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Legislação europeia sobre desmatamento pode beneficiar produtores paranaenses

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Produtores rurais da região Noroeste do Paraná, que possuem potencial para a compensação de carbono em suas propriedades, podem se beneficiar de um projeto de lei apresentado na Câmara Federal pela deputada Coronel Fernanda (PL), do Mato Grosso. A proposta surge em resposta a um regulamento da União Europeia que rejeita a importação de produtos agrícolas originados de regiões que sofreram desmatamento florestal.

O regulamento europeu determina que, a partir de 31 de dezembro de 2024, será proibida a importação de produtos como soja, carne bovina, óleo de palma, madeira, cacau e café que tenham sido produzidos em áreas onde ocorreu desmatamento após 2020, mesmo que esse desmatamento tenha sido legal. A proposta da deputada, apresentada em 8 de outubro, visa que apenas produtos e serviços europeus com emissões de carbono compensadas pela aquisição de CPR Verdes (Células de Produto Rural Verde), emitidas por produtores brasileiros, sejam aceitos.

“As CPRs Verdes são títulos que proporcionam benefícios financeiros aos produtores que conservam o meio ambiente enquanto produzem. A legislação que criou essa modalidade considera a capacidade de mitigar carbono como um produto rural. Se as importações europeias de produtos agropecuários brasileiros forem condicionadas à compra desses títulos, nossos produtores e nossas áreas de floresta serão beneficiados”, explica o engenheiro agrônomo João Berdu, fundador da Jiantan, startup de Maringá/PR, que atua com bônus de remoção de carbono.

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Berdu enfatiza que as CPR Verdes oferecem uma forma eficaz de remuneração aos produtores pelo serviço de combate ao aquecimento global, através da preservação e expansão das áreas de mata nativa. “Se a Europa realmente se preocupa com a preservação das nossas áreas de mata nativa, o projeto de lei representa uma oportunidade. Caso contrário, essa série de exigências parece uma tentativa de impor barreiras não tarifárias aos produtos brasileiros e de outros países”, afirma.

Cruzeiros turísticos e emissões de carbono

João Berdu menciona os cruzeiros turísticos que operam na costa brasileira como um exemplo de como os serviços europeus poderiam remunerar produtores locais. Um cálculo, baseado na quilometragem percorrida por esses navios em relação à quantidade de combustível emitida, sugere que um aumento de menos de 1% no preço dos roteiros seria suficiente para compensar os produtores com R$283,00 por hectare de mata preservada por ano. “Produtores paranaenses e de todo o Brasil poderiam ser amplamente beneficiados por uma legislação dessa natureza”, conclui.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço

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O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.

Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.

O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.

Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.

O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.

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A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.

A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.

Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.

Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.

Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.

O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.

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Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.

A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.

A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.

A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.

Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.

Fonte: Pensar Agro

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