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Investimento no Canadá: Fabricantes de Doces dos EUA Fogem de Tarifas sobre Importação de Açúcar

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Diante dos altos preços do açúcar nos Estados Unidos, grandes fabricantes de doces como Hershey, Mondelez e Blommer Chocolate estão expandindo suas operações no Canadá. No último outono, a Hershey recomprou uma fábrica nos arredores de Ottawa que estava fechada há mais de uma década. A Blommer Chocolate, por sua vez, está ampliando suas instalações em Ontário enquanto encerra uma fábrica de 85 anos em Chicago. A Mondelez International, fabricante dos biscoitos Oreo, investiu recentemente US$ 250 milhões em fábricas em Ontário.

Embora o Canadá não produza açúcar suficiente para seu setor de confeitos devido ao clima frio, o país conseguiu atrair centenas de milhões de dólares em investimentos para expandir sua capacidade de produção. Este movimento é impulsionado, em parte, por medidas protecionistas dos Estados Unidos que mantêm os preços do açúcar elevados, incentivando as empresas a buscar alternativas mais econômicas.

“O alto preço do açúcar nos Estados Unidos é o principal motor da produção de chocolates e doces no Canadá”, afirmou Sébastien Pouliot, economista agrícola e consultor baseado em Quebec. O setor açucareiro dos EUA é fortemente protegido por regulamentações que limitam a quantidade de açúcar bruto e refinado que pode ser importada sem incorrer em pesadas tarifas. Esta política visa proteger os agricultores americanos, mas também resulta em preços artificiais elevados, onerando as empresas de confeitos e refinarias nos Estados Unidos.

Em 2013, a diferença de preços entre o açúcar nos EUA e no mercado internacional era de apenas alguns centavos por libra-peso. No entanto, dificuldades de produção nos EUA e no México levaram os preços futuros do açúcar americano a quase o dobro do preço de referência global. Isso torna cada vez mais atraente para as empresas fabricar doces e biscoitos no Canadá e enviar parte da produção para os consumidores dos EUA.

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Muitos produtos acabados podem entrar nos Estados Unidos sem as rígidas cotas que regulam o comércio de açúcar refinado e bruto, destacou Alex Smith, líder de projeto da consultoria Agralytica. O crescimento da indústria canadense é, portanto, um reflexo direto dos elevados preços do açúcar nos EUA, conforme afirmou Rick Pasco, presidente da Sweetener Users Association, que defende reformas na política comercial de açúcar dos EUA.

No último ano comercial, o volume de açúcar contido nos produtos acabados que fluíram do Canadá para os EUA foi o mais alto em quase duas décadas. Em 2023, os EUA importaram US$ 1,98 bilhão em chocolate e US$ 615 milhões em outros produtos de confeitaria do Canadá, ambos valores recordes. A cada reautorização da Lei Agrícola dos EUA, os críticos das políticas de açúcar pressionam por mudanças nas cotas de importação. Em outubro, uma análise do US Government Accountability Office concluiu que essas políticas custam mais aos consumidores americanos do que beneficiam os produtores, resultando em uma perda econômica líquida de até US$ 1,6 bilhão por ano.

Além do custo mais baixo do açúcar, outros fatores como força de trabalho, custos de energia e a taxa de câmbio favorável também são considerados. Embora o consumo de açúcar no Canadá esteja crescendo, ainda é significativamente menor do que nos EUA. As empresas continuam a investir tanto no Canadá quanto nos EUA. A Blommer, além de expandir no Canadá, está atualizando suas instalações na Pensilvânia e na Califórnia. A Hershey está construindo sua primeira nova fábrica de chocolate nos EUA em mais de 30 anos, e a Mondelez inaugurou um centro de pesquisa em Nova Jersey.

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As refinarias de açúcar no Canadá também estão aumentando sua capacidade para acompanhar a crescente produção de doces. A Redpath Sugar, parte do ASR Group, ampliou a produção de sua refinaria em Toronto em 65.000 toneladas, enquanto a Lantic, subsidiária da Rogers Sugar, investiu US$ 102 milhões para aumentar a capacidade de sua fábrica em Montreal em 100.000 toneladas. A Sucro Can Sourcing, com sede na Flórida, está investindo US$ 98 milhões para construir a maior refinaria de açúcar do Canadá, capaz de processar até 1 milhão de toneladas métricas por ano.

“Não quero criticar a falta de liquidez do mercado interno dos EUA, mas diria que o Canadá é um ambiente muito mais acolhedor para o fornecimento de açúcar do mercado mundial”, disse Oliver Hire, vice-presidente da Sucro. O Canadá se tornou um destino amigável para a realocação de instalações de produção, beneficiando-se das políticas comerciais dos EUA que elevam os custos para fabricantes de doces.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações de açúcar recuam quase 25% em receita no primeiro semestre de 2026 com queda nos preços internacionais

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As exportações brasileiras de açúcar registraram queda significativa no primeiro semestre de 2026, tanto em volume quanto em receita. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que o país embarcou 12,29 milhões de toneladas de açúcares e melaços entre janeiro e junho, retração de 4,39% em relação ao mesmo período de 2025.

O impacto mais expressivo, no entanto, ocorreu sobre o faturamento. A receita das exportações somou US$ 4,43 bilhões, valor 24,98% inferior aos US$ 5,90 bilhões registrados no primeiro semestre do ano passado. O resultado reflete, principalmente, a forte desvalorização do açúcar no mercado internacional.

Exportações de açúcar caem em junho

Somente em junho, o Brasil exportou 3,13 milhões de toneladas de açúcares e melaços, volume 7,16% menor que o registrado no mesmo mês de 2025, quando os embarques alcançaram 3,37 milhões de toneladas.

A receita obtida com as vendas externas caiu de US$ 1,44 bilhão para US$ 1,09 bilhão, representando retração de 24,26% na comparação anual.

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Preço médio do açúcar despenca no mercado externo

O principal fator responsável pela redução do faturamento foi a queda no preço médio das exportações.

Em junho, a cotação média do açúcar exportado pelo Brasil ficou em US$ 349,59 por tonelada, uma redução de 18,42% frente aos US$ 428,54 por tonelada registrados em junho de 2025.

No acumulado do primeiro semestre, o preço médio também apresentou forte retração, passando de US$ 458,79 para US$ 360,01 por tonelada, o que evidencia a pressão exercida pelas cotações internacionais sobre a rentabilidade das exportações brasileiras.

Mercado acompanha oferta global e comportamento dos preços

Apesar de o Brasil manter a liderança mundial nas exportações de açúcar, o desempenho em 2026 demonstra um cenário mais desafiador para o setor. A combinação entre menor volume embarcado e preços internacionais mais baixos reduziu significativamente a receita cambial do segmento.

Os números divulgados pela Secex consideram 21 dias úteis em junho de 2026, ante 20 dias úteis em junho de 2025, e reforçam a influência do mercado global sobre o desempenho das exportações brasileiras de açúcar ao longo do ano.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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