AGRONEGÓCIO
Mercado de commodities recua após novas tarifas dos EUA
Publicado em
3 de abril de 2025por
Da Redação
Os mercados globais de commodities operam em queda nesta quinta-feira (3), refletindo a decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas recíprocas a diversos países. O impacto da medida, anunciada pelo presidente Donald Trump na véspera, já se faz sentir nas bolsas internacionais, com os grãos liderando as perdas em Chicago. A soja recua mais de 1,5%, enquanto o milho registra queda superior a 1%. O trigo acompanha a tendência negativa, com desvalorização próxima de 1%.
Por volta das 5h45 (horário de Brasília), os contratos mais negociados da soja registravam perdas entre 16,50 e 17,25 pontos, com o vencimento de maio cotado a US$ 10,12 e o de agosto a US$ 10,26 por bushel. No mercado de milho, as principais posições caíam entre 4 e 6,25 pontos, com o contrato para maio negociado a US$ 4,51 e o de setembro a US$ 4,36 por bushel.
A decisão do governo norte-americano aumenta a preocupação dos investidores, que já antecipam um período de demanda reduzida para os produtos dos EUA devido às novas barreiras comerciais. Na Bolsa de Nova York, o algodão recua mais de 4%, com a primeira posição negociada a 64,98 cents de dólar por libra-peso, bem abaixo do patamar de 70 cents/lb.
Reações globais e impactos econômicos
China e União Europeia já indicaram que devem adotar medidas retaliatórias, o que pode intensificar ainda mais a instabilidade nos mercados. Segundo especialistas consultados pela Bloomberg, as tarifas implementadas por Trump em 2025 podem ser ainda mais severas do que as sanções impostas durante a guerra comercial de 2019.
De acordo com análise do Citigroup Inc., as tarifas adicionais de 54% sobre produtos chineses, impostas desde o início do segundo mandato de Trump, podem reduzir o crescimento do PIB chinês em até 2,4 pontos percentuais no próximo ano. Os economistas do Morgan Stanley destacam que o impacto das novas medidas será mais abrangente do que o observado em 2018-2019, afetando não apenas as exportações chinesas, mas também o comércio global, que deve sofrer uma desaceleração significativa.
Mercado de petróleo e dólar também reagem
O setor energético também sente os reflexos do aumento das tensões comerciais. Os preços do petróleo recuam mais de 3% nesta quinta-feira. Às 6h10 (horário de Brasília), o barril do Brent era negociado a US$ 72,35, enquanto o WTI registrava US$ 69,09.
O mercado cambial segue a mesma tendência, com o índice do dólar recuando 1,7%, para 101,720 pontos.
Agora, os investidores acompanham atentamente os próximos passos da China e da União Europeia, que devem anunciar contramedidas em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos. O desdobramento dessas decisões será crucial para definir os rumos do comércio global e das commodities nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Batata: safra de inverno amplia oferta e coloca preços em alerta
Published
19 horas agoon
14 de agosto de 2026By
Da Redação
A oferta de batata deve ganhar força entre agosto e setembro com o avanço da colheita de inverno em Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), somente em agosto deverá ser retirado do campo o equivalente a 35% da safra regional, elevando o acumulado colhido para 50% até o fim do mês.
O aumento sazonal da disponibilidade pode manter as cotações pressionadas no curto prazo, especialmente se a colheita avançar simultaneamente em outros polos produtores. Para o agricultor, o cenário reforça a necessidade de acompanhar o ritmo de entrada do produto no mercado, a qualidade dos lotes e os custos de classificação, armazenamento e transporte.
Em julho, a produtividade média das lavouras de Vargem Grande do Sul ficou próxima de 30 toneladas por hectare, abaixo do potencial da região. Colaboradores consultados pelo Cepea atribuíram o resultado ao excesso de chuva registrado em maio e junho e à elevada frequência de dias nublados, que reduziu a luminosidade e prejudicou a fotossíntese das plantas.
Para agosto, a expectativa é de recuperação do rendimento para aproximadamente 40 toneladas por hectare, patamar próximo ao observado nos últimos anos. A melhora, combinada com a concentração da colheita, deverá ampliar o volume ofertado ao mercado.
O produtor, entretanto, ainda precisa manter atenção redobrada ao manejo fitossanitário. Houve registros de canela-preta depois de cerca de 60 dias da tuberização, favorecidos pela elevação das temperaturas, embora a doença tenha sido rapidamente controlada. A requeima, presente desde junho, intensificou-se em julho e também contribuiu para limitar a produtividade. Apesar dos problemas, a qualidade dos tubérculos colhidos é considerada satisfatória.
O avanço regional da oferta ocorre em um ano de redução da produção brasileira. O levantamento de julho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima a safra nacional de batata-inglesa de 2026 em 4,2 milhões de toneladas, queda de 8,3% em relação às 4,58 milhões de toneladas produzidas em 2025.
A retração é explicada principalmente pelas perdas de área. O país deverá colher 121,8 mil hectares, 9,4% menos que no ano passado. A produtividade média nacional, por outro lado, está estimada em 34,5 toneladas por hectare, crescimento de 1,2%.
A terceira safra, correspondente ao cultivo de inverno, deverá produzir 892,2 mil toneladas, recuo de 19,3% frente a 2025. A área destinada ao ciclo diminuiu 23,9%, para 22,1 mil hectares. O rendimento médio esperado, contudo, subiu 6,1% e alcança 40,3 toneladas por hectare.
Isso significa que o mercado pode enfrentar dois movimentos diferentes. No curto prazo, a concentração da colheita entre agosto e setembro amplia a oferta e pode pressionar as cotações recebidas pelo produtor. No conjunto do ano, porém, a disponibilidade nacional deverá ser menor que a registrada em 2025.
A queda de preços já apareceu no varejo. A batata-inglesa recuou 19,59% em julho no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A continuidade desse movimento dependerá do ritmo da colheita, do rendimento das lavouras e da qualidade comercial dos lotes que chegarem aos atacados.
Apesar de produzir mais de 4 milhões de toneladas por ano, o Brasil não exerce papel central no mercado mundial. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que o planeta produziu 390,4 milhões de toneladas de batata em 2024. O Brasil respondeu por aproximadamente 1,1% desse volume e ocupou a 18ª posição entre os países produtores. China e Índia lideram com ampla vantagem.
A produção brasileira é direcionada principalmente ao mercado interno. No comércio exterior, o maior desequilíbrio está nos produtos processados. Em 2025, considerando a pauta formada por batata-doce e batatas preparadas ou conservadas, o país exportou 36,5 mil toneladas e importou 345,7 mil toneladas — um volume importado quase 9,5 vezes superior ao exportado.
As compras externas foram lideradas por batatas preparadas e conservadas, especialmente produtos congelados destinados ao varejo e ao setor de alimentação. Argentina, Bélgica, Países Baixos e Egito estiveram entre os principais fornecedores. O déficit não significa falta de batata fresca no país, mas revela a dependência brasileira de produtos com maior grau de processamento industrial.
Para o produtor, a entrada no pico da safra exige atenção à comercialização. Mesmo com uma produção nacional menor em 2026, a concentração temporária da oferta pode reduzir preços e margens. Qualidade, produtividade, escalonamento da colheita e negociação antecipada serão determinantes para atravessar o período de maior disponibilidade.
Fonte: Pensar Agro
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