AGRONEGÓCIO

Linha de crédito vai estimular café sombreado e mira mercado de especiais

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O governo de Santa Catarina passa a operar, a partir de março, uma nova linha de incentivo voltada à cafeicultura em sistema sombreado. Batizado de Projeto Café Sombreado Catarinense, o programa integra o Programa de Financiamento ao Desenvolvimento Rural, Pesqueiro e Aquícola do Estado (Financia Agro SC) e busca ampliar o cultivo de café arábica sobretudo no litoral e no Vale do Itajaí.

A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) e pretende estruturar uma cadeia ainda incipiente no Estado. Embora existam experiências pontuais em propriedades da agricultura familiar, a produção comercial de café em sistema sombreado permanece restrita, com baixa escala e pouca consolidação de mercado.

O modelo proposto combina o plantio do café com bananeiras, palmeiras e espécies arbóreas nativas, em arranjos agroflorestais. A estratégia segue uma tendência observada em outras regiões produtoras do país, onde o sombreamento tem sido associado à melhoria da qualidade do grão e à maior resiliência das lavouras.

Segundo o gerente de projetos da Sape, Thiago Leal, o cultivo sob sombra tende a retardar a maturação dos frutos, favorecendo maior uniformidade dos grãos. A combinação entre esse manejo e fatores naturais — como latitude, influência marítima, clima e características de solo — pode resultar em perfis sensoriais diferenciados, com potencial de inserção no mercado brasileiro de cafés especiais.

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A avaliação do governo catarinense é de que o café sombreado pode funcionar como alternativa de diversificação produtiva, agregação de valor e ampliação de renda, sobretudo em pequenas propriedades.

Do ponto de vista agronômico, a Sape sustenta que o consórcio com outras espécies favorece o vigor e a longevidade das plantas, além de contribuir para melhores condições fitossanitárias. A diversificação do sistema também tende a reduzir a exposição direta a extremos climáticos, aspecto relevante em um cenário de maior variabilidade do tempo.

Condições de financiamento

O apoio financeiro será concedido por meio do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR). Para acessar os recursos, os agricultores devem procurar os escritórios da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), responsável pela orientação técnica e emissão de laudos.

Entre os requisitos estão a posse de Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ativo e a comprovação de viabilidade técnica para implantação da lavoura.

O limite de financiamento é de até R$ 50 mil por família em projetos individuais. Em propostas coletivas — com participação mínima de três famílias — o teto pode chegar a R$ 120 mil. O pagamento poderá ser realizado em até cinco parcelas anuais, sem incidência de juros, com prazo de carência de três anos.

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Produtores que mantiverem as parcelas em dia terão direito a desconto de 30% sobre o valor financiado. A concessão da carência dependerá de laudo técnico da Epagri que ateste a implantação e o desenvolvimento da lavoura.

Ao estruturar uma linha específica para o café sombreado, o Estado aposta em um nicho de maior valor agregado, ainda pouco explorado localmente. O desafio, segundo técnicos do setor, será transformar experiências isoladas em uma cadeia produtiva organizada, capaz de atender a padrões de qualidade exigidos pelo mercado de especiais e garantir regularidade de oferta.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Crédito privado do agro supera R$ 1,34 trilhão e CPR lidera financiamento

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O estoque dos principais instrumentos privados de financiamento do agronegócio superou R$ 1,34 trilhão em julho, primeiro mês da safra 2026/27. O resultado mostra o aumento da participação do mercado de capitais no custeio da produção, na comercialização antecipada da safra e no financiamento de empresas ligadas às cadeias agroindustriais.

Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e abrangem as Cédulas de Produto Rural (CPR), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA).

A CPR manteve a liderança entre os instrumentos analisados, com estoque de R$ 580,78 bilhões. O volume estava distribuído em 372 mil títulos, com valor médio de R$ 1,56 milhão por cédula.

Somente em julho foram emitidos R$ 37,53 bilhões em novas CPR. Esse é o dado que melhor indica o ingresso de operações no primeiro mês da nova temporada. O estoque total também inclui títulos emitidos anteriormente que ainda não foram liquidados.

A CPR permite ao produtor ou à cooperativa antecipar recursos para financiar a atividade. Na modalidade física, o compromisso pode ser liquidado com a entrega futura do produto agropecuário. Na CPR financeira, a quitação ocorre em dinheiro. O instrumento também é usado como garantia em operações para a compra de sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.

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O avanço das CPR amplia as alternativas ao crédito rural bancário, especialmente em períodos de juros elevados ou de maior restrição nas linhas oficiais. Ao mesmo tempo, exige atenção às condições estabelecidas no contrato, como taxa de juros, forma de liquidação, garantias, vencimento e consequências em caso de frustração da safra.

As Letras de Crédito do Agronegócio apresentaram o segundo maior estoque, com R$ 560,37 bilhões. As LCA são emitidas por instituições financeiras para captar dinheiro de investidores e financiar operações relacionadas ao setor.

Pelas regras atuais do Manual de Crédito Rural, pelo menos 60% do estoque das LCA deve ser reaplicado no financiamento da atividade agropecuária. Isso representa aproximadamente R$ 336,22 bilhões.

Dentro desse volume, ao menos 45% devem ser destinados ao crédito rural oficial, o equivalente a R$ 151,30 bilhões. Os valores incluem tanto operações da safra 2026/27 quanto contratos de temporadas anteriores que continuam em aberto.

Isso significa que o estoque divulgado não corresponde integralmente a recursos novos disponíveis para contratação imediata. Parte representa financiamentos já concedidos e títulos que ainda não chegaram ao vencimento.

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio somaram R$ 174,20 bilhões em julho. O CRA permite transformar créditos originados em negócios do setor em títulos negociados com investidores, aproximando empresas e cadeias produtivas do mercado de capitais.

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Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio alcançaram estoque de R$ 30,21 bilhões. O CDCA é emitido por cooperativas e empresas que atuam na comercialização, no beneficiamento ou na industrialização de produtos agropecuários e tem como lastro direitos de crédito ligados ao setor.

Fora da soma de R$ 1,34 trilhão, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) também avançaram como fonte privada de recursos. Os dados mais recentes, referentes a junho, mostram patrimônio líquido de R$ 64,13 bilhões distribuído entre 285 fundos.

Os Fiagro podem investir em imóveis rurais, participações em empresas, direitos creditórios e outros ativos ligados ao agronegócio. Para o setor produtivo, funcionam como uma ponte entre investidores e projetos de produção, armazenagem, logística, agroindústria e aquisição de ativos.

O crescimento desses instrumentos reforça a diversificação do financiamento rural, historicamente concentrado nos bancos e nos recursos do Plano Safra. Para o produtor, porém, maior oferta de alternativas não elimina a necessidade de comparar custos, garantias e riscos. O volume disponível no mercado é elevado, mas o acesso e as condições de pagamento variam conforme a atividade, o porte da operação e a capacidade financeira de cada tomador.

Fonte: Pensar Agro

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