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Investigação expõe disputa com China e acende alerta no mercado brasileiro

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A abertura de investigação pelo governo brasileiro sobre possível dumping nas importações de proteína de soja chinesa ocorre em paralelo a um cenário mais amplo de tensão comercial envolvendo o principal produto do agronegócio nacional: a soja em grão. Embora o foco formal da apuração seja um derivado específico, o movimento expõe o grau de sensibilidade da relação comercial entre Brasil e China, destino de mais de 70% das exportações brasileiras do complexo soja.

O Brasil embarca anualmente entre 95 milhões e 105 milhões de toneladas de soja em grão, dependendo da safra, consolidando-se como o maior exportador global. Desse total, a China absorve a maior parte, com compras que frequentemente superam 70 milhões de toneladas por ano. Trata-se de uma relação de alta dependência: para o Brasil, a China é o principal comprador; para os chineses, o Brasil é o principal fornecedor.

O problema é que esse fluxo não é livre de mecanismos de controle. A China opera com um sistema indireto de regulação das importações, baseado principalmente em licenças, controle de esmagamento e gestão de estoques estratégicos. Na prática, isso funciona como uma espécie de “cota informal”. O governo chinês pode reduzir ou ampliar o ritmo de compras ao liberar menos ou mais permissões para importadores e indústrias locais.

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Esse mecanismo ficou evidente nos últimos ciclos. Em momentos de margens apertadas na indústria chinesa de esmagamento, quando o farelo e o óleo não compensam o custo da soja importada, o país desacelera as compras. O resultado é imediato: pressão sobre os prêmios nos portos brasileiros e maior volatilidade de preços.

Além disso, há um fator estrutural. A China vem buscando diversificar fornecedores e reduzir riscos geopolíticos. Mesmo com a forte dependência do Brasil, o país mantém canais ativos com os Estados Unidos e outros exportadores, utilizando o volume de compras como ferramenta de negociação comercial.

No caso específico da proteína de soja, produto industrializado voltado principalmente à alimentação humana, o impacto direto sobre o produtor rural tende a ser limitado. Ainda assim, a investigação conduzida pela Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sinaliza um endurecimento na política comercial brasileira em relação à China, ainda que pontual.

O processo analisa indícios de venda a preços abaixo do custo de produção, prática conhecida como dumping, no período entre julho de 2024 e junho de 2025. Caso seja confirmada, o Brasil pode aplicar tarifas adicionais por até cinco anos.

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O ponto de atenção é que, embora tecnicamente restrita, qualquer medida nessa direção exige calibragem. A China é, de longe, o maior cliente da soja brasileira e um dos principais destinos de produtos do agronegócio como carne bovina e de frango. Movimentos comerciais, mesmo que setoriais, são acompanhados de perto pelo mercado.

Para o produtor, o cenário reforça um ponto central: o preço da soja no Brasil não depende apenas de oferta e demanda internas, mas de decisões estratégicas tomadas em Pequim. Ritmo de compras, gestão de estoques e margens da indústria chinesa seguem sendo os principais determinantes de curto prazo.

Na prática, a investigação atual não muda o fluxo da soja em grão, mas escancara a dependência brasileira de um único mercado e o grau de exposição a decisões comerciais externas.

Fonte: Pensar Agro

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Saúde mantém urgência 24h em Cuiabá no feriado de Tiradentes; veja o que fecha

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No feriado nacional de Dia de Tiradentes, celebrado nesta terça-feira (21), a Prefeitura de Cuiabá manterá apenas os serviços essenciais de saúde em funcionamento. A medida segue o decreto nº 11.585/2025, assinado pelo prefeito Abilio Brunini.

Com isso, atendimentos eletivos, consultas agendadas e setores administrativos não funcionarão durante o feriado. Já a rede de urgência e emergência permanece ativa, garantindo assistência à população 24 horas por dia.

O que funciona no feriado (24h)

Durante o feriado, seguem em atendimento contínuo as unidades de urgência, emergência e hospitalares:

Na atenção secundária, permanecem abertas as UPAs Pascoal Ramos (Região Sul), Morada do Ouro (Região Norte), Leblon (Região Leste) e Verdão (Região Oeste), além da Policlínica do Pedra 90.

Já na rede hospitalar, o atendimento segue normalmente no Hospital Municipal São Benedito, no Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá, no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) e no Centro Médico Infantil (CMI).

Também continuam em funcionamento as residências terapêuticas, com seis unidades operando de forma ininterrupta para internação e moradia assistida.

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Serviços que estarão fechados

Os atendimentos eletivos e serviços administrativos ficam suspensos, incluindo:

Na atenção primária, todas as Unidades de Saúde da Família (USFs) estarão fechadas.

Na atenção especializada, não haverá funcionamento dos Centros de Especialidades Médicas, Serviços de Atenção Especializada (SAE), Centros Especializados em Reabilitação (CER), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Unidades Descentralizadas de Reabilitação (UDR), além de estruturas como LACEC e URPICS.

Também não funcionam os setores de vigilância e controle, como Vigilância Sanitária, Vigilância Epidemiológica, Zoonoses, CEREST e CIEVS.

Os serviços voltam ao expediente normal no próximo dia útil, ou seja, quarta-feira (22). A orientação da Secretaria é que a população utilize as unidades abertas apenas em situações de urgência e emergência, ajudando a manter o fluxo adequado de atendimento.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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