AGRONEGÓCIO

Mercado de confinamento segue aquecido em abril, mas custo com nutrição pressiona produtor

Publicado em

O mês de abril de 2025 foi marcado por um cenário de forte aquecimento no confinamento de bovinos no Brasil, impulsionado pela valorização expressiva da arroba do boi gordo. Esse movimento estimulou a entrada de mais animais no sistema e, consequentemente, elevou a demanda por insumos nutricionais, afetando diretamente os custos de produção. O Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), principal indicador desse acompanhamento, apresentou comportamentos distintos entre as regiões Centro-Oeste e Sudeste, refletindo as diferentes estratégias adotadas pelos pecuaristas diante das pressões do mercado.

ICAP registra alta no Centro-Oeste e queda no Sudeste

Em abril, o ICAP alcançou R$ 16,03 no Centro-Oeste, representando uma alta de 15,24% em relação a março. Já no Sudeste, o índice foi de R$ 12,93, com uma queda de 2,56% no mesmo período.

icap-mensal

Esse contraste regional revela diferentes respostas às oscilações de mercado. No Centro-Oeste, a alta da arroba reaqueceu o otimismo e impulsionou o fechamento de novos lotes, o que aumentou significativamente a demanda por alimentos energéticos e pressionou os custos das dietas.

No Sudeste, por outro lado, a diversidade de ingredientes e coprodutos disponíveis permitiu maior flexibilidade nas formulações, contribuindo para conter os aumentos de custo, especialmente em momentos de alta no milho.

Análise regional dos custos no trimestre

Centro-Oeste

A elevação do ICAP na região foi puxada, principalmente, pelo aumento nos preços dos alimentos energéticos (+24,23%) e proteicos (+4,68%) em relação ao mês anterior. Entre os principais insumos utilizados nas dietas de terminação, destacaram-se:

  • Milho grão seco: +9,75%
  • Casca de soja: +2,66%
  • Silagem de milho: +7,97%
  • Bagaço de cana: +8,00%
  • Gordura protegida: +32,96%
Leia Também:  Prazo para vendedores participarem da Feira Peixe Santo termina terça-feira (17)

Com isso, o custo por tonelada de matéria seca da dieta de terminação — a mais onerosa do ciclo produtivo — foi de R$ 1.355,52, alta de 6,28% em relação a março.

Sudeste

No Sudeste, a redução no custo dos insumos energéticos (-1,94%) foi fundamental para a retração do ICAP. Os principais destaques foram:

  • Silagem de milho: -32,13%
  • Bagaço de cana: -10,15%
  • Milho grão seco: -5,59%

Apesar disso, houve altas em alguns coprodutos, como:

  • Casca de soja: +8,70%
  • Polpa cítrica: +5,51%
  • Caroço de algodão: +4,58%

O custo por tonelada de matéria seca da dieta de terminação ficou em R$ 1.259,47, com leve queda de 0,32% frente ao mês anterior.

Comparativo anual e impacto da valorização da arroba

Na comparação com abril de 2024, o ICAP apresentou aumento nas duas regiões analisadas:

  • Centro-Oeste: +7,87%
  • Sudeste: +2,86%

Esse avanço acompanha a expressiva valorização da arroba do boi gordo no período de 12 meses:

  • Centro-Oeste: +50%
  • Sudeste: +37%

A elevação nos preços estimulou a entrada de mais animais no primeiro giro de engorda do ano, o que, por sua vez, aumentou a procura por insumos e impulsionou os preços de diversos ingredientes — com destaque para o milho, que acumula alta superior a 40% frente ao mesmo período do ano anterior.

Leia Também:  Japão abre mercado para exportação de abacate Hass do Brasil

Com a chegada da safrinha, há expectativa de aumento na oferta de milho, o que pode favorecer a estabilidade ou redução dos preços. Contudo, variáveis como clima e demanda internacional continuarão influenciando esse cenário.

Estimativas de custo por arroba e lucratividade

Com base nos dados médios coletados entre os clientes da Ponta Agro, os custos estimados por arroba produzida em abril foram:

  • Centro-Oeste: R$ 235,24
  • Sudeste: R$ 205,25

Esses valores garantem margens positivas, estimadas em:

  • Centro-Oeste: lucro superior a R$ 680,00 por cabeça
  • Sudeste: lucro superior a R$ 850,00 por cabeça

Os cálculos consideram o preço da arroba no balcão, sem incluir bonificações por qualidade, rastreabilidade ou protocolos de mercado.

Considerações finais e perspectivas

O mês de abril refletiu um mercado aquecido, com bons níveis de lucratividade, porém marcado por maior pressão nos custos de nutrição, especialmente no Centro-Oeste. O grande desafio para os próximos meses será equilibrar produtividade e eficiência em um cenário que exige atenção redobrada à gestão de custos.

Para ampliar as margens, além de melhorar os índices zootécnicos, os produtores devem buscar bonificações junto aos frigoríficos. Atualmente, o diferencial pago pelo Boi China pode variar de R$ 5,00 a R$ 7,50 por arroba, a depender da região, podendo representar uma vantagem competitiva significativa.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Exportações de café do Brasil crescem em maio, mas acumulado da safra segue em queda

Published

on

As exportações brasileiras de café registraram crescimento de 3,6% em maio de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado, sinalizando a entrada da nova safra no mercado. Apesar do avanço mensal, o desempenho acumulado da temporada 2025/26 ainda reflete uma oferta mais restrita, com queda nos embarques em relação ao ciclo anterior.

Dados divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que o país exportou 3,089 milhões de sacas de 60 quilos em maio. No entanto, a receita cambial gerada pelos embarques recuou 16% no período, totalizando US$ 1,05 bilhão.

Safra menor impacta desempenho acumulado

No acumulado dos 11 primeiros meses do ano-safra 2025/26, entre julho de 2025 e maio de 2026, o Brasil exportou 35,373 milhões de sacas de café, volume 17,7% inferior ao registrado no mesmo período da temporada anterior.

A receita obtida com as exportações alcançou US$ 13,612 bilhões, apresentando leve recuo de 0,7% na comparação anual.

Já entre janeiro e maio de 2026, os embarques somaram 14,745 milhões de sacas, queda de 12,4% frente às 16,825 milhões de sacas exportadas no mesmo período de 2025. As receitas geradas atingiram US$ 5,552 bilhões, redução de 14,6%.

Segundo o Cecafé, o comportamento do mercado está alinhado com o período de transição entre a entressafra e a entrada da nova produção brasileira.

Entrada dos cafés canéforas impulsiona embarques

O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, destaca que a recuperação observada em maio está diretamente ligada à chegada dos primeiros volumes da safra 2026/27, especialmente dos cafés canéforas, grupo que engloba conilon e robusta.

Leia Também:  Bioestimulante à base de alga Ascophyllum nodosum impulsiona alta produtividade da soja no Brasil

A expectativa é de que os embarques ganhem força nos próximos meses, acompanhando o avanço da colheita dos cafés arábica e o aumento da disponibilidade de produto.

O setor trabalha com perspectiva positiva para a nova temporada, impulsionada pelas boas condições climáticas registradas na maior parte das regiões produtoras e pelo potencial de uma safra volumosa e de qualidade.

Logística e cenário internacional seguem no radar

Apesar das perspectivas favoráveis para o aumento das exportações no segundo semestre, o setor acompanha fatores que podem limitar o desempenho dos embarques.

Entre os desafios apontados estão os gargalos logísticos nos portos brasileiros, as tensões geopolíticas internacionais e as incertezas relacionadas à política comercial dos Estados Unidos, um dos principais mercados consumidores de café.

Colheita avança, mas ritmo permanece abaixo da média

Levantamento da Safras & Mercado indica que a colheita da safra brasileira de café 2026/27 alcançou 30% da área até 10 de junho.

O avanço representa crescimento de sete pontos percentuais em relação à semana anterior, mas ainda permanece abaixo dos 35% registrados no mesmo período de 2025 e também inferior à média dos últimos cinco anos, de 33%.

Conilon apresenta maior avanço nos trabalhos

A colheita dos cafés canéforas segue mais adiantada, com 43% da produção já colhida.

Mesmo assim, o ritmo continua abaixo do observado no ano passado e da média histórica para o período, ambos em 49%.

Leia Também:  Especialistas Orientam Sobre a Correção do Solo para Cultivo de Milho

No Espírito Santo, principal produtor nacional de conilon, apenas 39% da safra havia sido colhida até o início de junho. Segundo analistas do mercado, o atraso está relacionado à maturação mais lenta das lavouras nesta temporada.

Chuvas atrasam colheita do café arábica

A colheita do café arábica também avança em ritmo mais lento. Os trabalhos alcançaram 23% da produção, abaixo dos 26% registrados em igual período de 2025 e da média de 25% observada nos últimos cinco anos.

As chuvas frequentes têm dificultado a operação das máquinas e o andamento dos trabalhos em importantes regiões produtoras, especialmente no Sul de Minas Gerais, maior polo de produção de café arábica do país.

Apesar do atraso, as avaliações iniciais da safra são positivas. Técnicos do mercado destacam bom potencial produtivo e qualidade satisfatória dos grãos, especialmente em relação à formação e ao padrão das peneiras, fator importante para a valorização do produto no mercado.

Perspectiva é de aumento da oferta no segundo semestre

Com o avanço da colheita e a expectativa de uma das maiores safras dos últimos anos, o setor projeta crescimento da disponibilidade de café ao longo do segundo semestre.

Caso as condições climáticas permaneçam favoráveis e a logística de exportação opere sem maiores restrições, o Brasil deverá ampliar sua presença no mercado internacional nos próximos meses, reforçando sua posição como maior exportador mundial de café.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA