AGRONEGÓCIO

Mercado de Frango: Preço do Milho Desafia Nutrição Animal, Mas Cresce a Demanda no Atacado

Publicado em

O mercado de frango no Brasil segue com preços estáveis no setor de avicultura, mas registra aumento no preço da carne no atacado, especialmente no início do ano. Segundo Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, o cenário permanece desafiador, com avicultores atentos ao impacto da evolução dos custos de nutrição animal, especialmente no que diz respeito ao milho. O insumo, crucial para a alimentação das aves, apresenta aumentos nos preços em várias regiões do país, como no Sul, Sudeste e Nordeste. Para contornar o impacto dos custos elevados, a estratégia de manter números reduzidos de alojamento de aves tem sido fundamental.

Custos de Produção e Expectativas de Consumo

A elevação nos preços do milho continua sendo um fator preponderante nas decisões de produção, com os avicultores priorizando a contenção de custos. Iglesias também aponta que o mercado atacadista tem oferecido margens limitadas para aumentos adicionais nos preços, já que a demanda apresenta um arrefecimento típico da segunda quinzena do mês, período tradicionalmente mais fraco para o consumo. No entanto, a carne de frango se mantém como uma das proteínas mais acessíveis à população, com uma demanda estável, sustentada pela preferência de muitos consumidores por alimentos de baixo custo, como a carne de frango, ovos e embutidos.

Leia Também:  Prefeito Emanuel Pinheiro entrega na próxima segunda (02) a UBS Sucuri, totalmente reformada e ampliada

O analista acrescenta que as exportações de carne de frango brasileiras seguem um ritmo forte, com perspectivas de um novo recorde de embarques para a temporada, o que compensa, em parte, o mercado interno mais restrito. “O perfil de consumo, aliado ao alto nível das exportações, configura um cenário promissor para a carne de frango no Brasil”, afirma Iglesias.

Movimentação de Preços no Atacado

Em São Paulo, os preços dos cortes congelados de frango apresentaram variações ao longo da semana. O quilo do peito subiu de R$ 10,40 para R$ 11,00, enquanto a coxa teve um aumento de R$ 7,80 para R$ 8,00. Por outro lado, a asa do frango registrou uma queda, indo de R$ 13,20 para R$ 12,50. Nos cortes resfriados, o preço do peito também subiu, passando de R$ 10,50 para R$ 11,10, e a coxa subiu de R$ 7,90 para R$ 8,10. Já a asa perdeu valor, indo de R$ 13,30 para R$ 12,60.

A cotação do frango vivo também variou entre as regiões. Em Minas Gerais, o preço se manteve em R$ 5,50 o quilo, enquanto em São Paulo, o preço médio foi de R$ 5,60. As integrações de frango, como em Santa Catarina e no Oeste do Paraná, mantiveram preços mais baixos, variando de R$ 4,00 a R$ 4,55 o quilo vivo. O Norte e o Nordeste apresentaram preços mais elevados, como em Pernambuco, onde o preço foi de R$ 7,75, e no Pará, com o quilo sendo negociado a R$ 8,35.

Leia Também:  Colheita de Milho no Paraná Avança para a Fase Final
Exportações de Carne de Frango

As exportações de carne de frango continuam a mostrar números expressivos. Em fevereiro de 2025, o Brasil exportou 143,4 mil toneladas de carne de aves e suas miudezas comestíveis, o que representou uma receita de US$ 257,2 milhões, com uma média diária de US$ 51,4 milhões. Comparado a fevereiro de 2024, o valor médio diário exportado aumentou em 52,9%, e a quantidade média diária exportada teve um crescimento de 47,9%. O preço médio por tonelada ficou em US$ 1.793,30, apresentando uma alta de 3,4% em relação ao ano anterior. Estes dados, divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior, indicam um desempenho robusto para as exportações de carne de frango, que seguem uma tendência positiva, apesar dos desafios internos enfrentados pelo setor.

Com o mercado interno mais acomodado e os custos elevados com a alimentação das aves, a exportação continua sendo um pilar fundamental para o crescimento da indústria avícola brasileira. O cenário atual reflete um equilíbrio entre os desafios internos e as oportunidades no mercado internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

Published

on

A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

Leia Também:  Rondônia amplia prazo de plantio da soja até 20 de janeiro

Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

Leia Também:  Preços do etanol começam junho em queda, aponta Cepea

O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA