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Mercado de Milho Enfrenta Liquidez Baixa no Brasil, Enquanto Preços Seguem Divergentes entre B3 e Chicago

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O mercado brasileiro de milho apresenta cenário desafiador, mesmo com a safra recorde avançando em várias regiões. Segundo levantamento da TF Agroeconômica, produtores enfrentam dificuldades para fechar negócios devido à diferença entre preços pedidos e ofertas efetivas.

No Rio Grande do Sul, a dependência do milho externo é forte e o mercado permanece travado. As indicações de compra variam de R$ 65,00 a R$ 68,00 por saca em cidades como Santa Rosa, Ijuí, Marau, Gaurama, Seberi, Arroio do Meio, Lajeado e Montenegro. Para agosto, os pedidos oscilam entre R$ 68,00 e R$ 70,00 no interior, enquanto no porto o preço futuro para fevereiro de 2026 está em R$ 70,00/saca.

Em Santa Catarina, a liquidez também é limitada, pressionando os produtores. Em Campos Novos, as pedidas chegam a R$ 80,00/saca, contra ofertas de até R$ 70,00. No Planalto Norte, solicitações estão em R$ 75,00, enquanto ofertas giram em torno de R$ 71,00, dificultando os negócios e levando alguns agricultores a reduzir investimentos para o próximo ciclo.

O Paraná acompanha tendência semelhante. Produtores pedem R$ 73,00/saca FOB, chegando a R$ 75,00 em algumas localidades, enquanto compradores oferecem menos de R$ 70,00 CIF, travando as negociações. Leves ajustes para cima foram registrados em levantamentos regionais: Metropolitana de Curitiba a R$ 66,90, Oeste Paranaense a R$ 55,14, Norte Central a R$ 55,70 e Centro Oriental a R$ 57,19, com variações entre R$ 54,00 e R$ 64,00/saca.

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No Mato Grosso do Sul, a colheita está atrasada em relação ao ano anterior, mas com produtividade maior. O comércio segue lento, com cotações entre R$ 45,00 e R$ 52,00/saca. Apesar de leves altas nos últimos dias, não há estímulo suficiente para movimentar o mercado, e produtores e compradores permanecem resistentes em fechar contratos.

Divergência de preços entre B3 e Bolsa de Chicago

Enquanto o mercado interno enfrenta liquidez baixa, os contratos de milho apresentam movimentos distintos entre B3 e Bolsa de Chicago. No Brasil, os preços futuros recuaram devido à realização de lucros após sequência de altas recentes e à queda do dólar, que reduz a competitividade do milho nacional no exterior.

No fechamento, os contratos na B3 ficaram assim:

  • Setembro/25: R$ 65,37 (-R$ 0,88 no dia, +R$ 0,52 na semana)
  • Novembro/25: R$ 68,20 (-R$ 0,78 no dia, +R$ 1,23 na semana)
  • Janeiro/26: R$ 70,74 (-R$ 0,72 no dia, +R$ 0,74 na semana)

Em Chicago, por outro lado, o milho registrou leve alta, impulsionada por compras de oportunidade diante de preços mais baixos no mercado norte-americano. Os contratos encerraram assim:

  • Setembro: US$ 380,00/bushel (+0,13% ou +US$ 0,50)
  • Dezembro: US$ 404,00/bushel (+0,19% ou +US$ 0,75)
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A recuperação ocorre mesmo com a supersafra nos Estados Unidos, equilibrada por demanda aquecida. Levantamentos do ProFarmer indicam produtividade acima da média histórica em Indiana e Nebraska, e exportadores confirmam novas vendas para México e Colômbia.

Com isso, o mercado de milho brasileiro segue dividido, refletindo pressões internas, liquidez limitada, força do dólar e a dinâmica da oferta norte-americana, impactando a competitividade internacional do produto.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Acordo Mercosul-UE entra em vigor e abre mercado para agro brasileiro, com desafios distintos para café e frutas

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Após mais de duas décadas de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia inicia uma nova fase com a entrada em vigor do chamado Acordo Interino de Comércio, marcando a abertura gradual do mercado europeu para produtos do agronegócio brasileiro. A partir de 1º de maio, o foco recai sobre o Pilar Comercial, permitindo a redução imediata de tarifas sem a necessidade de aprovação pelos parlamentos dos 27 países do bloco europeu.

O movimento representa uma janela relevante de oportunidades para o Brasil, mas com impactos distintos entre setores. Enquanto o café solúvel avança de forma mais gradual e sob forte pressão regulatória, o segmento de frutas tende a capturar benefícios mais rapidamente, embora ainda enfrente desafios logísticos e sanitários.

Acesso ampliado, mas condicionado à sustentabilidade

A abertura tarifária não garante, por si só, o aumento das exportações. Especialistas destacam que o acesso ao mercado europeu dependerá do cumprimento de exigências ambientais rigorosas, especialmente ligadas ao Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

Nesse cenário, produtores brasileiros precisarão comprovar, de forma estruturada, a rastreabilidade e a sustentabilidade de suas cadeias produtivas. A adaptação a essas regras deve ser um dos principais desafios no curto prazo, sobretudo para o setor cafeeiro.

Café solúvel: recuperação gradual e exigências mais rígidas

No caso do café solúvel, o acordo prevê redução tarifária progressiva ao longo de quatro anos. Já na fase inicial, há uma diminuição de 1,8 ponto percentual sobre a tarifa atual, hoje em 9%.

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O setor avalia que o novo cenário pode ajudar o Brasil a recuperar participação no mercado europeu, perdida nas últimas décadas. Atualmente, a União Europeia responde por cerca de 20% a 22% das exportações brasileiras de café solúvel, com volume próximo de 16 mil toneladas ao ano.

Mesmo em caráter provisório, o acordo já começa a gerar efeitos positivos. Empresas exportadoras iniciaram negociações com compradores europeus, que passaram a demandar informações detalhadas sobre o novo ambiente tarifário e as condições de fornecimento.

A expectativa é de crescimento gradual das exportações, acompanhando a redução das tarifas e o avanço na adequação às exigências ambientais.

Frutas: ganho mais imediato e expansão de mercado

Para o setor de frutas, o impacto tende a ser mais direto, embora varie conforme o produto. Algumas categorias, como a uva de mesa, passam a ter tarifa zerada já na entrada em vigor do acordo. Outras frutas seguirão cronogramas de redução tarifária que podem se estender por quatro, sete ou até dez anos.

A avaliação do setor é de que o cenário é positivo, com potencial de aumento da competitividade e ampliação da presença brasileira no mercado europeu.

Exportadores já iniciaram processos de adaptação, com ajustes na documentação e nos padrões exigidos pelos compradores internacionais. A tendência é de avanço mais rápido em relação ao café, especialmente pela menor pressão regulatória ambiental direta sobre algumas cadeias produtivas.

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Desafios estruturais e competitividade

Apesar da abertura comercial, especialistas apontam que o principal obstáculo não está na produção, mas na capacidade de organização e adequação às exigências do mercado europeu.

A necessidade de consolidar sistemas de rastreabilidade, comprovação de origem e conformidade ambiental exige investimentos e coordenação entre produtores, cooperativas e exportadores.

Cenário político e limites do acordo

Outro ponto relevante é que o acordo mais amplo entre Mercosul e União Europeia ainda não foi totalmente ratificado, especialmente no que se refere às cláusulas ambientais. No entanto, a entrada em vigor do pilar comercial reduz a capacidade de países críticos ao acordo de interferirem no curto prazo.

Na prática, isso significa que a redução de tarifas já passa a valer, mesmo sem consenso total dentro do bloco europeu.

Perspectivas para o agro brasileiro

A implementação do acordo inaugura uma nova fase para o comércio entre Brasil e União Europeia, com potencial de ampliar exportações e diversificar mercados. No entanto, o sucesso dessa abertura dependerá diretamente da capacidade do agronegócio brasileiro de atender às exigências regulatórias e fortalecer sua competitividade internacional.

A janela está aberta, mas o avanço efetivo dependerá da adaptação do setor às novas regras do comércio global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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