AGRONEGÓCIO
Mercado de insumos agrícolas começa o ano com contrastes entre fertilizantes e defensivos
Publicado em
2 de março de 2026por
Da Redação
O mercado de insumos agrícolas iniciou 2026 com comportamentos distintos entre os principais segmentos, segundo análise de especialistas. Enquanto os fertilizantes apresentam pressão de preços, o setor de defensivos agrícolas mostra maior equilíbrio e estabilidade, proporcionando um ambiente mais previsível para o produtor rural.
Fertilizantes sobem e defensivos mantêm estabilidade
De acordo com Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, o início do ano revela um contraste evidente entre os dois grupos de insumos. “Os fertilizantes começam o ano estressados, com preços mais elevados, enquanto o mercado de defensivos segue em condição bem mais equilibrada”, afirma.
Nos últimos meses, as oscilações de preços foram pequenas e influenciadas principalmente pelas variações cambiais, sem grandes choques de oferta ou demanda. O cenário atual é mais estável quando comparado aos períodos de forte volatilidade registrados no passado recente.
Volatilidade fica no passado e poder de compra segue equilibrado
O analista lembra que os tempos de alta extrema, como o período em que o glifosato ultrapassou R$ 100 por litro no Brasil, ficaram para trás. Hoje, o poder de compra do produtor — medido pela quantidade de sacas necessárias por hectare para custear os insumos de proteção das lavouras — apresenta poucas distorções, salvo em casos pontuais.
Entre os produtos monitorados, tebuconazol se destaca por oferecer relação de troca mais favorável ao agricultor, superando os níveis observados em 2023 e 2024. Por outro lado, clorotalonil e mancozeb tiveram aumento de preços sem compensação proporcional nos valores da soja, o que reduziu o poder de compra dos produtores.
Safra 2026/27 deve manter equilíbrio, com câmbio como fator-chave
De maneira geral, os pacotes de insumos avaliados indicam um cenário de equilíbrio para a safra 2026/27, sem riscos significativos de desequilíbrio entre custos e rentabilidade. O principal fator de atenção segue sendo o câmbio, que influencia diretamente os preços dos produtos importados e a competitividade do mercado interno.
A equipe responsável pelo acompanhamento do setor publicou um relatório detalhado sobre o comportamento dos insumos agrícolas no início de 2026, com foco na formação de preços e nas perspectivas de mercado para os próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Recuperações judiciais no agronegócio batem recorde mesmo com safra forte e expõem impacto dos juros altos no campo
Published
7 minutos agoon
7 de julho de 2026By
Da Redação
O agronegócio brasileiro vive um cenário de contrastes em 2026. Enquanto a produção agrícola segue em níveis elevados, impulsionada por boas safras e alta produtividade, o setor enfrenta um agravamento da situação financeira de produtores e empresas. O reflexo mais evidente desse movimento é o aumento recorde dos pedidos de recuperação judicial.
Dados da Serasa Experian mostram que 1.990 recuperações judiciais foram registradas no agronegócio em 2025, maior número da série histórica iniciada em 2021. O volume representa crescimento de 56,4% em relação a 2024 e é quase quatro vezes superior ao registrado em 2023, quando foram contabilizados 534 pedidos.
Embora ainda não existam números consolidados para 2026, especialistas avaliam que os fatores que pressionam o setor permanecem presentes e não indicam uma reversão estrutural no curto prazo.
Alta produtividade não garante rentabilidade
Na avaliação de especialistas, o aumento das recuperações judiciais não está relacionado à capacidade produtiva do agronegócio, mas ao estreitamento das margens de lucro provocado pelo aumento dos custos e pela dificuldade de acesso ao crédito.
Segundo Denis Barroso, sócio da Barroso Advogados Associados e especialista em recuperação empresarial, muitos produtores continuam colhendo boas safras, mas recebem menos pelas commodities enquanto enfrentam custos significativamente maiores para produzir.
O resultado é uma combinação de insumos mais caros, juros elevados e preços agrícolas mais voláteis, fatores que reduzem a rentabilidade da atividade e comprometem a capacidade de pagamento das dívidas.
Juros elevados pressionam toda a cadeia do agronegócio
Entre os principais fatores que explicam o aumento das dificuldades financeiras está o elevado custo do crédito rural.
Nos últimos anos, muitos produtores renegociaram dívidas em um ambiente financeiro que já apresentava juros elevados. Com a manutenção da política monetária restritiva e maior seletividade das instituições financeiras, o refinanciamento tornou-se ainda mais caro.
Segundo Denis Barroso, esse movimento cria um efeito cumulativo sobre o endividamento das propriedades rurais.
Além do produtor, o aperto no crédito também afeta cooperativas, tradings, revendas de insumos, transportadoras e diversas empresas ligadas ao agronegócio, reduzindo a circulação de recursos em economias fortemente dependentes da atividade agrícola.
Inadimplência cresce no meio rural
Os sinais de deterioração financeira também aparecem nos indicadores de inadimplência.
Dados da Serasa Experian apontam que 8,3% da população rural estava inadimplente no terceiro trimestre de 2025, avanço de 0,9 ponto percentual em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O aumento reforça o ambiente de maior cautela por parte das instituições financeiras, que passaram a exigir garantias mais robustas e adotaram critérios mais rigorosos para concessão de novos financiamentos.
Crédito restrito reduz investimentos no campo
Especialistas destacam que o atual cenário modifica significativamente a dinâmica de investimento no agronegócio.
Com menos acesso ao crédito e custos financeiros elevados, produtores e empresas tendem a adiar investimentos em máquinas, tecnologia, infraestrutura e expansão da produção.
Esse comportamento gera impactos em toda a cadeia produtiva, afetando fabricantes de equipamentos agrícolas, empresas de logística, fornecedores de insumos e prestadores de serviços.
Recuperação judicial reflete cenário econômico mais amplo
Embora o agronegócio concentre atualmente um número elevado de recuperações judiciais, especialistas ressaltam que o fenômeno não é exclusivo do setor.
Empresas de diversos segmentos da economia brasileira também enfrentam dificuldades financeiras em decorrência dos juros elevados, da restrição ao crédito, das incertezas fiscais e da volatilidade econômica internacional.
Na avaliação de Denis Barroso, a recuperação judicial deve ser encarada como um instrumento de reorganização financeira, e não como a primeira alternativa diante das dificuldades.
Segundo ele, muitas empresas ainda podem recorrer à renegociação de dívidas, revisão operacional, reestruturação financeira e atração de novos investidores antes de ingressarem com um pedido judicial.
Planejamento financeiro ganha protagonismo
Para Benito Pedro, sócio da Avante Assessoria Empresarial e especialista em reestruturação empresarial, o momento exige uma mudança na forma como empresas e produtores administram sua estrutura de capital.
Segundo ele, o ambiente econômico atual não permite mais decisões baseadas apenas no curto prazo ou no adiamento constante de passivos financeiros.
A adoção de estratégias de renegociação com credores, revisão dos custos operacionais e fortalecimento da gestão financeira torna-se cada vez mais importante para preservar a competitividade das empresas.
Gestão de risco será decisiva nos próximos anos
O crescimento recorde das recuperações judiciais no agronegócio evidencia que os desafios do setor vão além da produção agrícola.
Mesmo mantendo elevada eficiência no campo, produtores e empresas precisam enfrentar um ambiente caracterizado por crédito mais caro, custos elevados, margens reduzidas e maior seletividade dos financiadores.
Na avaliação dos especialistas, os próximos anos exigirão disciplina financeira, planejamento estratégico e gestão ativa de riscos para garantir a sustentabilidade dos negócios rurais.
Mais do que produzir bem, o desafio do agronegócio brasileiro passa a ser transformar produtividade em rentabilidade, preservando a capacidade de investimento e a saúde financeira em um cenário econômico cada vez mais desafiador.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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