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Irrigação por Gotejamento: Três Mitos que Ainda Travam a Modernização no Campo

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Tecnologia Eficiente Ainda Enfrenta Desinformação

Reconhecida mundialmente pela eficiência no uso da água, a irrigação por gotejamento tem sido cada vez mais apontada como uma aliada da agricultura sustentável. No entanto, a desinformação ainda impede muitos produtores de adotar o sistema, atrasando investimentos e reduzindo o potencial produtivo das lavouras brasileiras.

De acordo com estudo da Esalq/MIDR, divulgado em 2024, o Brasil tem potencial de 53,4 milhões de hectares irrigáveis, um espaço amplo para expansão de métodos modernos e mais eficientes.

Para o engenheiro agrônomo Elidio Torezani, diretor da Hydra Irrigações, o principal obstáculo está em antigas percepções sobre o sistema. “O gotejamento evoluiu muito nos últimos anos. Hoje falamos de precisão, controle e eficiência, não de improviso”, afirma o especialista.

A seguir, confira três mitos sobre a irrigação por gotejamento que ainda geram resistência entre produtores rurais.

Mito 1 – O Gotejamento Não Supre a Demanda Hídrica no Verão

Um dos equívocos mais comuns é acreditar que o sistema de gotejamento não atende às necessidades das plantas em períodos de altas temperaturas. Na prática, o método aplica água diretamente nas raízes, o que minimiza perdas por evaporação e garante maior eficiência no uso dos recursos hídricos.

Segundo Torezani, não há limitação quanto ao volume de água que pode ser fornecido, desde que o projeto técnico seja corretamente dimensionado. “Elimina-se o excesso. A planta recebe exatamente o que precisa, na quantidade e no momento adequados”, explica.

Mito 2 – O Sistema É Restrito a Poucas Culturas

Outro mito recorrente é o de que o gotejamento só se aplica a determinadas culturas, como frutíferas e perenes. Hoje, a tecnologia é amplamente utilizada também em hortaliças, café, grãos e diversas lavouras temporárias.

“O projeto é adaptável à realidade de cada produtor, considerando o tipo de solo, o espaçamento entre plantas e as características da cultura”, destaca Torezani. O resultado é um sistema versátil, que pode ser implementado tanto em pequenas propriedades quanto em grandes áreas de produção.

Mito 3 – A Manutenção É Complexa e o Sistema Entope com Facilidade

A complexidade da manutenção é outro ponto que gera receio entre os produtores. No entanto, especialistas afirmam que, com dimensionamento correto e orientação técnica especializada, o gotejamento é um sistema estável, durável e de baixa incidência de falhas.

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A filtragem da água e a escolha adequada dos componentes são essenciais para evitar entupimentos e prolongar a vida útil dos emissores. “Quando existe acompanhamento técnico e manejo preventivo, o sistema é confiável. Os problemas geralmente estão ligados à falta de orientação e instalação incorreta”, reforça Torezani.

Caminho para a Eficiência e Sustentabilidade

Com a crescente pressão sobre os recursos hídricos e a busca por maior produtividade, a irrigação por gotejamento surge como uma solução estratégica para o aumento da eficiência no campo. Além de reduzir o desperdício de água, o sistema permite controle preciso da fertirrigação e melhoria da qualidade das colheitas.

A superação dos mitos e o investimento em informação técnica são passos essenciais para que o Brasil amplie sua área irrigada de forma sustentável e competitiva no cenário global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde de soja pressiona portos e expõe falta de armazéns

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O Brasil deverá exportar o volume recorde de 114 milhões de toneladas de soja em 2026, quase 5% acima da maior marca já registrada, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O avanço dos embarques aumenta a pressão sobre armazéns, estradas, ferrovias e terminais portuários em um ano de produção elevada.

Entre janeiro e julho, o País exportou 84,8 milhões de toneladas da oleaginosa, cerca de 5 milhões a mais que no mesmo período de 2025. Com as 9,74 milhões de toneladas previstas para agosto, o volume acumulado poderá chegar a 94,5 milhões antes do início do último quadrimestre.

A movimentação já aparece nos portos. Santos encerrou o primeiro semestre com 92,8 milhões de toneladas de cargas, crescimento de 5,05% em relação ao mesmo período do ano passado. A soja liderou as exportações do complexo, com 25,61 milhões de toneladas embarcadas.

O desafio começa antes da chegada aos terminais. A estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta uma produção de 347,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026. A capacidade estática de armazenagem era de 233,8 milhões de toneladas no fim de 2025.

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A diferença chega a 113,6 milhões de toneladas. Isso não significa que todo esse volume ficará sem espaço, porque os armazéns são esvaziados e reutilizados ao longo do ano. O descompasso, porém, obriga produtores e comercializadoras a movimentar rapidamente a safra, principalmente quando a colheita de soja coincide com a retirada do milho armazenado.

Sem estrutura suficiente nas propriedades e nas regiões produtoras, parte dos grãos precisa seguir para os portos mesmo quando o momento de venda não é o mais favorável. O resultado pode ser aumento do frete, formação de filas, ocupação dos pátios e menor poder de escolha para o produtor.

Nos terminais, o crescimento do volume exige controle sobre temperatura, umidade e tempo de permanência dos grãos. Atrasos na chegada dos navios ou interrupções no embarque podem provocar perda de peso, aquecimento da massa armazenada e deterioração da qualidade.

Segundo Franklin Oliveira, responsável pelo setor de indústria e portos da AGI Brasil, os terminais precisam funcionar com maior precisão para evitar que o acúmulo de carga provoque perdas ou paralise a operação. Sistemas de aeração, medição de temperatura e acompanhamento dos estoques permitem identificar problemas antes que o produto seja embarcado.

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Outro ponto crítico é a mistura de lotes, conhecida como blending. O procedimento combina grãos com características diferentes para alcançar o padrão definido no contrato de exportação. Quando a operação é mal executada, o exportador pode entregar soja de qualidade superior sem receber remuneração adicional ou sofrer desconto por enviar um produto abaixo da especificação.

A rastreabilidade também ganhou importância. Terminais e armazéns precisam comprovar a origem, o volume e a qualidade dos estoques, sobretudo quando os grãos servem de garantia para operações de crédito ou investimentos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros).

O avanço das exportações mostra que os portos brasileiros vêm aumentando sua movimentação. O risco está na falta de crescimento equivalente da armazenagem e dos acessos terrestres. Para o produtor, gargalos nessa cadeia significam frete mais caro, espera para descarga e pressão para vender a produção em momentos de maior oferta.

Fonte: Pensar Agro

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