cautela em meio a preços estáveis

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O mercado brasileiro de milho segue cauteloso nesta quinta-feira, com produtores e consumidores mantendo uma atitude mais retraída enquanto analisam as tendências de preços no país. A postura cuidadosa reflete um momento de expectativas sobre a dinâmica do mercado, enquanto o cenário internacional mostra queda na Bolsa de Mercadorias de Chicago e valorização do dólar em relação ao real.

Na quarta-feira, o mercado brasileiro de milho permaneceu estagnado, com pouca variação nos preços. Os consumidores adotaram uma abordagem mais tranquila devido ao volume de estoques, adquirindo apenas lotes esporádicos na expectativa de preços mais baixos com a entrada da safrinha. Enquanto isso, os produtores, atentos ao movimento dos contratos futuros e ao clima, especulam sobre o melhor momento para negociar.

Outro fator de atenção é o relatório de Oferta e Demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado na sexta-feira (10). Os dados deste relatório podem influenciar as negociações no mercado doméstico.

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Nas principais praças de comercialização do Brasil, os preços variaram pouco. No Porto de Santos, a saca do milho foi negociada entre R$ 59,50 e R$ 62,00, enquanto no Porto de Paranaguá, a faixa de preço ficou entre R$ 59,00 e R$ 64,00. No Paraná, em Cascavel, o valor oscilou entre R$ 56,00 e R$ 57,00 por saca, e em São Paulo, na Mogiana, o preço ficou entre R$ 55,00 e R$ 57,00. No Rio Grande do Sul, em Erechim, a saca de milho foi cotada entre R$ 63,00 e R$ 65,00.

No mercado internacional, a Bolsa de Chicago registrou baixa, com os contratos para julho de 2024 caindo 0,75 centavo, ou 0,16%, para US$ 4,57 3/4 por bushel. A queda se deve ao avanço do plantio nos Estados Unidos e à desaceleração do dólar frente a outras moedas. No entanto, a alta do petróleo e as expectativas de uma menor safra na Argentina limitaram uma queda mais acentuada.

Além disso, as vendas semanais de milho dos Estados Unidos ficaram dentro do esperado, com 889.200 toneladas vendidas para a temporada 2023/24, lideradas pelo México, que comprou 193.400 toneladas. Para a temporada 2024/25, foram 49,1 mil toneladas adicionais. Analistas esperavam vendas entre 600 mil e 1,1 milhão de toneladas.

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O câmbio também influencia o mercado doméstico. O dólar comercial apresentou alta de 1,10%, sendo negociado a R$ 5,1469. Esse movimento pode impactar os preços do milho, tornando as exportações mais atrativas para os produtores.

Enquanto o mercado aguarda novos dados e indicadores, a cautela continua sendo a tônica para a quinta-feira, com todos os olhos voltados para os desdobramentos no cenário nacional e internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Safra 2026/27 confirma avanço do crédito privado e reduz dependência do financiamento oficial no agro

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O anúncio do Plano Safra 2026/27 trouxe um novo recorde nominal para o crédito rural empresarial, com R$ 525,1 bilhões destinados a médios e grandes produtores. Apesar do volume expressivo, o crescimento de apenas 1,7% em relação à safra anterior ficou abaixo da inflação acumulada e do avanço esperado para o setor, gerando questionamentos sobre a capacidade do programa de sustentar sozinho a expansão do agronegócio brasileiro.

Mais do que o valor anunciado, o que chama a atenção é a mudança estrutural que vem ocorrendo no sistema de financiamento rural. O crédito privado, impulsionado por instrumentos como CPR, Fiagro, CRA e LCA, assume papel cada vez mais relevante, reduzindo a dependência histórica dos recursos subsidiados pelo governo.

Plano Safra cresce menos e reflete cenário de maior cautela

O novo ciclo do Plano Safra foi lançado em um contexto marcado por margens mais apertadas no campo, aumento da inadimplência em algumas cadeias produtivas e maior seletividade das instituições financeiras.

Dos R$ 525,1 bilhões anunciados, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e comercialização da produção, uma redução de 7,2% em relação à safra anterior. Já os recursos para investimentos somam R$ 140,2 bilhões, alta de 38,1%, sinalizando prioridade para projetos de modernização, tecnologia e infraestrutura.

Além disso, houve redução nas principais taxas de juros das linhas de financiamento, acompanhando o início do ciclo de queda da taxa Selic. O crédito de custeio empresarial passou de 14% para 12,5% ao ano, enquanto o Pronamp caiu de 10% para 9%.

Crédito privado ganha protagonismo no financiamento rural

Embora o Plano Safra continue sendo um importante instrumento de política agrícola, sua participação relativa no financiamento do setor vem diminuindo.

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Nas últimas cinco safras, o crescimento do crédito rural ocorreu principalmente por meio de recursos livres, captados a mercado. Enquanto o crédito subsidiado permaneceu praticamente estável, as operações com recursos privados avançaram de forma consistente.

Esse movimento mostra que o agronegócio brasileiro está cada vez menos dependente dos subsídios governamentais e mais conectado ao sistema financeiro e ao mercado de capitais.

A participação dos recursos equalizados — aqueles em que o Tesouro Nacional subsidia parte dos juros — caiu significativamente nos últimos anos, representando atualmente cerca de 22% do total disponibilizado pelo Plano Safra.

Cooperativas ampliam presença no campo

Outro destaque da transformação do crédito rural é o avanço das cooperativas financeiras.

Nos últimos dez anos, a participação dessas instituições nas operações de crédito rural praticamente dobrou. Em diversas regiões do país, especialmente no interior, as cooperativas se tornaram a principal fonte de financiamento para produtores rurais.

Além da proximidade com o associado, essas instituições ampliaram sua capacidade de captação no mercado, fortalecendo sua atuação em um cenário de maior demanda por crédito e menor participação dos bancos tradicionais.

CPR alcança R$ 565 bilhões e lidera expansão do mercado privado

A principal evidência da mudança estrutural está no crescimento da Cédula de Produto Rural (CPR), instrumento que se consolidou como a espinha dorsal do crédito privado no agronegócio.

O estoque de CPR saltou de aproximadamente R$ 170 bilhões para R$ 565 bilhões em apenas seis safras, crescimento superior a 230%. O avanço supera com folga a expansão registrada pelo próprio Plano Safra no mesmo período.

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Paralelamente, outros instrumentos também ganharam espaço. O estoque de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) alcançou cerca de R$ 176 bilhões, enquanto os Fiagros já administram aproximadamente R$ 62 bilhões em ativos distribuídos em centenas de fundos.

Somados a operações de barter e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os mecanismos privados movimentam atualmente cerca de R$ 1,4 trilhão, consolidando uma nova realidade para o financiamento da produção agropecuária.

Desafio para produtores passa a ser gestão financeira

Especialistas apontam que o principal desafio para os próximos anos não será apenas acessar crédito, mas administrar diferentes fontes de financiamento de forma estratégica.

Ferramentas como CPR, barter, Fiagro e operações estruturadas passam a integrar cada vez mais o planejamento financeiro das propriedades rurais. Nesse cenário, gestão de risco, proteção de margem e eficiência operacional tornam-se fatores tão importantes quanto produtividade e tecnologia.

Nova fase do crédito rural já começou

O Plano Safra 2026/27 reforça uma tendência que vem se consolidando no agronegócio brasileiro: o financiamento da produção deixou de depender exclusivamente dos recursos oficiais.

Embora continue relevante, o programa governamental passa a atuar como parte de um sistema mais amplo, formado por cooperativas, mercado financeiro, investidores e instrumentos privados.

A mensagem para o setor é clara: o futuro do crédito rural será construído pela combinação entre recursos públicos e privados. Mais do que acompanhar o tamanho dos anúncios oficiais, produtores, empresas e investidores precisarão observar a qualidade do funding, a gestão dos riscos e a capacidade de execução dos projetos para garantir competitividade nos próximos ciclos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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